Variante detetada no Reino Unido já representa 48% dos casos em Portugal

Robin Van Lonkhuijsen / EPA

A variante do SARS-CoV-2 detetada no Reino Unido já é responsável por quase metade dos casos de covid-19 em Portugal, quando no início de janeiro representava 8% das infeções, adiantou o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA).

“À data de 16 de fevereiro, estimamos que esta variante represente cerca de 48% de todos os casos de covid-19 em Portugal”, disse à agência Lusa João Paulo Gomes, investigador do INSA e coordenador do estudo sobre a diversidade genética do novo coronavírus em Portugal.

Segundo os dados do INSA, a incidência no país desta variante do vírus que provoca a covid-19, considerada mais contagiosa, tem vindo a crescer desde o início do ano, registando-se um aumento constante ao longo de várias semanas, no período em que foi registado o maior número de infeções em Portugal.

João Paulo Gomes estima que a variante originária do Reino Unido representou cerca de 8% dos casos da doença covid-19 na primeira semana do ano, aumentando para os 13,4% na segunda semana de janeiro e para os 24,7% na terceira.

Segundo o especialista, esta crescente incidência da variante “certamente contribuiu” para o surgimento da chamada terceira vaga que se verificou em janeiro com o aumento exponencial de casos de covid-19 em todo o país, apesar de não ter sido o “fator que mais pesou”.

“Na contribuição que teve, pesou não só o elevado número de introduções desta variante que terão ocorrido durante a segunda quinzena de dezembro – regresso de imigrantes portugueses para o Natal e turistas do Reino Unido -, como também a sua elevada transmissibilidade”, explicou o especialista.

Relativamente à variante originária da África do Sul, o INSA apenas identificou quatro casos em Portugal, não tendo sido registado, até quinta-feira, qualquer caso da variante do SARS-CoV-2 descoberta inicialmente em Manaus, no Brasil.

Baltazar Nunes, responsável pela Unidade de Investigação Epidemiológica do INSA, adiantou à Lusa que a “evolução da pandemia em cada continente, país e região tem sido diversa, com diferentes fases e momentos de crescimento e decréscimo da incidência”.

Perante isso, a designação “terceira vaga deve ser contextualizada”, referiu, para quem “numerar as fases de crescimento da epidemia é uma forma muito simplista de analisar a sua evolução”.

“Na realidade, temos observado diferentes fases de crescimento e decréscimo do número de casos, que têm sido determinadas pela introdução do vírus na população, por novas variantes mais transmissíveis, pela implementação ou levantamento de medidas não farmacológicas, por comportamentos populacionais (festividades e períodos de férias), pelas estações do ano ou pela implementação de programas de vacinação”, adiantou Baltazar Nunes.

De acordo com o especialista, por estas razões a variação da incidência ao “nível local, regional, nacional e global é muito difícil de prever“, principalmente num contexto de restrições e de padrões de viagem que foram alterados com a pandemia.

Segundo afirmou, a incidência de covid-19 é elevada em praticamente todos os países europeus, tendo como critério uma prevalência superior a 60 novos casos por 100 mil pessoas nos 14 dias anteriores, com algumas exceções como a Islândia, onde se verificam 10 novos casos de infeção por 100 mil habitantes.

“Existe a possibilidade do aumento da incidência que agora se verifica em alguns países europeus possa vir a verificar-se em outros países, mas o gradiente de Ocidente para Oriente já não existe”, adiantou Baltazar Nunes, exemplificando com os casos da Grécia e da Finlândia que, em latitudes europeias diferentes, coincidem na tendência crescente de casos que apresentam.

“A distribuição espacial dependerá da efetividade que as medidas de controlo implementadas tenham em cada país e da rapidez e do efeito que a vacinação tenha nesses mesmos países”, sublinhou o especialista.

Covid-19 foi responsável por mais de 40% das mortes na passagem para fevereiro

Das 8536 mortes verificadas entre 25 de janeiro e 7 de fevereiro, 3633 deveram-se à doença provocada pelo novo coronavírus, o que equivale a 42,5% do total, adiantam os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados esta sexta-feira.

Neste período, “o número de óbitos diminuiu, apesar de continuar muito acima do observado desde o início da pandemia”, assinala o INE, indicando que a semana de 25 a 31 de janeiro foi a pior em termos de mortes (4711) desde o início da pandemia.

Na semana de 25 a 31, houve 2036 mortes associadas à covid-19 (43,2% do total) e na semana seguinte 1.597 (41,8%).

O excesso de mortalidade em relação à média das mesmas semanas entre 2015 e 2019 foi de 66,3% na semana de 25 a 31 de janeiro e de 42% na semana de 1 a 7 de fevereiro.

“O número de óbitos por covid-19 foi, nas semanas 4 e 5, superior ao excesso de mortalidade, o que significa que excluindo os óbitos por covid-19, a mortalidade registada nestas duas semanas situar-se-ia abaixo da média do período 2015-2019”, assinala o INE.

Mais de 75% das mortes nestas duas semanas foram de pessoas com 75 anos ou mais e o maior excesso de mortalidade foi nas pessoas com mais de 90 anos, das quais morreram mais 74,1% em relação à média dos últimos cinco anos para o mesmo período.

Do total de mortes, 82,6% aconteceram nas regiões Norte, Centro e Lisboa e 65,2% em hospitais.

Nas últimas 24 horas, a Direção-Geral da Saúde registou 67 mortes associadas à covid-19, sendo o número diário mais baixo desde que começou o ano de 2021. No total, desde o início da pandemia, morreram 15.821 pessoas.

ZAP // Lusa

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