Em visita ao Porto, Marcelo diz que é preciso “tudo fazer” para “defender a liberdade”

Mário Cruz / Lusa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente da República disse hoje, no Porto e numa cerimónia com líderes e representantes de várias confissões religiosas, que é preciso “tudo fazer” para “defender a liberdade”, num tempo em que “é tão sedutor encontrar bodes expiatórios”.

“Apelo para que, em salutar diálogo e convergência de propósitos, tudo façamos para defender a liberdade, a tolerância e a compreensão mútua, num tempo em que é tão sedutor dividir e catalogar, encontrar bodes expiatórios, acusar sem fundamento, marginalizar sem humanidade”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República, que tomou hoje posse para um segundo mandato depois de ter vencido as eleições Presidenciais que decorreram a 24 de janeiro, falava na Câmara Municipal do Porto, onde presidiu a uma a cerimónia ecuménica que contou com a participação de representantes de mais de uma dúzia de confissões religiosas presentes em Portugal.

“Portugal agradece o vosso contributo ao longo de um ano de pandemia. [O contributo] dado a milhares e milhares de Portugal. Portugal pede-vos um novo contributo por palavras e por obras para a pacificação dos espíritos, a aceitação do diferente, a aceitação do diverso, a aceitação do estranho”, disse o Presidente da República que antes da cerimónia reuniu com o presidente da autarquia do Porto, o independente Rui Moreira, numa sessão à porta fechada que durou cerca de uma hora.

Em declarações aos jornalistas, à saída da Câmara Municipal do Porto, o Presidente da República garantiu que “há 48 anos que não há risco de não haver democracia”, elencando uma “razão muito simples” para tal.

“Porque os portugueses são democratas e porque, felizmente, tivemos sempre em lugares de responsabilidade na Presidência da República, na chefia do Governo, no parlamento, no poder local e regional democratas a garantirem e jurarem a defesa, o cumprimento e mais do que isso, a salvaguarda do cumprimento pelos outros de uma Constituição democrática”, esclareceu.

Em visita ao Porto, Marcelo Rebelo de Sousa, assumiu ser o Presidente de todos os portugueses, mas também de todos aqueles que vivem em Portugal.

“O Presidente da República é, naturalmente, Presidente eleito pelos nacionais portugueses, mas é Presidente também de todos os que vivem em Portugal, mesmo não sendo portugueses ou não sendo portugueses de origem”, disse, no Centro Cultural Islâmico do Porto, no dia da sua tomada de posse para um novo mandato, onde se fez acompanhar pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

O programa de tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa teve início esta manhã com uma cerimónia na Assembleia da República, à qual se seguiu a deposição de coroas de flores nos túmulos de Luís de Camões e Vasco da Gama, no Mosteiro dos Jerónimos, entre outros momentos.

A segunda parte do programa de tomada de posse estava reservada para a cidade do Porto, onde o chefe de Estado chegou cerca das 13:45 e foi surpreendido por uma manifestação de trabalhadores da Groundforce no aeroporto Francisco Sá Carneiro.

Já aos Paços do Concelho, na Avenida dos Aliados, Marcelo Rebelo de Sousa chegou às 14:30, tendo sido recebido pelo presidente da câmara com o qual entrou no edifício, mas não sem antes acenar as poucas pessoas que o aguardavam à porta.

Rui Moreira tudo fará “para convergir com verdadeiras políticas de interesse nacional”

O autarca, que abria a cerimónia ecuménica presidida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu que o país precisa de “políticas fortes que lhe tragam crescimento, que lhe tragam esperança”.

“Quero desejar a vossa excelência as maiores felicidades para este novo mandato e deixar-lhe a certeza de que, enquanto for presidente da Câmara [do Porto], tudo farei para convergir com as verdadeiras políticas de interesse nacional como a redução da pobreza e da desigualdade, que esta manhã estiveram no discurso do Presidente da República, assumindo como uma das suas missões a coesão de Portugal”, disse o independente Rui Moreira.

“Hoje é um bom dia para se retomar essa esperança”, salientou Rui Moreira, elencando um texto de José Tolentino Mendonça para complementar a menção a Sophia de Mello Breyner Anderson feita pelo Presidente da República no discurso de tomada de posse.

Rui Moreira agradeceu ainda ao chefe de Estado a realização da cerimónia numa cidade que é “de tolerância” e que “acolhe e abriga inúmeros cidadãos de diversas raças, credos e opiniões políticas”.

“O Porto é uma cidade liberal que sempre soube conviver com a diferença, com aqueles que visitam, com aqueles que nos escolhem para aqui fazerem as suas vidas”, disse.

  ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Senhor presidente, quando se fala em liberdade ‘e porque existe o oposto, a opresao ou estou errado…
    So se fala na paz quando a guerra ou nao ‘e…

    Falar em liberdade quer dizer que existe limite de liberdade… senhor presidente…. os politicos que temos estao a estragar os quase mil anos de historia…. nao falta muito… voces metem cabeca na areia e orelhas mocas e falta de memoria… o que poder faz ao politicos?????

  2. E aqui não se fala da verdadeira vergonha que o Marcelo (Presidente da República de Portugal, caso alguém não saiba) quando foi ao bairro do Cerco. Em pleno confinamento, passeia-se nas ruas provacando um enorme ajuntamento. Ele, não só desrrespeita o dever de recolhimento (não era necessário andar a passear em lado algum) como promove o desrrespeito por parte do povo. E ele ainda fala que é necessário respeitar as regras de higiene! Fez pouco de toda a gente que se sacrificou para não espalhar o virus e fez pouco de um estado de confinamento que ele próprio promolgou. VERGONHA!!! E só é pena (ou será também vergonha?) que não se fale (escreva) sobre isso!

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