Auditoria que apontava falhas na GNR e PSP desapareceu sem rasto

Mário Cruz / Lusa

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita

Uma auditoria realizada pela IGAI que apontava várias falhas na GNR e na PSP desapareceu. Aliás, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, diz que nunca existiu.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) diz ter feito uma auditoria à ação e organização da GNR e da PSP. Foram analisadas queixas, auditorias, fiscalizações, processos e relatórios de inspeções às instalações e ao seu funcionamento entre 2015 e 2018.

O IGAI entregou, em março de 2019, ao ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, o estudo intitulado “Cartografia de Risco”. De acordo com o Diário de Notícias, a auditoria detetou falhas na formação em direitos humanos, falta de preparação dos polícias para os diferentes contextos sociais em que atuam, uma distribuição desadequada do dispositivo e défice do efetivo.

O relatório nunca foi divulgado publicamente apesar de vários pedidos do Bloco de Esquerda.

Agora, na última audição na Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias, Eduardo Cabrita negou a existência desta auditoria e do seu respetivo relatório síntese.

“Julgo que há aqui uma confusão sobre a cartografia de risco. A cartografia de risco é a proposta de criação de um grupo de trabalho da autoria da IGAI e não há nenhum relatório. O que propõe é a criação de um grupo de trabalho, que estava preparado, mas não foi criado nesta fase de Covid, e que visa identificar situações em função do nível de risco de Segurança Interna. É um trabalho a desenvolver. Há um trabalho preliminar desenvolvido pela IGAI que propõe, mas não há esse relatório”, disse o governante.

Em declarações ao DN, Sandra Cunha, deputada do Bloco de Esquerda, salientou a falta de transparência e pede a entrega do estudo/auditoria na Assembleia da República.

“Ou houve algum tipo de dificuldade de comunicação ou um lapso, ou as conclusões do estudo revelaram uma realidade que não se quer que seja conhecida. Quando não há transparência, dá azo a todo o tipo de possibilidades e esta é uma delas. A única forma de clarificar é mesmo que o estudo / auditoria “Cartografia de Risco”, que existe e até foi indicado como “anexo VI” do Relatório de Atividades de 2018, seja entregue na Assembleia da República”, disse a coordenadora bloquista para a segurança interna.

ZAP //

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15 COMENTÁRIOS

  1. Ai ai ai Portugal. Parecem crianças. Fazem trinta por uma linha mas nunca querem ser responsábilizados. Aliás são mestres em esconder, abafar, recusar, mesmo em casos óbvious, mas sabem apontar o dedo ao lado alheio.
    Exemplo: O varredor e o Sinal De Trânsito

    • Desde quando é que o nazismo é solução para o que quer que seja? Estamos a fazer progresso, precisamos de mais transparência e mais seriedade e competência nos governos.

  2. Andamos a ser governados por seitas Mafiosas já há mais de 40 anos, quando não lhes interessa sejam Auditorias, inquéritos ou investigações desaparecem como por milagre outros documentos de prova pasmem-se que até são roubados de viaturas, não é por acaso que nem um governo nos deixa consultar documentação seja de negócios ou negociatas sobre as PPPs ou de vendas de património que são de todos nós portugueses, comem todos da mesma gamela

  3. Mas isto é um país a sério ou a brincar? Aí Salazar, Salazar, se visses isto , morrias segunda vez e de ataque fulminante!

  4. Então o Director da PSP não disse que havia tanto racismo na PSP como em Portugal? É óbvio que não há critérios de selecção, há tantos racistas, criminosos, violadores, etc… como na sociedade portuguesa… E eu que pensava que as pessoas que eram ajuramentadas a defender os outros eram criteriosamente seleccionadas.

  5. É a Máfia que veio para Portugal com o 25 de Abril.Mas como o povo só quer é futebol,praia e subsídios,está tudo bem.Um país com quase novecentos anos de história atirado pela ”sarjeta” como diz o Brasileiro.

    • Não confundas as coisas, o 25 de Abril deu como exemplo o poder de postares aqui a tua opinião, governos sucessivos de anti 25 de Abril têm permitido que casos como estes sucedam, fica bem

  6. Até parece uma grande novidade, não foi sempre assim?
    O que pode ser importante acaba por desaparecer, é o normal, e nem é o “novo normal”…
    Sacudir a água do capote é o que de melhor os nossos organismos sabem fazer, para alguns nem existiu o holocausto, foi um invenção das más línguas.
    Tudo como dantes, quartel general em Abrantes.

  7. Já se torna, digamos, um ritual….. Como no caso dos Submarinos, desaparecem os contratos, no caso de Tancos com um ilustre ministro a afirmar que se calhar, nem houve roubo de armas por exemplo !…. Ou seja tudo o que risca de incomodar certos e certas “pessoas” do Universo Politico ou de qualquer alto poder, é abafado ou arrastado indefinitivamente em Tribunais! ……O pior é que todos sabemos disso e nada podemos fazer, e não é com votos de protesto neste ou naquele que resolvemos seja o que for.

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