Pode não ter sido um ataque sónico, mas um fenómeno de histeria em massa

U.S. Department of State

Em 2015, a bandeira dos Estados Unidos foi hasteada na embaixada americana em Cuba, pela primeira vez em 54 anos

Segundo um especialista, os diplomatas norte-americanos que se dizem vítimas dos chamados “ataques sónicos” estão apenas a experimentar uma forma contagiosa de delírio coletivo.

Em 2016, diplomatas norte-americanos em Cuba foram alvo de um misterioso ataque sónico, levado a cabo por uma tecnologia nunca antes vista de sons armados. O ataque sónico em Cuba e, mais recentemente, na China, acionaram o alerta da chegada desta arma perigosa e invisível.

No entanto, talvez nunca tenha acontecido nada.

Segundo um especialista em doenças psicogénicas coletivas, os sintomas dos diplomatas poderiam ser o resultado de uma ilusão contagiosa coletiva, e não as marcas de uma invisível arma sonora para a qual não existem provas concretas.

“Estou convencido de que estamos a lidar com uma caso de histeria em massa”, disse o sociólogo Robert Bartholomew à ABC News. A condição é descrita pelo especialista como um fenómeno médico e social que causa ilusões e sintomas num determinado grupo de pessoas. Este fenómeno tem sido observado não só nos últimos tempos, como ao longo da história.

Apesar de um relatório dilvulgado por investigadores da Universidade da Pensilvânia ter concluído que as vítimas do ataque em Cuba sofreram “danos nas redes cerebrais”, Bartholomew diz que a histeria em massa é exatamente o fenómeno que estamos a presenciar.

Armas sónicas não podem causar concussões – é fisicamente impossível”, argumenta Bartholomew, contrariando o resultado do relatório.

Na verdade, o estudo não foi conclusivo no que toca à forma como o trauma aconteceu, sugerindo que as manifestações clínicas podem representar “uma nova entidade clínica”, sublinhando que ainda não está claro de que forma o ruído está relacionado com os sintomas relatados pelos diplomatas americanos.

No entanto, Bartholomew desvaloriza os resultados do estudo, defendendo a tendência estereotipada das pessoas de alcançar diagnósticos médicos improváveis face a explicações mais plausíveis. “As pessoas estão a escolher uma hipótese mais exótica e que é cientificamente impossível”, sublinha.

Seja qual for a causa destes sintomas misteriosos – se um som armado ou delírios desenfreados – certo é que não estão a desaparecer.

No entanto, caso se venha a provar que se trata mesmo de um fenómeno de histeria em massa, é provável que nunca venha a ser provado pelo Governo. “Uma vez que é afirmada a existência de um ataque, não há volta a dar”, explica Mitchell Joseph Valdés-Sosa, dirtor do Centro de Neurociência cubano.

Estará o Governo disposto a admitir que cometeu um erro?“, questiona por fim.

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