Ficaram vazias 74% das vagas criadas na Universidade para a “via verde” do Ensino Profissional

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Um documento revela que 74% das vagas criadas no Ensino Superior, ao abrigo da chamada “via verde” para o Ensino Profissional, um regime especial de acesso à Universidade, ficaram vazias.

“Menos de 700 alunos entraram no Ensino Superior através do concurso especial criado no ano lectivo passado” para o Ensino Profissional, destaca o Público com base num relatório da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES) que foi entregue ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES).

Esse documento aponta que as vagas que não tiveram ocupação, em 2020, “foram significativas”. Assim, quase três quartos dos lugares terão ficado por preencher.

A “via verde” para o Ensino Superior dos alunos dos cursos profissionais permitiu abrir 2615 vagas, sendo que 2068 eram em cursos de institutos politécnicos.

Mas, após as duas fases de ingresso na Universidade, apenas se matricularam 671 alunos oriundos do Ensino Profissional por via deste concurso especial de acesso.

Os outros 4719 estudantes que entraram na Universidade, a partir do Ensino Profissional, fizeram-no através do concurso nacional de acesso que abrange todos os estudantes. Isto significa, para os alunos dos cursos profissionais, estudar mais, pois, nas suas áreas de ensino, não abordam algumas das matérias que saem nos exames nacionais.

O presidente da Associação Nacional de Escolas Profissionais (Anespo), Luís Presa, acredita que estes dados indicam que houve “falhas na comunicação” do novo sistema de acesso ao Superior.

“A informação não chegou de forma clara e atempada aos alunos“, aponta em declarações ao Público.

Também o presidente da CNAES, António Fontainhas Fernandes, salienta no jornal que o processo da “via verde” para o Superior foi feito “muito em cima da hora”.

  ZAP //

1 Comment

  1. Pois, seria interessante saber os cursos que ficaram com vagas por preencher. Será que foram alguns dos muitos cursos que praticamente não têm alunos?
    Sinceramente, parece-me estranho terem ficado vagas por ocupar em cursos com muita procura, em que as vagas “tradicionais” esgotam.
    Talvez as vagas tenham sido distribuídas principalmente por cursos que ninguém quer (qual seria o objetivo?…), e talvez os alunos do professional não tenham sido menos criteriosos do que os alunos “tradicionais”…

    Infelizmente, em Portugal muitas licenciaturas não preparam os alunos para coisa alguma. Muitos cursos têm mais professores do que alunos. Essas licenciaturas parece que existem unicamente para dar trabalho aos professores, e os poucos alunos que se formam nesses cursos depois não arranjam trabalho porque o pouco que há é monopolizado precisamente pelos professores e pelas universidades que os formaram. Há coisas do diabo..

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