20 milhões de pessoas podem morrer de fome nos próximos 6 meses

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A ONU alerta que “se nada for feito, cerca de 20 milhões de pessoas podem morrer de fome nos próximos seis meses”. Um “número assustador” que evidencia a crise humanitária que se vive em África, nomeadamente por causa da seca e da guerra.

Num apelo à acção das nações mundiais, o director geral da ONU para a Agricultura e a Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, alerta que “se nada for feito, cerca de 20 milhões de pessoas podem morrer de fome nos próximos seis meses”.

Um aviso lançado na abertura do Conselho da FAO para a necessidade de agir para salvar as vidas de milhões de pessoas que estão à beira de morrer de fome em países como o Sudão do Sul, a Somália, a Nigéria e o Iémen.

“A fome não mata apenas pessoas, contribui para a instabilidade social e também perpetua o ciclo de pobreza e a dependência de ajuda que subsiste durante décadas”, salienta ainda Graziano da Silva.

O elemento da FAO nota que em algumas comunidades rurais, de certos países africanos, vivem-se situações “desesperadas”, nomeadamente devido às secas provocadas pelas alterações climáticas.

Além dos casos de seca extrema, há também zonas com conflitos armados que subsistem há vários anos, nomeadamente no Sudão do Sul, na Somália e na Nigéria, levando milhares de refugiados a deslocarem-se para países próximos. Estas pessoas ficam assim, dependentes de ajuda alimentar.

A falta de resposta da comunidade internacional tem mantido estes conflitos activos e o fluxo de refugiados em constante crescimento.

O responsável pela Organização Não Governamental (ONG) Handicap International, Xavier Duvauchelle, destaca que em 2011, a crise de comida provocou a morte de 271 mil pessoas em África. Mas ele alerta que estamos agora a enfrentar “um desastre muito maior”.

“Sem uma intervenção drástica, vamos testemunhar um nível de sofrimento humano como nunca vimos nos últimos 70 anos”, aponta Duvauchelle, realçando que “20 milhões de pessoas no Sudão do Sul, na Somália, no Iémen e na Nigéria enfrentam níveis críticos de insegurança de comida”.

“Todos os dias, durante meses, cada uma destas 20 milhões de pessoas tem tentado encontrar comida suficiente para se sustentar e aos seus entes queridos. Tragicamente, em algumas áreas, as pessoas já estão a morrer de fome e de doenças relacionadas“, aponta o responsável da ONG.

Trata-se de “um número assustador”, constituindo “um terço da população de França”, conforme sublinha Duvauchelle.

O dirigente da Handicap International cita o exemplo dos refugiados do Sudão do Sul que têm chegado ao Uganda e à Etiópia, nos últimos meses, realçando que há particular “preocupação” com “o número de crianças com menos de 5 anos que estão a chegar num estado de má nutrição severa e aguda“.

Duvauchelle frisa que estas crianças enfrentam um “risco extremamente elevado de infecção”, além de que o seu “desenvolvimento cognitivo e o crescimento” podem ser afectados. Assim, apela à importância de destinar fundos de emergência para o combate à fome e à guerra em África.

SV, ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Isso deveria ser um compromisso dos mais ricos do mundo e de quem “manda” nos países: acabar com a fome. Isto era num mundo perfeito. Infelizmente, não vivemos num assim, nem eles têm vergonha na cara.

    • Isto é um compromisso de todos nós, sem exceção. Enquanto que continuam a morrer pessoas (e o que me choca ainda mais é morrerem crianças, pois todos as deveriamos proteger – são completamente inocentes nestas guerras de poder), não temos o direito de nos apelidarmos de seres civilizados, com qualquer dignidade e sensibilidade. Tornamo-nos nos piores dos seres vivos, pois supostamente deveriamos de ser seres conscientes dos nossos atos e melhorarmos com toda a aprendizagem que vamos assimilando ao longo da nossa passagem pela Terra…

  2. Em pleno século XXI, estas situações não devia acontecer.

    Porque tudo tem de ser resolvido com guerras, que em 99% são pagas com a vidas dos cidadãos inocentes.

    O problema é que o dinheiro não tem rosto.

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