A medicina moderna está a sobrediagnostigar certas doenças? Muitos especialistas dizem que sim. Mas o que é um sobrediagnóstico?
É identificar doenças que podem nunca vir a causar sintomas ou a ter qualquer impacto na vida do paciente — pelo menos, segundo a neurologista Suzanne O’Sullivan, que discute o ‘boom’ do sobrediagnóstico no seu livro The Age of Diagnosis (A Era do Diagnóstico).
Segundo a especialista, o fenómeno pode estar a trazer mais danos do que benefícios e parece ter-se tornado muito comum em doenças como a PHDA (défice de atenção) e autismo, esta última cujos diagnósticos dispararam 110% em todo o mundo desde 2019.
Nem sempre comportamentos ou sintomas implicam perturbações médicas, avisa a neurofisiologista. A culpa? Pressões sociais, diz a autora ao The Times.
Os doentes procuram cada vez mais respostas e validação para estes comportamentos; ao mesmo tempo, os profissionais de saúde se sentem muitas vezes obrigados a fornecer um diagnóstico mais concreto.
Mas enquanto alguns especialistas partilham desta opinião, estas preocupações, muitos outros acreditam que o aumento das taxas de diagnóstico reflete, na verdade, um reconhecimento tardio de sintomas válidos. O aumento da consciencialização e a redução do estigma ajudaram grupos subdiagnosticados a terem o apoio de que necessitam. E os efeitos não são necessariamente maus: muitos indivíduos com autismo, por exemplo, relatam uma melhor compreensão e aceitação de si próprios após o diagnóstico.
No entanto, alguns psiquiatras alertam para o facto de a atenção acrescida dos meios de comunicação social e as revelações de celebridades poderem estar a influenciar as tendências de diagnóstico, numa altura em que a PHDA e o autismo são cada vez mais visíveis.
Em causa pode também estar a fiabilidade das práticas de diagnóstico destas doenças.