Putin, Erdogan, Bolsonaro e Obrador em silêncio. A vitória de Biden calou alguns líderes mundiais

Daniel Irungu / EPA

O recém-eleito Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, já se está a preparar para assumir o cargo em janeiro do próximo ano. Enquanto isso, alguns líderes mundiais permanecem em silêncio sobre o resultado da eleição que pintou manchetes um pouco por todo o mundo.

Depois da vitória de Joe Biden, as mensagens de parabéns começaram a chegar vindas de todo o mundo. Foram poucos os corajosos que se atreveram a alinhar na narrativa de fraude eleitoral defendida por Donald Trump, mas uma mão não chega para enumerar aqueles que preferiram ficar em silêncio.

No caso da Rússia, os primeiros sinais indicam que Vladimir Putin se está a preparar para um relacionamento tumultuoso com o próximo Presidente norte-americano. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, explicou por que motivo o líder russo parabenizou Donald Trump logo após a sua vitória em 2016, e não parabeniza agora Joe Biden.

“A diferença é óbvia. Ainda serão realizadas operações jurídicas, anunciadas pelo atual Presidente norte-americano, por isso a situação é diferente. Consideramos justo esperar pelo anúncio oficial. Naquela altura, não havia anúncios de disputa jurídica”, justificou o responsável, citado pelo The Washington Post.

Este adiamento pode ser um prenúncio das relações frias entre Biden e Putin no futuro. Aliás, a relação já é um pouco tensa devido às alegações de que a Rússia estava por trás das campanhas de desinformação pró-Trump antes das eleições de 2016 e de 2020, uma acusação negada pelo Kremlin.

O Governo turco também se manteve em silêncio até Omer Celik, porta-voz do Partido da Justiça e Desenvolvimento de Recep Tayyip Erdogan, ter vindo a público explicar que a Turquia “está à espera dos resultados oficiais”.

Representantes da oposição saudaram a vitória de Biden, mas parece certo que a eleição do democrata é um golpe para Erdogan. Para Asli Aydintasbas, membro do Conselho Europeu de Relações Exteriores, o governo turco parece preocupado que Biden “reintroduza um discurso de promoção da democracia e dos direitos humanos nas relações bilaterais”.

Cauteloso, o Presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador parece querer enveredar pelo mesmo caminho. “Vamos esperar até que todas as questões jurídicas sejam resolvidas”, disse no sábado, numa entrevista citada pelo The Guardian.

O silêncio que não surpreendeu chegou do Brasil: Jair Bolsonaro é um dos líderes mundiais mais próximos de Donald Trump, pelo que a atitude do já batizado “Trump dos trópicos” não é propriamente inesperada.

Ainda assim, o Presidente brasileiro tem vindo a ajustar-se à nova realidade. Segundo a Associated Press, autoridades da Presidência brasileira, que não foram autorizadas a falar oficialmente, disseram que Bolsonaro tem vindo a adotar um tom mais pragmático pelo menos desde quarta-feira, seguindo a orientação dos seus assessores.

Do lado da Coreia do Norte, os ventos são mais agitados. Se Trump se encontrou três vezes com Kim Jong-un, a eleição de Biden pode ser um acontecimento indesejável para Pyongyang. A media estatal norte-coreana absteve-se de fazer menção às eleições dos EUA e arriscou-se a dizer que Biden merece “uma punição impiedosa” por insultar a dignidade do país.

Não ficou claro qual dos comentários de Biden provocou a ira da Coreia do Norte. O democrata acusou Donald Trump de se aproximar de “ditadores e tiranos” e criticou fortemente os seus encontros com o líder norte-coreano, chamando as reuniões de “três cimeiras feitas para a TV”.

Em Pequim, muitos têm receio que Biden tome uma posição dura em relação à China – muito mais do que Trump. O Presidente chinês Xi Jinping, à semelhança de outros líderes mundiais, prefere, para já, o silêncio.

“Entendemos que o resultado da eleição presidencial será determinado de acordo com as leis e procedimentos norte-americanos”, disse, na segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin.

Janez Jansa, primeiro-ministro da Eslovénia, sempre demostrou apoio a Donald Trump, afirmando que se Biden ganhasse as presidenciais seria “o Presidente mais fraco da história dos Estados Unidos”. Mas o governante cantou vitória demasiado cedo, tendo parabenizado Trump prematuramente na semana passada.

“É bastante claro que os norte-americanos elegeram Donald Trump”, escreveu Jansa, no dia 4 de novembro, no Twitter.

Após o resultado das eleições, o primeiro-ministro esloveno declarou-se surpreendido com a onda de felicitações a Joe Biden. “Os tribunais ainda nem começaram a decidir sobre o assunto”, disse, continuando a lançar dúvidas sobre o resultado do passado fim de semana.

Liliana Malainho LM, ZAP //

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6 COMENTÁRIOS

  1. Seria interessante conhecer o autor deste “artigo”.
    Quem é o LM?

    Outro artigo interessante seria conhecer quem patrocina a “Madremedia”.

    • Caro leitor,
      Para conhecer os autores dos artigos basta consultar a ficha técnica do ZAP.
      Quanto à sua sugestão, parece claramente emanar de uma grande confusão acerca do site em que se encontra. Parece estar a confundir o ZAP com outro site.
      Para terminar, nós não nos referimos a si como “leitor”, portanto abstenha-se por favor de usar aspas para se referir ao nosso trabalho.

  2. Quem oficializa o resultado final após denúncias de fraude nos USA é a suprema corte de lá. Quem é inteligente e conhece a estrutura eleitoral de lá está calado sim. Quem é precipitado ou quer cantar vitória antes da hora poderá passar vergonha quando os fatos vierem ao conhecimento público.

  3. Contrariamente ao descrito nesta notícia, não parece ser desavisada a postura de alguns lideres mundiais, ao não se pronunciarem sobre quem ganhou as eleições americanas.
    De facto, os dados oficiais ainda não foram revelados e, por isso, será de bom tom aguardar que os mesmos sejam divulgados.
    A imprensa e televisão não podem substituir a declaração oficial. Nem aqui, nem em qualquer outro país do mundo democrático.
    No entanto, é curioso notar que só uma parte se queixa de votos fraudulentos. Quem ganhou, ou pensa que ganhou, não tem por hora essas preocupações, mas o que está em causa é a vontade do povo americano e, sendo assim, deveria haver uma recontagem total de votos para os dois partidos em disputa e anulados TODOS os votos ilegais.
    Ao estado a que a situação chegou, num país com a tradição democrática dos Estados Unidos, só uma recontagem devidamente supervisionada pelas duas partes, poderá limpar a face dos dois partidos em disputa.

    • E tu não sabes que cada voto só e atribuído após os delegados dos partidos para a contagem derem TODOS o OK. Se não derem e regeitado por acordo de todos ou fica posto de lado para te contagem! Tanta ignorância, ou será antes de ódio de mentes NAZIS?

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