Pelo menos 300 casas destruídas e principal laboratório covid-19 danificado na Guiné Equatorial

Pelo menos 300 casas foram destruídas e o principal laboratório de testes à covid-19 fortemente danificado, após as explosões de domingo na cidade equato-guineense de Bata, segundo um relatório das Nações Unidas hoje divulgado.

De acordo com documento do gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), as imagens de satélite mostram que as explosões causaram “danos consideráveis” num raio de 800 metros.

“As primeiras avaliações confirmam que só no recinto militar 300 casas ficaram destruídas”, adianta o relatório, que reporta a terça-feira.

Segundo a mesma avaliação, o principal laboratório para realizar testes PCR para diagnóstico de covid-19 em Bata “sofreu danos significativos”.

A agência das Nações Unidas assinala que, embora a extensão dos danos e o número de famílias afetados seja ainda desconhecida, é “urgentemente necessário” o destacamento de especialistas em resposta a emergências, apoio financeiro, apoio médico, de água e saneamento, incluindo hospitais de campanha, equipas médicas e medicamentos.

O abrigo temporário, a ajuda alimentar e o apoio psicológico às vítimas “também são críticos”, sublinha-se no relatório.

O OCHA alerta ainda para o “grande número” de projeteis por detonar dispersos pela cidade, que representam um risco para as populações.

“Aumentam as preocupações sobre os riscos de engenhos por explodir ainda presentes nos quartéis militares em Nkuantoma”, refere-se no relatório, assinalando-se que imagens de cidadãos a posar com munições “tornaram-se virais nas redes sociais”.

As agências das Nações Unidas na Guiné Equatorial têm equipas no terreno e estão também a coordenar a ajuda internacional que já começou a chegar ao país.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) mobilizou uma equipa de emergência do escritório regional para África, está a preparar o envio de kits de trauma e atribuiu cerca de 200.000 dólares para a resposta de emergência.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a OMS também destacaram equipas da capital Malabo, na ilha de Bioko, para Bata, na parte continental do país, para apoiar a gestão de casos, controlo epidemiológico, prevenção e controlo de infeções, apoio logístico e vacinação.

O OCHA assinalou que os voos regulares entre Malabo e Bata foram perturbados devido à pandemia de covid-19, o que está a afetar a eficácia da resposta.

Por outro lado, a Unicef está em discussão com as autoridades de Malabo sobre a necessidade de identificar os menores não acompanhados, que perderam os pais ou tutores.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) recebeu cerca de 100.000 dólares através do seu programa de emergência para responder à explosão de Bata.

Numa outra frente, as Nações Unidas estão a coordenar o apoio de atores internacionais, nomeadamente de Espanha, cujo primeiro lote de ajuda humanitária deverá chegar hoje ao país, e dos Estados Unidos, bem como de empresas privadas como a Marathon Oil e a Noble Energy.

Nos próximos dias deverá também chegar à Guiné Equatorial uma equipa de peritos da United Nations Disaster Assessment and Coordination (UNDAC). “O principal desafio é assegurar que as medidas logísticas estejam em vigor, especialmente no contexto da pandemia covid-19″, apontou o OCHA.

As autoridades de Malabo mobilizaram pessoal de saúde, voluntários e ambulâncias das cidades vizinhas para atender os 615 feridos das explosões.

Organizações não-governamentais como a Save our Souls (SOS) e a Ekuku estão a fornecer abrigos de emergência para as muitas pessoas que ficaram desalojadas.

A cidade portuária de Bata foi abalada no domingo por uma série de explosões num quartel militar, que provocaram a morte a pelo menos 105 pessoas.

Antiga colónia espanhola, governada há 42 anos por Teodoro Obiang, a Guiné Equatorial, um país rico em recursos, mas com largas franjas da população abaixo do limiar da pobreza, integra a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) desde 2014.

O país formalizou pedidos de apoio a Portugal e à CPLP, mas até ao momento não foi divulgada qualquer resposta oficial a este pedido.

Lusa // Lusa

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