Acesso a cuidados de saúde registam queda acentuada durante pandemia

O acesso aos cuidados de saúde entre março e junho deste ano teve uma “queda acentuada” devido aos constrangimentos causados pela pandemia, conclui a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) num documento divulgado na segunda-feira.

“O difícil enquadramento gerado pela situação de pandemia teve resultado imediato no sistema de saúde, sendo visível a queda acentuada da atividade programada e não programada na rede de estabelecimentos do SNS [Serviço Nacional de Saúde], sobretudo em virtude das alterações aplicadas à organização e prestação de cuidados de saúde, de modo a prepará-lo para responder à pressão a que poderia vir a ser sujeito, em função da evolução da pandemia”, referiu a ERS em comunicado, citado pela agência Lusa.

Relativamente ao mês homólogo de 2019, em março de 2020 verificou-se uma queda de 16% no número de consultas médicas hospitalares realizadas presencialmente no SNS, tendo a variação negativa alargado até aos 35% e 31%, respetivamente, nos meses de abril e maio últimos.

A percentagem de primeiras consultas no total de consultas médicas hospitalares também caiu nestes meses, com a queda mais acentuada, de 9 pontos percentuais, a registar-se no mês de abril, por comparação ao mês homólogo em 2019. Em contrapartida, “aumentou significativamente o volume de consultas por telemedicina”, adiantou a reguladora.

Também ao nível da realização de cirurgias, os hospitais do SNS tiveram “uma redução significativa a partir de março, com o volume de cirurgias programadas em abril e maio a ficar, respetivamente, 78% e 57% abaixo do verificado nos períodos homólogos de 2019”.

Ainda que o impacto nas cirurgias urgentes tenha sido inferior, “a redução do seu volume tem também vindo a ser significativa desde o início da pandemia”, adianta a ERS, referindo que em abril, em particular, houve uma diminuição de 23% das cirurgias urgentes realizadas face ao mesmo mês em 2019.

Quanto às cirurgias no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), efetuadas por entidades convencionadas do setor privado, cooperativo e social, “ainda não eram conhecidos dados definitivos”. Contudo, de acordo com a informação preliminar, comparando a média mensal de atividade cirúrgica referente a 2019 e a média mensal referente ao período de janeiro a maio de 2020, estima-se uma redução de cerca de 40% das cirurgias realizadas.

Por sua vez, o internamento – médico e cirúrgico – de doentes agudos no SNS apresentou uma queda na ordem dos 15%, 38% e 32%, respetivamente, em março, abril e maio, face aos meses homólogos de 2019.

Já o número de episódios de urgência hospitalar foi 37%, 52% e 45% inferior, respetivamente nos meses de março a maio, por comparação com iguais meses de 2019. Também nos cuidados primários se verificou “uma descida muito significativa da atividade assistencial”, desde o início da pandemia.

O número de consultas médicas presenciais, que tiveram já reduções nos primeiros meses do ano, diminuiu 33%, 73% e 66% nos meses de março, abril e maio, respetivamente.

Em contrapartida, tal como nos hospitais, também nos cuidados primários houve um grande aumento face a 2019, em todo o período em análise, do número de consultas – médicas e de enfermagem – não presenciais, que chegou a mais do que duplicar em abril.

Sobre os estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde, a ERS disse que “o período decorrido desde o início da pandemia ainda é demasiado curto para que se possam retirar conclusões efetivas”.

“Não obstante, foi possível observar uma redução da rede de estabelecimentos de natureza privada, cooperativa e social em funcionamento durante o estado de emergência, em diversas tipologias de cuidados de saúde”.

O estado de emergência nacional vigorou entre 18 de março e 02 de maio.

Lusa Lusa //

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1 COMENTÁRIO

  1. Uma coisa são os infectados outra coisa são os que morrem. Sobre os que morrem importa dizer que morre mais gente agora de outras doenças do que de Covid simplesmente porque as outras doenças deixaram de receber assistência médica por causa do Covid. Sendo contudo mais graves que o Covid.
    Uma coisa é morrer DE Covid outra coisa bem diferente é morrer COM Covid.
    Ora porque será que se deixou de dar atenção a outras doenças bem mais graves do que o Covid? Há muita coisa por explicar.

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