Alta tensão na administração da Mutualista Montepio

José Sena Goulão / Lusa

Foi em “clima de tensão” que decorreu a reunião do Conselho Geral da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) que se debruçou sobre as contas negativas do grupo que detém o banco Montepio. O presidente da AMMG, Tomás Correia, foi obrigado a levantar o tom e garante que não se demite.

Depois do alerta quanto às contas do grupo Montepio divulgado pelo Público que noticiou uma situação de “falência técnica”, com um “buraco” de 107 milhões de euros, a reunião de terça-feira do Conselho Geral da AMMG decorreu em “clima de tensão”.

Aquela descrição é feita pelo Público, que salienta que a contestação de alguns conselheiros gerou várias “reacções crispadas por parte de Tomás Correia” que surgiu ao lado de um representante da auditora das contas, a KPMG, para justificar os números e os alertas efectuados.

Em conferência de imprensa, depois da reunião, Tomás Correia garantiu que não vai abandonar o cargo de presidente da AMMG, apesar das suspeitas de corrupção em que está envolvido, no âmbito da sua gestão como presidente do banco Montepio.

Tomás Correia saiu da presidência do banco em 2015, após pressão do Banco de Portugal (BdP), e garante agora que “não faria sentido” sair da liderança da AMMG.

“Não podemos ceder ao facilitismo de quem utiliza determinados expedientes para atingir determinados fins”, aponta Tomás Correia.

O responsável da AMMG também garante que a notícia de “falência técnica” divulgada pelo Público “não corresponde à verdade” e que a Associação Mutualista tem actualmente, recursos para fazer face às responsabilidades perante os seus associados.

Questionado pelos jornalistas sobre se a situação patrimonial negativa se mantinha no final de 2016, o responsável disse que as contas consolidadas do ano passado não estavam fechadas, mas admitiu que a AMMG mantinha capitais próprios negativos no fim de Dezembro passado, ainda que ressalvando que a instituição não está em causa por isso.

Montepio pode ter que mudar de nome

Entretanto, a Caixa Económica Montepio Geral pode ter que mudar de nome, conforme assume o seu presidente, José Félix Morgado, em entrevista ao Jornal de Negócios.

Este responsável nota que essa mudança de marca é uma imposição do BdP para que haja uma separação clara entre o banco e a Associação Mutualista que o detém.

Na ordem do dia, continuam as críticas à actuação do BdP, no caso do Montepio, e também à falta de supervisão do Ministério da Segurança Social relativamente à AMMG.

Ministro fala em “rácios confortáveis”

O ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, garantiu no Parlamento, aos jornalistas, que está a acompanhar “a essência do trabalho” da Mutualista e que “os rácios de cobertura para produtos que são avaliados, como em qualquer outra mutualidade, têm-se mantido em níveis confortáveis“, conforme declarações transmitidas pela SIC Notícias.

Vieira da Silva reconhece porém, que “é possível” que seja necessário “fazer algumas correcções”, mas “não radicais”, no capítulo da supervisão das Mutualistas.

Neste âmbito, o ministro reforça que está a ser preparada, há dois anos, uma revisão do Código das Mutualistas que preconiza a passagem da supervisão para o regulador dos seguros.

ZAP // Lusa

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