As falhas do SIRESP desde 2010: incêndios, tempestades e até na visita do Papa

Nuno André Ferreira / Lusa

A rede de comunicações SIRESP também colapsa durante as tempestades e, de acordo com os relatórios de desempenho, falha praticamente todos os anos.

Depois das visíveis falhas no incêndio em Pedrógão Grande, muitas dúvidas se levantaram sobre o desempenho do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP).

Agora, segundo o Jornal de Notícias, não é só nos incêndios que esta rede de comunicações, usada pelas forças de segurança e pelos bombeiros, vai abaixo. Com um custo de cerca de 500 milhões de euros, este sistema também não está preparado para aguentar tempestades e colapsa praticamente todos os anos.

O jornal teve acesso a vários relatórios de desempenho do SIRESP, escritos entre 2010 e 2017, que dão conta de falhas sistemáticas e não só nos incêndios ou noutro tipo de intempéries: a Cimeira da NATO ou a visita do Papa Bento XVI foram outras das situações em que o sistema não funcionou devidamente.

No entanto, escreve o diário, o Estado nunca exigiu o pagamento de penalidades à empresa que opera esta rede.

O contrato para a montagem do SIRESP foi negociado durante o Governo de Santana Lopes, em fevereiro de 2005, três dias depois de ter perdido as eleições para o PS e depois de três anos na gaveta.  Acabou por ser assinado apenas em 2006, já sob a tutela de António Costa como ministro da Administração Interna, no Governo de José Sócrates.

O SIRESP é uma Parceria Público-Privada (PPP) e tem como maior acionista a Galilei, empresa agora insolvente que antes era a Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que caiu no seguimento da nacionalização do BPN, e que detém 33% das ações.

Os outros acionistas são a tecnológica Datacomp (9,55%), outra empresa do universo Galilei que está em Processo Especial de Revitalização, a PT (30,55%), a Motorola (14,9%) e a Esegur, sociedade da CGD e do Novo Banco que sucedeu ao ex-BES (12%).

ZAP //

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7 COMENTÁRIOS

  1. Há gastos enormes em sistemas de comunicação em Portugal sem qualquer eficiência. Pergunto .Sou cidadão, pago meus impostos e inquieto-me muito quando vidas em risco acabam por serem vitimas de embuscadas no meio de fogos e pelo que é avançado o SIRESP não foncionou , no entanto custou 500 Milhões de Euros aos portugueses… Só gostava de ter uma resposta, politicamente falando quém no governo decidiu investir num Siresp destes? Porra… peritos em sistemas de comunicação sabem muito bem que as ondas radios utilizadas pelas operadoras qui conhecemos não estão em condições de garantir uma comunicação a alguém. Corporações de que se encontre dentro duma mata de pinheiros . eucaliptos , etc Porque as próprias árvores impedem essas mesma comunicações

  2. Ora entao se ja anda assim desde 2010 foi só agora que resolveram badalar o assunto????
    O que andaram a fazer todos governantes que passaram até agora pelo governo… inclusivé estes que lá estão agora. Foi preciso morrer 64 infelizes porque nunca ninguem quis saber de tratar de corrigir o assunto com a devida urgencia.
    É para isso que eu pago impostos? Ou é para que essa cambada de chulos andarem a comer à custa de todos os contribuintes,
    Acho que vou comprar uma ilha na Escocia por 1,00€

  3. As Coorporações de Bombeiros a própria Proteção Civil a GNR e os Ministérios a quem estas questões dizem respeito, deviam de saber muito bem que dentro das florestas de grande densidade de pinheiros . eucaliptos, e outras árvores de grande porte, que não tem hipóteses de comunicar corretamente . Porque as próprias árvores fazem de antenas e impedem essas mesma comunicações de se fazerem. No entanto se as operadoras que todos nós conhecemos não estão em condições de garantir os serviços que elas pretendem prestar de forma continua e correta. Elas tem de assumir uma parte da responsabilidade nestas tragédias de hoje e do passado. Quero enfim chamar a atenção , para outros sistema de comunicação que existem . Só dou um exemplo ….E falo do Sistema de Comunicações VOIP……Via Satélites. …De certo que não é mais oneroso e tem a
    vantagem de assegurar nestas condições , aliás em todas as condições comunicações , mesmo debaixo de água, que são 99 % mais seguras…. Pergunto . Será que vai a debate a aquisição do Sistema de Comunicações Voip ou fica letra morta ???

  4. 2017-2006 = 11 anos.
    500 M€ / 11 anos = 45,45 M€ /ano
    45,45 M€ /12 meses = 3,79 M€ / mês
    LOL LOL LOL
    HÉ PÁ!! SÃO MUITOS RÁDIOS E MUITAS ANTENAS!!!
    Ou vale mais o rádio SIRESP que a viatura onde está colocado.
    Só um “ceguinho” como o povinho português é que come e cala.
    Desde o início do presente século que os dispositivos eletrónicos são quase descartáveis e produzidos em massa, até excessivamente.
    É o rapa o tacho generalizado…

  5. A minha opinião publicada no Diário de Coimbra em 27/2/2014.

    O SIRESP

    Senhor Director

    O SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de
    Portugal) irá custar cerca de 600 milhões de euros e que são
    investidos num sistema que,segundo uma reportagem televisiva,não
    corresponde às necessidades de comunicação entre os
    Bombeiros,Hospitais,GNR,Protecção Civil,etc.
    Há corporações de Bombeiros que ainda mantêm o sistema de rádio
    analógico porque continua a ser o mais fiável.
    Segundo foi mencionado na reportagem,os danos causados pelos
    temporais e pelos fogos no ano passado foram mais elevados devido às
    falhas do SIRESP.
    Foi também focado que o contrato de adjudicação deste sistema em
    2006 se baseou numa PPP (Parceria Público Privada) tendo por trás o
    famigerado BPN (Banco Português de Negócios).
    E como se diz na gíria,quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão.
    Ou por outras palavras,o cidadão pagante.
    Os outros lavam as mãos como Pilatos.

  6. Quanto a mim pior do que as falhas do SIRESP de 2010 para cá são as falhas do sistema de 1974 para cá e com essa falha existe falhas por todo o lado, segurança, saúde, ensino vai tudo a eito, acusam-se todos uns aos outros e comem todos do mesmo tacho.

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