Fome, falta de comparência e mentiras. União da Madeira está em risco de acabar

(dr) União da Madeira

Adeptos do União da Madeira

Sem pagar salários há dois meses e com uma dívida superior a 7 milhões de euros, o União da Madeira está em risco de acabar.

O União da Madeira tem uma dívida superior a 7 milhões de euros e o Juízo de Comércio do Tribunal do Funchal decidiu pelo encerramento do Plano Especial de Revitalização (PER) do emblema madeirense, que corre o risco de acabar.

A sentença partiu do facto de o clube não ter bens penhoráveis, escreve o Jornal de Notícias, pelo que o União da Madeira não tem dinheiro para fazer face às dívidas.

“O que ficou decidido pelo Ministério Público foi acabar com a insolvência do União e ser a própria direção nas próximas reuniões a decidir o que vai fazer com o União e com as respetivas dívidas”, disse à agência Lusa o vice-presidente Filipe Rebelo, que entretanto se demitiu.

Na Assembleia de Credores, que teve lugar no Tribunal do Funchal, “houve um representante do Governo regional que votou a favor da dissolução do clube”, segundo o diretor da formação insular, mas o que foi “aprovado foi o encerramento do processo de insolvência, não o União”.

No passado fim de semana, o União da Madeira perdeu frente ao Merelinense por falta de comparência, em jogo a contar para o Campeonato de Portugal.

Os jogadores queixaram-se de terem sido abandonados, mas Filipe Rebelo, em declarações ao Record, desmente e lança-lhes duras acusações.

“É tudo mentira. Ninguém passou fome. Eles têm comido no autocarro por causa dos horários dos aviões para o Porto. E tiveram sandes de picanha e de leitão, águas, sumos e fruta. Não disseram que paguei do meu bolso para dormirem num hotel (o avião era às 6 da manhã) e eles foram para a discoteca. Têm pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar no nosso complexo e vão quando querem. É revoltante! Não tinham de denegrir o nome do União, pois tiveram as condições todas”, disse ao jornal desportivo.

“Eles convocaram uma greve antes do jogo e sabiam que não iam jogar. E foram-se fazer de vítimas”, acrescentou.

No entanto, confirma os dois meses de salários em atraso — salientando que “houve desvios de dinheiro” — e assume que o clube não vai comparecer aos próximos jogos.

O ex-dirigente da equipa do Vale Paraíso garante que já desembolsou do seu próprio dinheiro para o União poder estar representado, revelando que “suportou o último jogo em quase dois mil euros”.

Esta não é a primeira vez que se fala na extinção do clube. Ainda em 2019, o União da Madeira atravessava graves problemas financeiros, com os jogadores em “condições sub-humanas”, com salários em atraso e sem direito a refeições decentes.

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Em quatro anos, o clube madeirense passou da I Liga para o Campeonato de Portugal.

  Daniel Costa, ZAP //

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