Auschwitz: É preciso “recordar este período negro da História da Humanidade e assegurar que não se repete”

SebaSimon / Flickr

Prisioneiros no campo de Auschwitz

O Governo português recorda esta segunda-feira em comunicado as vítimas do Holocausto no dia que se assinala a libertação pelas tropas aliadas do campo de concentração nazi de Auschwitz-Birkenau, localizado na Polónia, durante a II Guerra Mundial.

Segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), “assinala-se hoje o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Há 75 anos, foi libertado pelas tropas aliadas o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, símbolo máximo da barbárie humana”.

“Neste dia evocamos todas as vítimas do Holocausto e da ideologia nazi. Relembramos não apenas as vidas dos milhões de judeus, mas as de todos aqueles que, pelas suas origens, crenças, orientação sexual, condições físicas e opções políticas foram perseguidos, e os milhões de prisioneiros de guerra mortos pela fome, pela doença, pelo trabalho forçado”, lê-se na nota do MNE.

De acordo com o comunicado, o Governo português também homenageia a memória de todos aqueles que tiveram “a coragem de escolher fazer o que estava certo, independentemente das consequências”. “Entre nós, figuram Aristides de Sousa Mendes e os também diplomatas Carlos Garrido Sampaio e Alberto Teixeira Branquinho e o Padre Joaquim Carreira”, destaca o documento.

Segundo a nota do MNE, manter viva a memória do Holocausto, defendendo os valores da nossa sociedade democrática, liberal e inclusiva, é fundamental para que não se esqueçam os perigos que advêm da intolerância, do ódio, da xenofobia, do racismo, do antissemitismo e da discriminação.

“Em 2019, Portugal tornou-se membro da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, reforçando o seu compromisso de promoção da educação das novas gerações sobre este tenebroso período. Educar é a melhor forma de prevenção e, também, de homenagem”, refere o comunicado.

Segundo o documento, “recordar este período negro da História da Humanidade e assegurar que não se repete é, mais do que nunca, um imperativo”.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, participa esta segunda-feira na cerimónia do 75.º aniversário da libertação de Auschwitz, que decorre no antigo campo de concentração. Dignitários de cerca de 50 países estão presentes, como os Presidentes da Áustria, Alemanha, Irlanda e Israel ou os primeiros-ministros da Bulgária, Croácia, França, Grécia, Hungria e República Checa.

As comemorações deste 75.º aniversário incluem vários eventos organizados pelo museu, entre os quais os ensaios fotográficos “Auschwitz – O Campo da Morte” e “Auschwitz – Retratos de Sobreviventes”.

Lista das 70 vítimas portuguesas deverá ser publicada

Pelo menos 70 portugueses estiveram em campos de concentração durante a II Guerra Mundial e 300 terão sido obrigados a trabalhos forçados. Fernando Rosas, historiador da Universidade Nova de Lisboa, lidera a investigação que divulgou estes números e defende que estes homens e mulheres devem ser homenageados pelo Governo.

“À semelhança do que fez o Estado espanhol, que divulgou, no seu boletim oficial, os nomes dos espanhóis que caíram ou que passaram por Mauthausen-Gusen, para os homenagear, nós queríamos fazer o mesmo em relação aos portugueses que passaram – e alguns morreram – pelo campo de concentração de Mauthausen”, disse o investigador, em declarações à TSF.

“O que propusemos ao ministro dos Negócios Estrangeiros foi que pudéssemos fazer uma deslocação de dois investigadores ao arquivo de Mauthausen, em Viena, no sentido de estabelecermos essa lista para ser publicada no Diário do Governo ou numa outra publicação oficial como forma de a República portuguesa homenagear esses homens”, explica o investigador.

Fernando Rosas admite que a principal dificuldade é conseguir financiamento para dar seguimento à investigação.

Mais de um milhão de pessoas foram mortas no que foi considerado o pior campo de extermínio criado pelo regime nazi, libertado a 27 de janeiro de 1945 pelo Exército Vermelho soviético.

ZAP // Lusa

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