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Sem cartadas na manga, Ana Gomes registou a “hostilidade” da direção do PS

rtppt / Flickr

Ana Gomes, candidata à Presidência da República

Ana Gomes não guarda cartadas na manga, mas “regista” o silêncio de António Costa e a hostilidade à sua candidatura, depois de ter ficado em segundo lugar nas eleições presidenciais.

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“Desculpem os erros que cometi – nunca consegui desencantar vacina contra alguma propensão marginal para a asneira…”

Esta é uma das frases que surge na carta de quatro páginas que Ana Gomes enviou, na quarta-feira, a todos os apoiantes e membros da equipa que a acompanhou na campanha eleitoral.

Da filha ao enteado; dos autarcas e deputados do PS até aos membros do Livre e do PAN; dos amigos e conhecidos aos ecos que o “bom PS” lhe fazia chegar: o agradecimento de Ana Gomes foi, de acordo com o Observador, humorado e até emotivo.

Esta sexta-feira, o Expresso avança que a candidata presidencial vai agora dedicar-se à escrita. Ana Gomes vai escrever um livro de memórias sobre o processo de independência de Timor e, na manga, não tem “nenhuma jogada”. Ainda que não se considere “calculista”, diz ter registado o silêncio da direção do PS.

“Sei com quem estou a lidar. E não tive apenas o não-apoio do PS à minha candidatura. Tive a hostilidade da direção do meu partido“, disse, em declarações ao semanário.

Ana Gomes ficou em segundo lugar nas eleições de domingo passado e acusou António Costa de uma “deserção” da corrida às presidenciais. Na noite eleitoral, o atual primeiro-ministro não dirigiu uma única palavra à militante socialista e o silêncio mantém-se até hoje.

“Não me surpreende, sei com quem estou a lidar“, reagiu Ana Gomes ao semanário, que escreve que a antiga eurodeputada “regista” todos os sinais recebidos, mas não tem planos para uma atuação imediata.

Ana Gomes diz que nunca sentiu “falta de apoios” do interior do PS. Pedro Nuno Santos é um dos mais fortes apoios públicos e, recentemente, a diplomata retribuiu-lhe a confiança política, garantindo ser o ministro das Infraestruturas o seu candidato à liderança socialista.

É certo que Pedro Nuno Santos lidera a ala mais à esquerda do PS, mas, segundo o Expresso, ainda não é o momento de descartar Ana Gomes de uma possível corrida.

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“Não estou reformada e nunca me reformarei da política”, disse a candidata no final da noite eleitoral, da qual se despediu com um “até à próxima”. No inner circle da candidatura, parece certo que “é bem possível que ela avance“.

  ZAP //

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