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Alojamento local cai a pique. Porto e Lisboa têm pouco mais de 5 mil imóveis ativos

O número de imóveis dedicados ao alojamento local no Porto e em Lisboa têm caído a pique. Há pouco mais de 5 mil imóveis ativos nas duas cidades.

Há um tremendo abismo entre o número de imóveis que consta no Registo Nacional de Alojamento Local (AL) e os que estão, de facto, em atividade e com movimento.

Em julho de 2021, o Registo Nacional de Alojamento Local (RNAL) indicava que havia 18.953 imóveis em Lisboa e 8.615 imóveis no Porto, escreve o jornal Público.

No entanto, se se olhar para os que estão inseridos em plataformas como o Airbnb e o Booking, em vez das 27.568 unidades de alojamento local, estão listadas apenas 16.256: 10.148 em Lisboa e 6.108 no Porto.

Agora, caso olhemos para os imóveis que estão a aceitar reservas e a registar taxas de ocupação, a realidade é bem diferente. Em julho deste ano, apenas 5.083 imóveis estavam de facto ativos: 2.789 na capital e 2.294 na Invicta.

No total, são menos 7.870 imóveis de alojamento local ativos dos que os 12.953 de dezembro de 2019, nas duas cidades, nas mesmas condições. A análise foi efetuada pela pela Confidencial Imobiliário (CI).

“O mercado de alojamento local nunca teve a dimensão económica que se lhe atribui, mesmo antes da pandemia de covid-19″, repara o diretor da CI, Ricardo Guimarães, realçando que o Registo Nacional de Alojamento Local “não está atualizado”.

O especialista diz que os decisores e o mercado deviam preocupar-se em perceber o que levou ao desaparecimento de 7.870 imóveis nas duas cidades em ano e meio.

“Importa perceber se esta descida de seis mil imóveis [só em Lisboa] não faz falta à cidade e ao setor do turismo. Tendo em conta o potencial, e o número de registos no Turismo de Portugal, o alojamento local tem apenas 44% dos imóveis em atividade“, acrescenta.

Eduardo Miranda, presidente da Associação de Alojamento Local em Portugal (ALEP), confirma que o RNAL está desatualizado. Lembrou ainda que quando a lei que permite às câmaras municipais restringir a atividade, em julho de 2018, houve de imediato uma “corrida aos registos” na cidade de Lisboa.

“Isso é o que acontece quando avisam que se vai suspender, congelar uma atividade: uma corrida ao registo enquanto ainda é possível”, explicou Eduardo Miranda ao Público.

“Não é sério falar que até ao mês de julho abriram 457 novos AL no Porto em 2021. Também é preciso dizer que fecharam 832. Ou seja, o Porto perdeu 375 alojamentos locais só no ano de 2021″, acrescenta o presidente da ALEP.

  Daniel Costa, ZAP //

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