Vacina da Janssen está a ser dada a rapazes em tratamento hormonal. Transgénero estão apreensivos

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Joseph Prezioso / AFP

A vacina da Janssen não é aconselhada a mulheres abaixo dos 50 anos em Portugal. No entanto, tem sido administrada a jovens transgénero.

A notícia é avançada esta terça-feira pelo Jornal de Notícias, que conta o caso de Brian Campos, uma pessoa transgénero de 23 anos que, a cada três semanas, faz injeções de testosterona.

Atualmente em tratamento hormonal, num processo que dura já há quatro anos, Brian falou com o seu cirurgião para saber qual a opinião do médico sobre a vacina contra a covid-19 mais indicada para ele. Não existem ainda estudos “a fundo” sobre os riscos da Janssen em pessoas trans, pelo que o médico recomendou-o que pedisse outra vacina.

Brian Campos dirigiu-se até ao centro de vacinação do Seixal e foi encaminhado para a enfermeira responsável.

O jovem contou ao JN que a enfermeira “estava a tentar perceber a situação, mas não sabia a terminologia adequada para lidar com o caso”. Como o cartão de cidadão do jovem mencionava sexo masculino, com o nome Brian, a enfermeira disse-lhe que iria “levar a Johnson porque é o que está no protocolo”.

Brian explicou que “o sexo atribuído à nascença foi feminino” e que aquela vacina não era recomendada no seu caso. Em Portugal, a vacina da Janssen não é aconselhada a mulheres abaixo dos 50 anos.

“É uma menina, não tinha percebido, temos aqui uma menina”, terá dito a enfermeira, deixando-o desconfortável.

Brian acabou por ser vacinado com a vacina da Moderna, mas nunca pensou que a vacinação “fosse um processo tão complicado”.

O JN destaca que este jovem não é um caso único. Em declarações ao diário, João Rodrigues, um dos fundadores do projeto Anémona (criado com o intuito de ligar as pessoas LGBTI ao SNS), disse que receberam “mais relatos e preocupações semelhantes”.

O projeto aconselha “a seguir a norma da DGS, que diz que mulheres abaixo de 50 anos não devem tomar esta vacina e devem escolher outras opções”. “No entanto, se quiserem, de forma consciente, informada e conhecendo, os riscos podem tomar à mesma.”

O responsável apontou a “ineficácia da DGS e do Ministério da Saúde de colocar e incluir as pessoas trans e não binárias nas questões de saúde”.

O Jornal de Notícias questionou a DGS sobre a lacuna na norma e sobre as orientações nestes casos, mas não obteve resposta em tempo útil.

  ZAP //

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