“Vitorioso”. É assim que Bolsonaro classifica o seu primeiro ano de Governo

Marcelo Camargo / ABr

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, iniciou 2020 otimista e descreveu o seu primeiro ano de Governo como “vitorioso”, apesar de ter sido marcado por retrocessos em áreas como ambiente, educação e cultura, mas com avanços na economia.

“Que o Brasil possa continuar seguindo o caminho da prosperidade e que este seja um ano tão vitorioso para o povo brasileiro quanto foi 2019. Estaremos, juntos, trabalhando noite e dia, para mudar o destino da nossa nação”, escreveu o chefe de Estado na rede social Twitter, no primeiro dia deste ano.

Jair Bolsonaro celebrou a passagem para 2020 no Palácio da Alvorada, em Brasília, na sua residência oficial, na companhia da sua família, numa decisão de última hora. Dias antes, o mandatário anunciou que estaria até 5 de janeiro no estado brasileiro da Baía, com a sua filha mais nova, mas sem a sua esposa Michelle Bolsonaro, tendo alterado esse plano inicial.

Embora o Presidente se mostre otimista, o equilíbrio da sua administração foi considerado por especialistas, em geral, negativo, devido às suas políticas conservadoras que o seu executivo promoveu contra a Educação e a Cultura para enfrentar a “velha política” centrada no “comunismo” e no pensamento de “esquerda”.

Numa análise à gestão da área cultural pública no Brasil em 2019, o investigador brasileiro Alfredo Manecy identificou, em entrevista à Lusa, retrocessos, frisando que nos últimos 20 anos o país tinha avançado em direção a um Estado democrático em que há o reconhecimento dos direitos culturais, mas este novo Governo vê o setor como um opositor.

Bolsonaro vê a cultura como uma ameaça porque [a arte se dá] num espaço de liberdade, de experimentação, um espaço de não domesticação perante qualquer Governo, não só [em relação] a este. A cultura é uma das áreas mais autónomas de qualquer sociedade e, portanto, o Governo priorizou a área na sua guerra cultural e [elegeu] artistas como adversários”, afirmou Manevy.

Em matéria ambiental, com medidas que flexibilizaram a fiscalização e o controlo sob a desculpa de incentivar o desenvolvimento em reservas indígenas e até mesmo na Amazónia, Bolsonaro conseguiu apagar a marca que o Brasil deixou nos últimos anos na defesa do meio ambiente.

A aprovação do seu Governo esteve em declínio consecutivo nos primeiros dez meses do seu mandato, que teve início em janeiro de 2019, mas teve uma leve recuperação a partir de outubro último, impulsionada pelos resultados das políticas neoliberais que aplicou em questões económicas.

Segundo uma sondagem realizada pelo instituto Datafolha, o índice de aprovação do atual executivo brasileiro, que era de 32% em abril, caiu para 29% em agosto e estabilizou em 30% em dezembro.

O Presidente promoveu uma redução acentuada nos gastos públicos, conseguiu uma dura reforma do sistema de pensões e aposentação, apesar de alterações da sua proposta original por parte do Congresso, e iniciou um plano agressivo de privatizações que atingirá o seu pico este ano.

Lusa // Lusa

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