Um milhão de votos manipulados na Venezuela, denuncia empresa responsável pela contagem

chavezcandanga / Flickr

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

Os dados da participação na eleição para a Assembleia Constituinte, realizada no domingo passado na Venezuela, foram “manipulados”, denunciou esta quarta-feira em Londres a empresa responsável pela contagem dos votos do escrutínio.

“Com base na robustez do nosso método, sabemos, sem qualquer dúvida, que [os números da] a afluência às urnas na recente eleição para a Assembleia Constituinte Nacional foi manipulada”, disse Antonio Mugicala, diretor-executivo da SmartMatic, numa conferência de imprensa na capital britânica.

O representante da empresa britânica indicou que “a diferença entre a participação real e a anunciada pelas autoridades é de pelo menos um milhão de votos”.

Segundo as autoridades venezuelanas, mais de oito milhões de eleitores, cerca de 41,5% dos eleitores inscritos, participaram no escrutínio de domingo.

“Temos Assembleia Constituinte (…), oito milhões por entre ameaças (…), foi a maior votação que teve a revolução bolivariana em 18 anos. O povo deu uma lição de coragem, de valentia. O que vimos foi admirável”, declarou Nicolás Maduro.

A eleição foi boicotada pela oposição venezuelana, que alega que o ato eleitoral é um caminho para prolongar o poder do Presidente, cujo mandato termina em 2019.

Na altura, o presidente do Parlamento, Julio Borges, porta-voz da aliança opositora MUD, já tinha afirmado que “só 7% dos eleitores da Venezuela foi votar”.

A oposição venezuelana acusa Maduro de querer usar a reforma para instaurar no país um regime cubano e perseguir, deter e calar as vozes dissidentes.

Portugal não reconhece Assembleia Constituinte

Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que Portugal, tal como os restantes países da União Europeia, não pode reconhecer a Assembleia Constituinte da Venezuela eleita domingo, a qual classificou de “um passo negativo”.

No final da apresentação da candidatura do Porto a sede da Agência Europeia do Medicamento (EMA), Augusto Santos Silva disse que a UE está neste momento a preparar uma declaração que, basicamente, refere que os Estados-membros não podem reconhecer a Assembleia Constituinte.

Trata-se de “um passo negativo no processo”, disse, acrescentando: “É necessário o regresso à normalidade constitucional, com pleno respeito dos poderes dos órgãos eleitos, pela separação de poderes, e é um apelo muito veemente da nossa parte para que as partes recusem e renunciem a qualquer forma de violência e se envolvam num processo político que resulte num compromisso, o regresso à normalidade constitucional na Venezuela e um calendário eleitoral que seja por todos aceite”.

Sobre o pedido do presidente do Parlamento Europeu à União Europeia para que esta imponha sanções aos membros do Governo venezuelano de Nicolás Maduro, como a limitação dos movimentos no território comunitário e o congelamento de ativos económicos, o ministro referiu que ainda não existe uma decisão.

“Não ultrapassamos etapas e definimos sempre a nossa posição, o nosso falar e o nosso silêncio a partir da pergunta principal: o que ajuda mais e o que prejudica mais a nossa comunidade portuguesa e luso-venezuelana que reside na Venezuela. Não faço nada que prejudique e faço tudo o que possa ajudar”, garantiu.

A este propósito, referiu que “o Governo português concorda com a posição da União Europeia, que ainda não considerou a possibilidade de utilização de outras ações políticas e diplomáticas”.

Sobre a comunidade portuguesa e luso-venezuelana que se encontra na Venezuela, Santos Silva garantiu que esta é a principal preocupação do Governo. “Temos procurado manter todos os canais com a nossa comunidade portuguesa residente na Venezuela e com os luso-descendentes e esse nosso cuidado vê-se, por exemplo, no facto de a nossa transportadora aérea ser das poucas que viaja regularmente para a Venezuela”.

E adiantou: “É importante que se mantenham todos os canais de comunicação com a nossa comunidade e com as autoridades venezuelanas porque a nossa obrigação número um é para com os portugueses e os luso-venezuelanos que vivem na Venezuela”.

Sobre um eventual apoio extraordinário aos portugueses que estão a regressar da Venezuela, o ministro disse estar a trabalhar com as autoridades madeirenses “com grande espírito de solidariedade recíproca”.

“As autoridades madeirenses ficaram de proceder a uma estimativa precisa e rigorosa de eventuais sobre-custos que estejam a incorrer”, afirmou, adiantando que “há já processos em curso em várias áreas”.

“A região autónoma da madeira é autónoma. Mas isso não quer dizer que não exista solidariedade nacional”, garantiu.

Mais de cem pessoas foram mortas nos protestos anti-governamentais que têm agitado o país desde o passado dia 1 de abril.

ZAP // Lusa

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8 COMENTÁRIOS

  1. Tratou-se, obviamente, de uma farsa.
    Até aqui, apesar da profunda divisão do país, as instituições democráticas vinham funcionando. O presidente Maduro tinha sido eleito à tangente, ainda na herança e no rescaldo da emoção da morte de Chavez, e reconhecido como tal pela oposição. Simplesmente, a agudização da crise económica e social levariam à vitória da oposição nas legislativas e ao bloqueio da ação presidencial.
    Para sair deste impasse, Maduro só tinha dois caminhos: negociar com a oposição ou convocar novas eleições para clarificar a situação. Isto, se ele fosse um democrata. Manifestamente, não é. Está profundamente marcado pela herança chavista e pela ideia romântica da revolução cubana.
    Acabou por embarcar numa aventura populista e ditatorial, promovendo uma assembleia constituinte à medida do reforço da sua pessoa e do seu poder, perseguindo os seu opositores, isolando a Venezuela e agravando as divisões na sociedade, já até aqui bem vincadas.
    Isto não augura nada de bom. Mais cedo ou mais tarde, o exército terá que intervir, porque a guerra civil está à vista.

    • Olhe lá, cuidado, não diga isso senão vem aí a Catarina e o Jerónimo dizer que isso é mentira e que foi um ato verdadeiramente democrático e rebéubéubéu pardais ao ninho.

  2. isto não se deve dizer mais não seria mais fácil eliminar o gajo… certamente pouco iriam sentir a sua falta mas milhões iriam ter esperança numa melhoria das suas condições de vida…

    Até agora morreram 100… pode ser que a chacina pare…

  3. Um milhão de votos manipulados e quantos milhões de cérebros o estarão também muitos deles à força do medo e de ameaça!.

  4. A minha perspectiva sobre o assunto é de muita cautela, porque não tenho conhecimento profundo sobre todo o processo.
    A informação que nos chega, quanto a mim, é pouco fiável, porque nos chega, quase toda, segundo o ponto de vista de um lado do problema, da oposição, interna e externa. Logo, pode estar contaminada e induzir-nos em falsos julgamentos.
    Lembram-se das “provas irrefutáveis” da existência das armas de destruição maciça que quatro “reputados estadistas” (incluindo um português) afirmaram existir e terem visto, para justificar a invasão do Iraque (alvo a abater)? E depois de largos milhares de vítimas (talvez milhões), de um país todo destroçado, arruinado e em contínua guerra civil, que não se sabe quando parará, se veio a provar que as tais “armas de destruição maciça” nunca existiram? E o que aconteceu a esses reles mentirosos?
    Bem, no que se refere à Venezuela, só temos um lado da versão do problema.
    Na minha humilde perspectiva, a oposição venezuelana, se queria um processo democrático na eleição constituinte, em vez de acirrar os seus militantes e simpatizantes para a arruaça da violência nas ruas, porque não mobilizou os seus militantes e apoiantes para uma participação maciça nas votações e, assim, através das contagens reais dos votos, derrotar o pretenso ditador Nicolas Maduro?
    Faz lembrar aqui no nosso país (e noutros), quando há eleições, os níveis de abstenções são de tal maneira elevados (a mais das vezes superiores aos votos entrados nas urnas) e, depois, as pessoas vêm protestar que os governantes não prestam, que somos mal governados, etc., quando essas pessoas que protestam são aquelas mesmas que não se deram ao trabalho de irem votar e escolherem quem lhes pareciam ser mais competentes.
    Não conheço as leis internas venezuelanas e não sei se o que disse atrás seria o correcto. Porém, parece-me, quer um lado, quer o outro, terão meia razão. Portanto, em vez de andarem na rua a servirem-se das pessoas (nem sempre bem informadas) como “carne para canhão”, deveriam sentarem-se e discutirem as suas diferenças de forma a obterem consensos em prol daquele povo martirizado.
    Lembro ainda um pormenor: a Venezuela, segundo parece, será um dos maiores produtores mundiais de petróleo. Sabem o que isso significa? A inveja e cobiça das potências (e não preciso nomeá-las) mundiais por esses recursos naturais. E, então, vá de fomentar-se a confusão e a “guerra” para poderem se apropriar desses recursos. Se não, vejamos: onde estão todos os focos de guerra e revolução no mundo? Nos países e regiões ricos de petróleo, gás, etc.
    E isto diz tudo, se pusermos as nossas cabeças a pensar e observar, à distância, livres de tendências políticas exacerbadas, com independência. Por aqui me fico.

  5. Deixarei, a partir de hoje, de comentar, seja o que for, nas vossas notícias. Já vi, por outros casos, “observados desatentamente”, a vossa parcialidade.

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