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Administração Trump podia ter evitado 40% das mortes por covid-19 nos Estados Unidos

Michael Reynolds / EPA

O ex-Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Um novo relatório, publicado na The Lancet, uma das revistas científicas mais prestigiadas do mundo, tentou quantificar o custo humano da gestão da pandemia de covid-19 pela Administração Trump.

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“O tempo do Presidente Trump no cargo trouxe infortúnio para os Estados Unidos e para o planeta”, lê-se na introdução do artigo científico, que refere que, entre as mais de 450 mil mortes por covid-19 no país, cerca de 40% poderiam ter sido evitadas.

O relatório, publicado no dia 10 de fevereiro na The Lancet, critica a minimização da doença por parte do então Presidente dos Estados Unidos, o aumento de tratamentos não comprovados como a hidroxicloroquina e a redução da ênfase da Administração Trump na saúde pública, que inclui a eliminação de uma unidade pandémica do Conselho de Segurança Nacional em 2018, menos de dois anos antes da pandemia atingir o país.

A Vice escreve que a falha em responder com eficácia à pandemia afetou desproporcionalmente as pessoas de cor, aumentando a diferença da expectativa de vida entre negros e brancos em mais de 50%. As taxas de mortalidade por covid-19 são 3,6 vezes maiores para pessoas de cor do que para brancos não hispânicos, segundo o estudo.

A difícil implementação do plano de vacinação também consta na lista de críticas apontadas no artigo, com os especialistas a afirmarem que o planeamento teria evitado o “desperdício” e a “confusão”.

O relatório publicado na The Lancet alega ainda que o impacto de Donald Trump na saúde pública foi desastroso mesmo antes da pandemia: 22.000 mortes extras relacionadas com fatores ambientais e ocupacionais em 2019, em comparação com o último ano da presidência de Barack Obama.

No entanto, o problema vai muito além de Donald Trump. Steffie Woolhandler, uma das autoras do estudo, disse à Vice que os investigadores chegaram à conclusão “que se passaram quatro décadas de falhas constantes do Governo em relação ao apoio de políticas de saúde”.

Desta forma, sugerem uma reforma na infraestrutura de saúde pública do país para resolver o problema. Além de dar ao CDC (Centers for Disease Control and Prevention) mais ferramentas para combater o racismo sistémico, os investigadores recomendam a transição para um sistema Medicare for All, como o defendido pelo senador Bernie Sanders.

“Precisamos, no mínimo, de um programa de saúde universal”, disse David Himmelstein, outro autor do artigo científico.

  ZAP //

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