“O que aí vem ainda será pior”, avisa Costa e Silva

José Sena Goulão / Lusa

O economista António Costa e Silva

O diretor diretor executivo da petrolífera Partex, António Costa Silva, convidado pelo Governo para estudar um plano de retoma económica para o período pós-pandemia, acredita que “o que vem aí será pior”.

Em declarações ao jornal Expresso, o economista, que já entregou ao Governo o seu plano para a retoma económica do país, revela que se tem debruçado sobre este assunto no país, frisando a necessidade de ser criar um plano “agregador”.

A minha vida tem sido isto de manhã à noite. Muita gente tem pedido para falar comigo, tenho falado com todos: economistas, empresários, parceiros sociais, associações empresariais”. Após as conversas, concluiu: “Portugal precisa de um plano bastante agregador, que seja o mais abrangente possível. O que vem aí ainda será pior”.

No documento em que apresenta o seu plano para o país, sob o título “Visão estratégica para o plano de recuperação económica e social de Portugal 2020-2030″, o economista alertava já que a contração económica poderia ultrapassar as estimativas do Governo.

“O país pode vir a enfrentar uma das piores crises da sua história: a queda do PIB em 2020 pode chegar aos 12%; a queda do consumo aos 11%; a queda do investimento aos 26% e a taxa de desemprego aos 11,5%”, escreveu.

Trata-se de uma previsão do PIB até duas vezes mais pessimista do que a do Governo. O Executivo liderado por António Costa aponta uma contração da economia portuguesa na ordem dos 7%, estimando uma queda de 4,3% para o consumo, de 12,2% para o investimento e uma taxa de desemprego de 9,6%.

No mesmo documento, deixa outros alertas ao Governo.

“A partir de setembro de 2020, a situação de muitas empresas pode deteriorar-se significativamente e é fundamental existir no terreno um programa agressivo para evitar o colapso de empresas rentáveis, que são essenciais para o futuro da economia portuguesa”.

“O espaço temporal que vai mediar entre a significativa deterioração da economia no segundo semestre de 2020 e a chegada da ajuda europeia em 2021, pode ser fatal para muitas empresas se não existirem respostas adequadas”, alerta ainda.

Propostas vão a debate público

O primeiro-ministro afirmou esta sexta-feira que o documento divulgado do consultor do Governo António Costa e Silva é a versão preliminar do plano de recuperação que será apresentado no final do mês, seguindo depois para discussão pública.

António Costa falava aos jornalistas no final de uma reunião de hora e meia com o presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares, sobre a forma como está a ser combatida a convid-19 neste município da Área Metropolitana de Lisboa.

Questionado se o Governo subscreve o conjunto de propostas apresentadas pelo gestor António Costa e Silva, o primeiro-ministro advertiu que “foi feita uma apresentação preliminar do trabalho”. “Os diferentes ministros têm estado a apreciar esse trabalho, nos próximos dias vão enviar comentários a esse trabalho e o objetivo que temos é que no final do mês deste mês possa ser apresentado pelo professor António Costa e Silva para discussão pública antes de o Governo o poder apreciar definitivamente“, disse.

Nessa fase, segundo o líder do executivo, O Governo vai então “incorporar” as medidas no desenho do programa de recuperação económica e também na proposta de Orçamento do Estado para 2021. “Gostaria de sublinhar que aquilo que foi apresentado é uma primeira versão de trabalho, tendo em vista haver uma primeira contribuição, assim como tem estado a ser apresentado a outros agentes económicos, políticos e sociais. A apresentação para debate público será no final deste mês”, reforçou.

Em relação ao documento preliminar de António Costa e Silva, o primeiro-ministro observou que “é mais noticioso transmitir a ideia de uma linha de comboio para aqui e de aeroporto acolá do que a complexidade que lhe é inerente“.

“A linha fundamental daquele programa é um esforço muito grande de se apostar nos recursos naturais e na sua valorização, num grande esforço de reindustrialização e de reconversão industrial do país, tendo em vista recuperar a nossa autonomia produtiva num contexto de economia global. Eu diria que as infraestruturas são sobretudo auxiliares desta estratégia”, sustentou. António Costa, neste contexto, apontou que “as infraestruturas são essenciais para se chegar a outros sítios”, caso dos portos ou da ferrovia, “que é fundamental para a transformação energética que terá de se operar”.

“Quando no final do mês for possível uma leitura global, ficaremos com uma visão mais clara do que é o plano. Aí ficará para discussão pública e o Governo, em função daquilo que for o enriquecimento desse debate, cá estará para desenhar os instrumentos de política que são urgentes desenhar para a recuperação económica do país e que terá traduções múltiplas, desde logo no Orçamento do Estado para 2021″, acrescentou.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Espero que não aconteça a este estudo o mesmo que de há muitos anos tem acontecido a todos os estudos encomendados pelos vários governos e vá parar à gaveta, há que aproveitar tudo o que ele tem de bom e melhorar o que possa ser melhorado, os Políticos e em especial os que tem sido responsáveis governativos, não comecem a esgrimir argumentos para que nada seja feito, ou acabamos por continuar em guerrinhas que nada resolvem para bem de todos nós.

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