O alpinista sem pernas que chegou ao cume do Everest foi premiado com o “Momento do Ano”

Um alpinista chinês de 69 anos, que tem ambas as pernas amputadas, conseguiu chegar ao topo do Evereste em maio de 2018. A perseverança de Xia Boyu valeu-lhe nesta semana um prémio. 

Em 1975, Xia Boyu foi um dos alpinistas apanhados numa enorme tempestade quando tentava subir o monte Evereste na sua primeira tentativa. A falta de oxigénio e o facto de estar exposto a temperaturas polares originaram uma hipotermia grave.

Aos 25 anos foi obrigado a amputar os dois pés. Uma das causas para a hipotermia foi o facto de ter cedido o saco-cama a um companheiro, num gesto que lhe saiu caro. Em 1996, foi-lhe detetado um linfoma que obrigou a amputar as duas pernas. O sonho de voltar a subir o Evereste, que já era uma miragem, parecia tornar-se impossível.

Mas isso não o parou. Em 2014, Xia aventurou-se mais uma vez no Evereste. Mas uma avalanche que na altura vitimou 16 sherpas levou as autoridades nepalesas a encurtar a temporada de alpinismo e não chegou sequer a iniciar a subida. No ano a seguir, quando estava preparado para iniciar a aventura, um terramoto atingiu o Nepal e na montanha morreram 22 pessoas que estavam num acampamento. Tinha subido 300 metros e foi obrigado a parar.

No ano de 2016, à sua quarta tentativa, esteve a cerca de 200 metros de completar o sonho de uma vida. Mas foi obrigado a voltar para trás devido ao mau tempo. Mas Xia manteve-se firme . “O meu sonho é escalar o Evereste. Tenho de fazer isso. Representa também um desafio pessoal, um desafio do destino”, reclamou na altura.

Também este ano, Xia Boyu quase foi impedido, não pelos problemas físicos, mas por uma proibição imposta pelo Governo do Nepal. Num conjunto de normas, o Governo proibiu a subida ao Evereste de pessoas amputadas, cegas ou em viagem sozinhas.

Mas às 8h26 da manhã de 15 de maio de 2018 no Nepal (3h41 da madrugada em Lisboa), o chinês realizou finalmente o seu sonho. Xia Boyu junta-se ao neozelandês Mark Inglis e ao equatoriano Santiago Quintero, os únicos duplos amputados que tinham conseguido, até agora, chegar ao topo do mundo.

Xia Boyu chegou a ser alvo de críticas por parte de algumas entidades nepalesas. “Temos de proteger a vidas das pessoas. Há os tipos que querem subir a montanha sem uma perna só para ficarem detentores do recorde. Há outros que o fazem sem braços, outros são cegos. Houve até quem quisesse subir de cadeira de rodas. Só o querem fazer para ficarem na posse de um recorde. E é por isso que o governo quer travar“, disse o vice-presidente da Associação de Montanhismo do Nepal.

De acordo com dados do ano passado, de um total de 17.675 pessoas que tentaram escalar a montanha, 288 morreram. Do total de 29 alpinistas que se aventuraram, dois perderam a vida.

Mas a perseverança de Xia Boyu valeu-lhe um prémio. Todos os anos, os troféus Laureus premeiam uma história de superação, o Momento do Ano, que na edição passada tinha sido ganha pela Chapecoense, clube brasileiro que conseguiu sobreviver depois da tragédia que vitimou quase toda a equipa de futebol após a queda de um avião.

A história de Xia concorria com mais dois nomeados – Joe Thompson, jogador de futebol que voltou a jogar depois de ter vencido um linfoma, e Gilberto Martínez, adepto da seleção mexicana que perdeu a família num acidente de viação antes do Mundial de futebol e que mesmo assim fez a viagem para cumprir o seu sonho e da sua família: ver um jogo entre o México e a Argentina.

“Conseguir chegar ao topo do Qomolangma foi sempre um sonho. Lutei por isso nas últimas quatro décadas. Apesar de muitos contratempos, nunca desisti. A perseverança tornou a minha vida mais colorida e com sentido”, referiu depois de ter recebido na segunda-feira o troféu Laureus, altura em que anunciou o seu próximo desafio: fazer o “7+2” – escalar as montanhas mais altas dos sete continentes e ainda do Polo Norte e Sul.

ZAP //

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