Argélia expulsa para o deserto 390 pessoas (incluindo grávidas e crianças)

A Argélia expulsou este domingo 391 pessoas em condições precárias, incluindo crianças e grávidas, para o deserto do Níger.

A Organização Internacional para as Migrações, OIM, indicou que as pessoas expulsas, oriundas de países da África Subsaariana foram detidas pelas autoridades argelinas a trabalhar sem papéis em diferentes cidades do país e levados em camiões até à fronteira, no posto de In Guezzam.

As pessoas, incluindo crianças e mulheres grávidas, foram obrigadas a atravessar a fronteira a pé e com muito pouca água e alimentos, afirma a OIM, sem que tenha havido confirmação ou desmentido oficial das autoridades argelinas.

Os ministros do Interior da Argélia e do Níger estiveram reunidos em Argel no âmbito de um comité bilateral fronteiriço. O responsável argelino, Noureddin Bedoui, reiterou que o seu país não aceitará criar centros de detenção temporária propostos por diversos países europeus e que vai combater a imigração nos seus próprios termos.

Organizações internacionais como a Amnistia Internacional ou a Human Rights Watch acusam a Argélia de tratamento desumano a milhares de homens, mulheres e crianças migrantes, expulsos sem olhar ao seu estado de vulnerabilidade.

Em 14 meses, a Argélia abandonou milhares de migrantes no Saara, obrigando-os a atravessar o deserto sem água ou comida. Desde 2014, terão morrido cerca de 30 mil pessoas. Morrem ainda mais migrantes no Saara do que no Mediterrâneo, diz a OIM.

O abandono de migrantes começou no ano passado, altura em que a União Europeia começou a pressionar os países do norte de África para desmobilizarem os migrantes que quisessem ir para a Europa através do Mar Mediterrâneo.

A expulsão de migrantes é permitida desde que seja feita nos termos da lei internacional. No entanto, não é o que está a acontecer na Argélia, dado que não está a recorrer às verbas oferecidas pela União Europeia para ajudar com a crise migratória.

Noureddin Bedoui admitiu em maio passado que nos últimos três anos foram expulsas 27.000 pessoas da Argélia, mas afirma que tudo se passou no “estrito respeito dos direitos humanos“, acusando as organizações de quererem “ferir a imagem” do país.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Pois é a Argélia expulsa as pessoas para o deserto e o governo Português não faz nada é como se nada fosse o dr.Guterres o dr,Sampaio o dr.António Vitorino e muitos mais o que estão a fazer que não vão biscar as pessoas em Albufeira fazem muita falta.

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