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Após a sua morte, o imperador Nero ganhou uma infame reputação (e há quem queira mudar isso)

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O Museu Britânico vai reabilitar a reputação de Nero. Segundo os curadores, o imperador foi traído pela “cultura do cancelamento” no Império Romano. 

Conhecido por ser o imperador que tocava violino enquanto Roma ardia, o reinado brutal de Nero entre 54 e 68 incluiu a perseguição de cristãos e o matricídio, a morte da sua mãe.

As suas estátuas foram rapidamente destruídas após a sua queda e subsequente suicídio com apenas 30 anos e retratos contemporâneos pintam-no como um assassino corrupto e incestuoso.

Contudo, de acordo com o jornal britânico The Telegraph, os curadores do Museu Britânico defende que Nero foi uma das primeiras vítimas da “cultura do cancelamento”.

Uma nova exposição do museu vai tentar restaurar a reputação do quinto imperador de Roma, apresentando-o como um populista adorado pelas pessoas comuns, mas menosprezado pela propaganda de uma “pequena elite”.

“É estranho como isto nasceu de repente nos últimos anos. A cultura do cancelamento e as guerras de estátuas, que tanto ressoam. A guerra de estátuas talvez seja mais apropriada, o que vimos com a estátua de Colston em Bristol e vários monumentos nos EUA”, disse Thorsten Opper, curador da Roma Antiga no Museu Britânico.

“Assim que Nero morreu, havia gente exultante na rua a derrubar as suas estátuas, destruindo-as, alterando o seu nome dos registos oficiais. Mesmo se se olhar para as fontes, são chocantemente partidárias e tendenciosas”, continuou.

Após a morte de Nero, escritores como Tácito e Suetónio espalharam o mito de que Nero iniciou o Grande Incêndio de Roma e tocou a lira enquanto a cidade ardia – tudo para construir um palácio maior. Depois, culpou os cristãos pelo incêndio.

Também foi escrito que o governante que chegou ao poder aos 16 anos agrediu a sua segunda esposa até à morte enquanto estava grávida, violou vestais virgens assustadas e cometeu incesto.

Estudos recentes mostram que Nero era popular entre os plebeus, mas desprezado por dinastias posteriores e escritores que divertiam uma elite romana escandalizada com Nero.

Embora Nero tenha matado a sua mãe e uma das suas esposas, como outros imperadores, os curadores do Museu Britânico mostram-no como uma “vítima” de mudanças sociais que não conseguiu controlar e que levaram à sua queda.

Estátuas que sobreviveram à destruição, bem como graffitis escritos em homenagem ao imperador, serão usados ​​para contar a história completa deste reinado, que viu a revolta dos bretões sob Boudica.

Enquanto examina a propaganda de cronistas antigos, o Museu Britânico também aborda a forma como retratavam as mulheres, como a mãe assassinada de Nero, Agripina. Segundo Opper disse que era “chocante quão misóginas são as fontes”. “Isso tem um impacto sobre as coisas positivas que são lembradas sobre estas mulheres”.

As suas histórias e as de pessoas comuns em todo o Império Romano, particularmente na Grã-Bretanha, serão contadas com mais de 200 objetos, muitos dos quais serão exibidos no Reino Unido pela primeira vez.

O Museu Britânico não é o primeiro a ver o “outro lado” de Nero. Napoleão odiava Tácito, temendo que um historiador pudesse manchar a sua memória da mesma forma.

“O povo adora Nero”, disse o imperador francês, de acordo com o jornal britânico The Times. “Ele inspira neles tanto carinho como respeito. Ele oprimiu os grandes e nunca oprimiu o comum. Mas Tácito não diz nada sobre isso. Ele fala de crimes. Ele é tendencioso”.

A exposição “Nero: The Man Behind the Myth” vai estar aberta entre 17 de maio e 24 de outubro.

  Maria Campos, ZAP //

 

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