Aliança defende aeroporto em Alverca (e não no Montijo)

António Cotrim / Lusa

O presidente do Aliança, Pedro Santana Lopes, defendeu esta terça-feira que o aeroporto complementar ao de Lisboa deve ficar situado em Alverca, apontando para “ganhos ambientais e socioeconómicos” para sustentar a posição.

“Não há nenhuma razão que torne o Montijo preferível do que esta solução óbvia que é Alverca. Alverca é a solução mais lógica e racional”, afirmou o líder da Aliança.

Pedro Santana Lopes, que falava esta tarde aos jornalistas no Heliporto de Oeiras, sublinhou que a base de Alverca, no concelho de Vila Franca de Xira, “sempre foi reconhecida como uma excelente localização para um aeroporto pela sua proximidade a Lisboa”.

“Está na margem com mais de 90% das origens e destinos, tem uma boa acessibilidade ferroviária e o custo para a dotar dessas condições não é superior aquilo que se prevê para o Montijo”, ressalvou.

O antigo primeiro-ministro admitiu que a hipótese Alverca já foi falada no passado e afastada, mas explicou que, agora, se introduz uma “solução inovadora” relativamente à nova pista a ser construída. “Construir uma nova pista cuja orientação enforme um par de pistas paralelas independentes é uma solução, nunca avaliada, que apresenta uma relação custo-benefício competitiva”, explicou, comparando a solução com aquela que existe no aeroporto britânico de Gatwick.

Relativamente aos benefícios ambientais, o líder da Aliança referiu que a implementação da nova pista em Alverca preserva a hidrodinâmica fluvial e reduz as emissões poluentes sobre a população.

“O desvio da maioria do tráfego aéreo para pistas de Alverca leva a que na vida da concessão se verifique à volta de menos sete milhões de voos sobre a população a baixa altitude, com os correspondentes benefícios a nível do ruído e redução da probabilidade de acidente aéreo”, sublinhou.

O líder da Aliança ressalvou que a intenção do partido não é fazer uma proposta, mas sim “um apelo ao Governo” para que reveja a opção Montijo. “Iremos agora procurar diligenciar junto do Governo, da Assembleia da República e do senhor Presidente da República este assunto para que se possa encontrar uma boa solução”, concluiu.

A ANA e o Estado assinaram a 8 de janeiro o acordo para a expansão da capacidade aeroportuária de Lisboa, que prevê um investimento de 1,15 mil milhões de euros até 2028 e inclui a extensão da atual estrutura Humberto Delgado, em Lisboa, e a transformação da base aérea do Montijo.

No dia 4 de janeiro, o então ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, assegurou que serão cumpridas integralmente as eventuais medidas de mitigação que venham a ser definidas pelo estudo de impacto ambiental para o aeroporto complementar do Montijo.

O primeiro-ministro, António Costa, também já disse que apenas se aguarda o EIA para ser “irreversível” a solução aeroportuária Portela + Montijo, considerando haver consenso nacional sobre o projeto.

A 11 de janeiro, António Costa admitiu que “não há plano B” para a construção de um novo aeroporto complementar de Lisboa caso o estudo de impacto ambiental chumbe a localização no Montijo e voltou a garantir que “não haverá aeroporto no Montijo” se o estudo de impacte ambiental não o permitir.

A 8 de março, a associação ambientalista Zero anunciou que tinha interposto uma ação judicial contra a APA, para que seja efetuada uma Avaliação Ambiental Estratégica ao novo aeroporto do Montijo.

// Lusa

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5 COMENTÁRIOS

  1. Se foi o Santana a fazer o “estudo”, tem tudo para estar completamente errado!!
    Também é engraçado só se lembrar agora…

  2. A base de Alverca também fica perto da reserva natural do estuário do Tejo tal como montijo levantando as mesmas questões ambientais… E Alverca não tem a mesma capacidade de crescimento que o Montijo

  3. Nem Montijo nem Alverca.
    Ambos os locais são maus por diferentes razões.
    Montijo não passa numas conclusões ambientais isentas, com uma das pistas a invadir o sapal protegido, perigo de colisão com aves e com corredores aéreos inter secantes com a Portela. Aeroporto sem possibilidade de crescer, enclausurado numa península.
    Alverca apresenta uma orografia desaconselhada, e uma densidade populacional obrigando a muitas alterações e indemnizações (se calhar muitos interessados). Acesso mau, congestionando ainda mais a A1.
    O aeroporto ficaria bem situado numa zona plana, desabitada, a meia distancia entre Samora Correia e Alcochete, ou perto de Rio Frio. Vejam no Google Maps.

  4. “redução da probabilidade de acidente aéreo” ????
    Este Santana é um iluminado… é só rir!

    Explica lá o Santana porque motivo é que Alverca reduz a probabilidade de acidente aéreo?
    É com cada energumeno!

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