Cientistas da UA desenvolvem a mais pequena nanopartícula metálica de sempre

Argonne National Laboratory / Flickr

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Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu uma nanopartícula bimetálica, cujo tamanho e propriedades magnéticas multiplicam a eficiência das atuais.

Com um diâmetro 50 mil vezes mais pequeno do que o diâmetro de um fio de cabelo, a nanopartícula é constituída por cobalto e platina e demonstra ser mais eficaz do que as que atualmente são usadas em memórias de computadores, em exames de ressonância magnética e em tratamento de tumores.

O tamanho e as propriedades magnéticas da partícula metálica da Universidade de Aveiro “multiplicam a eficácia em cada missão”, revelam os investigadores em comunicado.

“Conseguimos desenvolver as mais pequenas nanopartículas bimetálicas de sempre, com menos de dois nanómetros, feitas à base de platina e de cobalto, que apresentam magnetização apenas na presença de um campo magnético externo e com a particularidade de, elas próprias, aumentarem a magnetização”, revelou Robert Pullar, um dos autores do estudo levado a cabo por uma equipa de cientistas dos departamentos de Física e de Materiais e Cerâmica e do Instituto de Materiais da Universidade de Aveiro.

Para referência, um nanómetro é um milhão de vezes mais pequeno que um milímetro.

Robert Pullar sublinha a importância da nanopartícula desenvolvida em Aveiro, face ao crescente interesse geral em nanopartículas magnéticas, devido à necessidade gerada pela biomedicina e pelas novas tecnologias. Em particular, explica o investigador, “as nanopartículas magnéticas bimetálicas com alta coercividade magnética têm atraído muitas atenções devido às respetivas aplicações em memórias de armazenamento e computação magnéticos, em exames de ressonância magnética e em tratamentos de cancro”.

A pequenez é uma vantagem na terapia oncológica através da hipertermia magnética, uma técnica que conduz as nanopartículas pelo organismo até aos tumores, e cujo aquecimento por indução magnética destrói as células malignas, a pequenez é uma vantagem. Quanto menor e mais magnética for a partícula, melhor poderá ser levada até ao alvo e mais termicamente eficaz pode ser.

Na utilização de nanopartículas magnéticas em ressonância magnética, estas servem de agente para contraste nas imagens. Assim, e da mesma forma, quanto mais magnéticas e pequenas forem as nanopartículas, maior contraste e melhor resolução espacial se obtém com o exame.

Já no armazenamento de informação, quanto menor for o tamanho das nanopartículas utilizadas num disco rígido magnético, maior será a densidade de informação, pelo que se perspetiva que a indústria informática poderá vir a oferecer computadores com muito mais memória disponível, sem necessidade de aumentar o volume das máquinas.

O trabalho foi desenvolvido pelos investigadores da UA Robert Pullar, David Tobaldi, João Amaral, João Labrincha e Mohamed Karmaoui, este último atualmente investigador na Universidade de Birmingham.

/Lusa

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