Agência literária de Saramago durante 28 anos afastada por herdeiras

Fundação José Saramago / Flickr

O prémio Nobel da Literatura, José Saramago

O prémio Nobel da Literatura, José Saramago

A diretora da Agência Literária Mertin, durante 28 anos representante dos direitos internacionais da obra de José Saramago, lamentou hoje a decisão das herdeiras de prescindirem dos seus serviços, com os quais o escritor sempre se mostrou satisfeito.

“Foi com grande surpresa que no dia 30 de dezembro de 2014 recebemos um breve ‘e-mail’ das herdeiras dos direitos de autor da obra de José Saramago comunicando que entregariam com efeito imediato a representação desses direitos à Agência Wylie”, escreveu Nicole Witt, em comunicado enviado à Lusa.

Com sede em Frankfurt, onde anualmente se realiza a maior feira mundial do setor editorial, a agência literária Mertin “representou durante quase três décadas os direitos de autor internacionais da obra de José Saramago” – datando o primeiro contrato para publicação na Alemanha de 1986, frisou.

“Muito antes da sua consagração com o prémio Nobel da Literatura, em 1998, já a agência tinha conseguido uma lista significativa de traduções da obra de Saramago, primeiro, sob a direção de Ray-Güde Mertin, que durante muitos anos também foi a tradutora para alemão da obra do autor, e depois do falecimento dela, em janeiro de 2007, sob a minha direção”, sublinhou a responsável, filha de Ray-Güde Mertin.

Com a equipa da agência, descreveu Nicole Witt, “sempre nos entregámos com dedicação, atenção pessoal, convicção, profissionalismo, ética e integridade moral à nossa tarefa de divulgação da obra de José Saramago pelo mundo fora”.

“Não tenho dúvidas de que esta postura foi especialmente apreciada pelo autor”, comentou.

“Quando me despedi de José Saramago, em junho de 2010, em Lanzarote, pouco antes do seu falecimento, senti que ele confiava no nosso trabalho e que estava satisfeito com os resultados obtidos: uma divulgação da sua obra em mais de 60 países, em editoras excelentes, fazendo parte da melhor literatura mundial”, observou.

Na nota enviada à Lusa, escrita em português, a agente elogiou ainda a lealdade manifestada pelo escritor em diversas ocasiões, como após a morte da mãe, Ray-Güde Mertin.

“Nessa altura, foi o próprio José Saramago que decidiu dar-me a sua confiança como nova diretora e proprietária da agência” e “quando um grupo editorial europeu mostrou interesse em comprar a agência, foi mais uma vez o próprio José quem nos apoiou, apostando claramente para que mantivéssemos a nossa independência”, relatou.

Por todas estas razões, Nicole Witt não entende a decisão das herdeiras do Nobel da Literatura, uma vez que a agência que dirige trabalhou “com algumas das melhores editoras para a obra de Saramago, como a Harvill Secker, na Grã-Bretanha, a Harcourt, nos Estados Unidos, a Alfaguara, para a língua espanhola, a Feltrinelli, em Itália, a Le Seuil, em França, e a Hoffmann & Campe, na Alemanha”, entre outras, e que é uma agência “respeitada no mundo editorial a nível internacional”.

“A última prova disso foi a minha distinção como uma das três melhores agentes do ano 2014 por parte da Associação de Editores Britânicos e da Feira do Livro de Londres”, referiu.

Fundada em 1982, a Agência Literária Mertin, especializada em literatura de língua portuguesa e espanhola, conta entre os seus autores nomes como Lídia Jorge, Mia Couto, Gonçalo M. Tavares, Dulce Maria Cardoso, José Eduardo Agualusa, Pepetela, Ondjaki, José Luís Peixoto, Luis Sepúlveda, Adriana Lisboa, Moacyr Scliar, Luis Fernando Veríssimo, Andréa del Fuego, Patrícia Melo e Paulo Lins.

Há um ano, as herdeiras do escritor – a filha Violante Saramago de Matos e a viúva, Pilar del Río – tinham já decidido trocar a Caminho, editora de sempre de José Saramago para a língua portuguesa, pela Porto Editora.

ZAP / Lusa

 

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