Testemunhas revelam que agentes de inteligência dos EUA consideraram sequestrar (e envenenar) Assange

Peter Rae / EPA

Testemunhas anónimas revelaram em tribunal que planos para envenenar ou sequestrar Julian Assange da embaixada do Equador foram discutidos entre fontes da inteligência dos Estados Unidos e uma empresa de segurança privada que espiou o co-fundador do WikiLeaks.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, detalhes da suposta operação de espionagem contra Julian Assange e qualquer pessoa que o visitava na embaixada foram apresentados na quarta-feira no seu caso de extradição por um ex-funcionário de uma empresa de segurança espanhola, UC Global.

Ambas as testemunhas trabalhavam para a UC Global, uma empreiteira privada com sede em Espanha que prestava serviços de segurança à embaixada do Equador em Londres, onde o jornalista esteve asilado durante sete anos. A empresa, que tem um contrato com o Equador desde 2015, foi repetidamente acusada de ser a principal ferramenta numa campanha de vigilância orquestrada por Washington em Assange.

As testemunhas afirmaram que o chefe da UC Global, David Morales, ordenou pessoalmente ao pessoal de segurança que montasse um equipamento de escuta para espiar Assange após um pedido de “amigos” americanos.

Segundo o mesmo jornal, foram escondidos microfones para monitorizar as reuniões de Assange com os advogados, a sua impressão digital foi obtida de um vidro e houve até um plano para obter uma fralda de um bebé que tinha sido trazido em visitas regulares à embaixada, segundo a testemunha.

“Numa ocasião, por volta de dezembro de 2017, Morales disse que os americanos estavam desesperados e propôs medidas mais radicais para acabar com a situação, sugerindo que a porta da embaixada ficasse aberta para permitir que outros o sequestrassem de fora, e até a possibilidade de envenená-lo [foi discutida]”, disse uma das testemunhas. “Todas essas opções estavam a ser consideradas pelos contactos dos Estados Unidos.”

Em 2016, Morales viajou para Las Vegas, onde fez uma apresentação na UC Global e fechou um “contrato notável” com um sócio rico de Trump, alegou uma das testemunhas. Mais tarde, anunciou ao escritório: “Vamos jogar na grande liga”.

O chefe da UC Global teria recebido 234 mil dólares por mês por espiar Assange dos seus contatos nos Estados Unidos, acrescentaram as testemunhas.

 

O anonimato das testemunhas foi concedido na terça-feira após terem informado a audiência que temiam que Morales, ou outras pessoas ligadas a ele nos Estados Unidos, pudesse tentar prejudicá-los.

Assange, de 47 anos, está atualmente detido e enfrenta um processo de extradição para os EUA após ter sido condenado em maio a 50 semanas de prisão por um juiz britânico por ter desrespeitado em 2012 as condições da sua liberdade condicional, ao optar por se refugiar na embaixada do Equador.

O ativista foi preso em abril de 2019, depois de ter estado sete anos asilado na embaixada do Equador em Londres, onde se refugiou após ter violado as condições de fiança, enfrentando agora a possibilidade de extradição para os Estados Unidos.

O jornalista tinha-se refugiado nesta embaixada para evitar a sua extradição em direção à Suécia, que dois anos antes pediu que fosse entregue com o objetivo de esclarecer alegados delitos sexuais, em particular um caso de violação, que Assange sempre negou.

O informático receava que caso fosse entregue à justiça sueca, acabaria por ser extraditado para os Estados Unidos, onde considera que enfrentará um julgamento injusto pela difusão em 2010 de informações diplomáticas confidenciais.

ZAP //

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