//

“Animais não são prendas.” Há associações que param as adoções no Natal

A apenas duas semanas do Natal, a União Zoófila fecha a porta a quem queira adotar um animal de estimação. “Nenhum animal pode ser encarado como uma prenda de Natal.”

Para Lurdes Pimenta, tesoureira da União Zoófila, um animal de companhia “não pode ser um peso imposto” que é escondido debaixo da árvore de Natal. “É uma vida e é uma responsabilidade para a vida”, diz ao Público a responsável.

Mas a União Zoófila não está sozinha e é apenas uma das várias associações que, apesar das instalações sobrelotadas, negam os pedidos de adoção nesta altura do ano. O Cantinho dos Animais Abandonados, em Viseu, “entre 18 de dezembro e 1 de janeiro” não aceita adoções.

Ana Vaz, presidente da associação, refere que nos primeiros dezembros deram animais quase até à véspera de Natal “e muitos eram devolvidos pouco tempo depois”.

Segundo o jornal, por ano, os centros de recolha oficiais (CRO), que não existem em 131 municípios portugueses, recolhem mais de 30 mil animais. Destes, só 35% são depois adotados, adianta a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária.

Ainda que a relação entre as adoções no Natal e as devoluções nos primeiros meses do ano seja pouco expressiva, “principalmente por causa de todas as medidas ainda mais criteriosas” que as associações começaram a tomar”, é no Verão e nas férias grandes que se continuam a registar mais abandonos.

Contudo, os animais continuam a ser uma das prendas mais desejadas nesta altura festiva. Segundo um estudo da GFK, divulgado no ano passado, em Portugal, mais de metade dos lares tem um animal de companhia.

A Asaast, associação dos amigos dos animais de Santo Tirso, não permite “que os animais sejam devolvidos porque são um presente que correu mal“, e negam também adoções neste período, há já quatro anos.

A União Zoófila, que conta com 250 voluntários, propõe, para quem está a pensar oferecer um animal este Natal, que levem a pessoa a um abrigo para que ela mesma escolha a sua futura companhia. Ou, caso não queiram estragar a surpresa, aconselham a “oferecer a cama e os brinquedos para o animal ter tudo quando chegar”.

Pelas barreiras, não pedem desculpa. “A partir do momento em que entram nós passamos a ser responsáveis por eles.”

  ZAP //

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.