António Saraiva apanha de surpresa confederações patronais

Pedro Nunes / Lusa

António Saraiva, presidente da CIP

António Saraiva admitiu o aumento do salário mínimo acima dos 600 euros, mas apanhou de surpresa os outros patrões que sublinham que a situação difere de setor para setor e de região para região.

As declarações do presidente da CIP, Confederação Empresarial de Portugal, não agradaram os outros líderes patronais.

António Saraiva disse que podia “haver uma surpresa e não ficarmos confinados aos 600 euros” e adiantou ainda que “os salários podem e devem subir, mas indexados à produtividade e ao crescimento”, em declarações ao Jornal de Negócios.

As demais confederações de nada sabiam. Em declarações ao Expresso, os outros líderes patronais referiram que não gostaram de ouvir António Saraiva falar em nome de todos. Apesar de todas as confederações lutarem por melhores salários, é preciso ter uma avaliação clara da realidade de cada setor e de cada região.

A Confederação do Comércio e Serviços (CCP) defende que a metodologia aplicada para a definição do salário mínimo nacional, centrada na produtividade, evolução da inflação e crescimento da economia, deve ser mantida. Ainda assim, sublinha “só em outubro analisaremos os indicadores e definiremos uma posição”.

A Associação Empresarial de Portugal (AEP) defende exatamente o mesmo, tanto que o presidente, Paulo Nunes de Almeida, não entende a estratégia que levou António Saraiva “a jogar este trunfo neste momento”.

Por sua vez, Pedro Ferraz da Cota, presidente do Fórum para a Competitividade, assinala que o atual SMN “é muito elevado em Portugal por se aplicar a pessoas sem qualificação”, desmotivando a aposta na educação e a contratação coletiva “porque a remuneração não depende da empresas mas é fixado pelo Governo”.

Um salário mínimo acima dos 600 euros pode tornar-se um verdadeiro pesadelo para algumas empresas, nomeadamente para a indústria têxtil, que já tiveram de reduzir à margem do negócio “para impulsionarem as exportações”, refere ainda ao Expresso.

Fomos apanhados desprevenidos, não posso adiantar a posição da ATP porque o assunto não foi debatido pela direção”, diz Paulo Vaz, o secretário-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal. O aumento do SMN neste setor pode destruir a recuperação que é atualmente conseguida pelas empresas deste ramo.

O salário mínimo nacional está atualmente nos 580 euros. O Governo defende uma subida para 600 euros no próximo ano, mas António Saraiva, que falou em nome de todos, anunciou que poderá surpreender os parceiros sociais e propor um valor acima ao número apontado pelo Governo para 2019.

As associações empresariais, cautelosas, advertem para as comparações apressadas, adianta o Expresso. Em Portugal são pagos 14 meses de salários, e não 12 como noutros países. Além disso, na conta dos custos laborais é preciso entrar com a Taxa Social Única, mais elevada no nosso país do que nos outros.

ZAP ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Este também está fora do prazo e devia de uma vez por todas reformar-se. Tem sido uma nódoa na representação dos interesses das empresas. Tem sido uma vergonha na total incapacidade de compreender as diferentes realidades setoriais. Ficará para a história como o PIOR LÍDER DAS ESTRUTURAS PATRONAIS.

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