FMI prevê que inflação na Venezuela dispare 1.000.000% até ao final do ano

OEA - OAS / Flickr

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

O Fundo Monetário Internacional estimou, esta segunda-feira, que a inflação anual na Venezuela pode chegar a um milhão por cento (1.000.000%) em 2018.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) atualizou as projeções económicas para a América Latina até finais de 2018 e estimou que a Venezuela vai enfrentar uma queda de 18% do Produto Interno Bruto (PIB) e uma inflação de 1.000.000%.

“A Venezuela continua mergulhada numa profunda crise económica e social. Segundo as projeções, o PIB real vai reduzir-se em aproximadamente 18% em 2018 – o terceiro ano consecutivo de quedas de dois dígitos – devido à redução significativa na produção de petróleo e distorções generalizadas a nível micro, às quais se somam grandes desequilíbrios económicos”, refere o FMI.

“Prevemos que a inflação dispare 1.000.000% até o final de 2018, o que indica que a situação na Venezuela é semelhante à da Alemanha em 1923 e à do Zimbabué” no final da primeira década deste século, lê-se no documento “Perspetivas para as Américas: uma recuperação mais difícil”.

O FMI sublinha ainda “que o Governo venezuelano continuará a registar grandes défices fiscais, financiados exclusivamente com a expansão da base monetária, alimentando a aceleração da inflação, à medida que a demanda de dinheiro continue caindo”.

“O colapso da atividade económica, a hiperinflação e a deterioração cada vez maior no fornecimento de bens públicos (saúde, eletricidade, água, transporte e segurança), juntamente com a escassez de alimentos a preços subsidiados, têm gerado grandes fluxos migratórios, que intensificarão os efeitos de contágio nos países vizinhos”, consta no mesmo documento.

No entanto, o FMI prevê que “a atividade económica na América Latina continuará o seu processo de recuperação”, após a retoma da demanda interna de 2017, liderada principalmente pelo consumo, com o investimento finalmente a ganhar força.

“Projeta-se que a região como um todo cresça 1,6% em 2018 e 2,6% em 2019, acima dos 1,3% registados em 2017, mas abaixo das nossas projeções de abril de 2018”, detalha aquele organismo.

Segundo o FMI “embora o crescimento da América Latina esteja a acelerar em alguns países, a recuperação tornou-se mais difícil para algumas das economias maiores, devido à interação das pressões do mercado a nível global, com vulnerabilidades específicas dos países, que as amplificaram”.

No global, excluindo a Venezuela, a América Latina e as Caraíbas vão terminar 2018 com um crescimento de 2,3%. A Argentina crescerá 0,4%, o Brasil 1,8%, o Chile 3,8%, a Colômbia 2,7%, o México 2,3% e o Peru 3,7% até finais de 2018.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Talvez o Costa queira enviar para a Venezuela o Centeno, o BE o Chico Lousã e o PCP o Carlito Carvalhas para ver se conseguem endireitar a Economia de Venezuela?
    O Maduro tenta solunionar o problema economico com truques idiotas, quando o problema é ele e o seu regime.

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