Depois de a Câmara Municipal de Setúbal ter desmentido a acusação, Ana Catarina Martins volta a reafirmar que a autarquia recusou a reunião sobre o protocolo para acolher refugiados.
A ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, voltou a garantir que a autarquia de Setúbal nunca esteve disponível para celebrar um protocolo para o acolhimento de refugiados com o Alto Comissariado para as Migrações.
“A ministra reafirma que nunca a Câmara Municipal de Setúbal celebrou ou mostrou disponibilidade para celebrar qualquer protocolo com o ACM no âmbito do acolhimento de pessoas deslocadas da Ucrânia, vítimas desta guerra”, assegurou o gabinete da governante, ao Observador.
Na terça-feira, em resposta à deputada do PCP Alma Rivera, Ana Catarina Mendes, que tem sob sua tutela a pasta das migrações, disse que, mesmo no caso de autarquias sem acordos com o ACM, tem havido “estreita cooperação” com o organismo. “Não é o caso de Setúbal”, garantiu.
Na última semana, acrescentou, houve uma “tentativa de reunião” com a autarquia para tentar chegar a um “protocolo para acolhimento de deslocados da Ucrânia”. “O centro local de apoio à integração de migrantes tentou que houvesse, através de uma sessão de esclarecimento, mas a Câmara não quis estar nem celebrar o protocolo.”
A Câmara de Setúbal veio desmentir as acusações, mostrando-se “indignada” e “perplexa”. A autarquia chegou mesmo a acusar a ministra de mentir.
Numa nota publicada no Facebook, o município garantiu que as declarações “não correspondem à verdade” e desmentiu ter recusado a realização da reunião, o convite para estar numa sessão de esclarecimento sobre o assunto e ainda a alegação sobre “não manter uma relação estreita com o Alto Comissariado”.
Afirmando ter na sua posse “documentos” que comprovam as suas alegações, a Câmara pediu à Alta Comissária, Sónia Pereira, para “confirmar a veracidade destas afirmações”.
No entanto, a ministra já veio reafirmar o que disse no Parlamento. A nuance, segundo o diário, poderá ter a ver com o facto de a autarquia ter recusado celebrar o protocolo e não a “reunião”, informação que o município desmentiu.