/

António Vitorino terá recebido 325 mil euros de suspeitos de corrupção

ISCTE / Flickr

O antigo comissário europeu e ex-dirigente socialista António Vitorino

O ex-ministro António Vitorino terá recebido, através de uma empresa que gere com a mulher, comissões de 325.200 mil euros do ex-embaixador de Espanha na Venezuela, Raúl Morodo, e do filho, que estão a ser acusados de corrupção pela justiça espanhola. Em causa estarão influências políticas no âmbito de um acordo que foi assinado por Hugo Chávez e José Sócrates.

A empresa Ebau Consultores Lda., cujos administradores são António Vitorino e a mulher, terá recebido diversas transferências de sociedades ligadas a Raúl Morodo e ao filho Alejo Morodo. Os dois estão no centro de uma investigação da Unidade de Delinquência Económica e Fiscal (UDEF) de Espanha em torno de suspeitas de corrupção e branqueamento de capitais.

A UDEF concluiu que os Morodo pagaram à empresa de Vitorino cerca de 325.200 mil euros depois de terem recebido 4,4 milhões de euros da PDVSA, a petrolífera estatal venezuelana.

Em causa estão transferências realizadas entre 2012 e 2016, provenientes da Morodo Abogados y Asociados SL, que é detida por Raúl Morodo e pelo filho, e destinadas à Ebau Consultores Lda. Os valores pagos de forma faseada – 102 mil em 2012, 102 mil em 2014 e 51.200 mil em 2016 – foram justificados na contabilidade da empresa como pagamentos por “serviços profissionais de consultoria em relações internacionais e assuntos europeus”, como cita o jornal espanhol Okdiario.

Há ainda outras duas transferências sinalizadas, efectuadas em 2011 e em 2012, no valor global de 70 mil euros que chegaram à Ebau Consultores Lda. da Aequitas Abogados e Consultores SL, a empresa que terá sido usada por Alejo Morodo para receber verbas da PDVSA.

A UDEF aponta que os pagamentos feitos à empresa de Vitorino dizem respeito à intermediação do acordo empresarial com o qual a Galp se comprometeu a construir quatro parques eólicos na Venezuela, bem como a comprar petróleo bruto à PDVSA, em 2008. Este acordo foi assinado entre o então primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, e o presidente da Venezuela na altura, Hugo Chávez.

António Vitorino já veio anunciar, em comunicado, que não foi informado pela Justiça espanhola de qualquer investigação.

A UDEF apurou também que a Galp pagou mais de 150 mil euros a sociedades de Alejo Morodo.

Perante o juiz, Raúl Morodo garantiu que nunca recebeu qualquer verba da PDVSA, frisando que recebeu vários empréstimos do filho num total de 80 mil euros. Mas a investigação alega que o ex-embaixador recebeu, pelo menos, 420 mil euros da sociedade do filho, Aequitas Abogados, cujos rendimentos provinham, quase exclusivamente, da PDVSA.

A mulher de Raúl Morodo, Cristina Cañeque de Sola, também está sob suspeita depois de ter aberto três contas bancárias no Credit Suisse em Zurique, na Suíça, em Abril de 2008, isto é, apenas seis meses depois de o seu marido deixar a Venezuela. Ela assumiu que detém um património de 6,4 milhões de euros que ocultou, durante anos, do Fisco espanhol.

Raúl Morodo foi embaixador de Espanha em Portugal entre 1995 e 1999, antes de rumar a Caracas para desempenhar o mesmo cargo. O Okdiario nota que “mantém uma relação estreita com o Partido Socialista de Portugal”, fruto do tempo que passou por cá na diplomacia, antes de ter sido nomeado para a Venezuela.

António Vitorino foi ministro no Governo de António Guterres e é uma das grandes figuras políticas do PS. Actualmente, é director-geral da Organização Internacional para as Migrações da ONU.

  ZAP //

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE