Maduro nega crise migratória e diz que os venezuelanos emigram com algibeiras cheias

Hugoshi / wikimedia

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, insistiu esta quinta-feira que o seu Governo está a ser alvo de uma campanha internacional enganadora que tem como propósito justificar uma intervenção militar e política do seu país.

De acordo com Nicolás Maduro, há venezuelanos que se deixam seduzir por essa campanha e abandonam o país devido à crise económica, mas que emigram com as algibeiras “cheias de dólares”.

“Alguns regressaram da escravidão [estrangeiro]. A grande maioria dos que regressaram foram enganados, eu diria, 100%, com pacotes falsos”, disse.

Nicolás Maduro falava durante o encerramento do III Congresso do Partido Socialista Unido da Venezuela – PSUV, o partido do Governo -, que teve lugar na Praça Bicentenário do palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.

“Uma característica da emigração venezuelana é que sai do país com a algibeira cheia de dólares. O mínimo que levam são cinco mil dólares, isso é dinheirinho. Vendem uma moto, vendem um carro e alguns até venderam o apartamento”, sustentou.

Segundo Nicolás Maduro, há uma “estúpida campanha” contra o seu país, nas redes sociais, que procura “impor uma crise humanitária de migração”, para justificar uma intervenção contra a Venezuela, pela via militar e política”.

O primeiro mandatário da Venezuela diz que, por detrás dessa campanha, está o Governo da vizinha Colômbia e acusou a oligarquia colombiana de “pretender explorar a comunidade internacional, pedindo milhares de milhões de dólares, roubá-los com a desculpa da migração venezuelana”.

Nicolás Maduro anunciou que o ministro venezuelano de Comunicação e Informação, Jorge Rodríguez, dirigirá uma comissão que acudirá a instâncias internacionais para exigir uma indemnização à Colômbia pelos mais de cinco milhões de colombianos que se encontram na Venezuela, usufruindo de vários benefícios sociais.

Nicolás Maduro disse ainda que a 1 de outubro iniciará uma nova etapa da cripto moeda venezuelana Petro, que permitirá elevá-la a “uma potência a nível mundial” e que permitirá à população adquirir planos de poupança naquela moeda virtual.

“A Venezuela tem demonstrado ter tido sucesso no social, com a criação das missões sociais (programas governamentais de apoio à população carenciada). Somos campeões mundiais em política nacional e internacional, e agora faz-nos falta conquistar o campeonato mundial do equilibro económico”, disse.

De acordo com a ONU, pelo menos 2,3 milhões de venezuelanos estão radicados no estrangeiro, incluindo 1,6 milhões que emigraram desde 2015, devido ao agravamento da escassez de alimentos, medicamentos e aos altos preços dos produtos na Venezuela, tendo em conta os baixos salários.

Países como o Brasil, a Colômbia, o Chile, o Panamá, a Argentina e o Equador são os principais destinos dos venezuelanos que emigraram para países da América do Sul.

Nicolás Maduro continua a rejeitar a existência de um êxodo causado pela crise no país, afirmando tratar-se de “uma campanha mundial para justificar uma política de intervenção”.

Por tudo isto, o Presidente da Venezuela ordenou a criação de uma ponte aérea para trazer os cidadãos que pretendam regressar a casa.

ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. Ahahahaaaa!…
    Este louco fez-me lembrar o ministro do Saddam que dizia que as tropas americanas nunca chegariam à capital do Iraque, quando eles já lá estavam!!
    Este Maduro (podre!!) está mesmo maluco de todo!…
    Engraçado que ele fala em dólares, quando a moeda oficial é o bolivar (claro que para ele e para os seus, a moeda “oficial” é o dólar – daí a confusão)!

  2. Incrível como um louco desta natureza consegue estar à frente de um país! Há de facto vários ditadores de esquerda e direita que à base da força se vão mantendo, mas este a levar o país dia após dia à miséria e o povo a morrer de fome, nem ele reconhece o mal que está a fazer nem o povo se consegue revoltar de maneira a limpá-lo de vez.

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