Um legado das Cruzadas está a salvar uma cidade israelita de ser engolida pelo deserto

(dr) Rafael Lewis

A cidade costeira de Ashkelon foi um campo de batalha frequente durante as Cruzadas (entre os séculos XI e XV), trocando de mãos entre muçulmanos e cristãos várias vezes. Uma escavação arqueológica revelou que uma rampa de cerco que um exército deixou para trás desempenhou um papel inesperado, salvando a cidade de ser engolida pelas areias do deserto.

As antigas muralhas que os cananeus construíram para proteger uma das suas cidades mais importantes foram violadas inúmeras vezes ao longo de 5.000 anos, mas foram sempre reconstruidas até 1270, ano em que o sultão Baybars ordenou que a cidade fosse destruída.

Agora, o local é um sítio arqueológico de grande importância histórica. Porem, o arquólogo Rafael Lewis, da Universidade de Haifa, detetou algo que que até agora ninguém tinha visto, com um significado considerável para a nova cidade.

No interior do antigo local foi fundada, no século XV, uma vila que se viria a tornar a cidade de Ashkelon. Elogiando as muitas frutas cultivadas na localidade, o viajante britânico do século XIX Claude Conder advertiu: “No sul, as grandes ondas de areia cada vez mais invasiva agora superaram as fortificações e varreram jardins antes frutíferos, ameaçando com o tempo tornar tudo um só arenoso deserto, a menos que possam ser encontrados meios para impedir seu progresso”.

Analisando fotografias aéreas das cidades novas e antigas, Lewis percebeu que algo estava a bloquear as dunas de areia invasivas. A obstrução alinha-se perfeitamente com o Portão de Jerusalém da cidade antiga, que Lewis considerou uma coincidência improvável.

Lewis percebeu então que um cume de 8 a 10 metros de altura e cerca de 200 metros de extensão até ao portão estava a impedir o avanço das dunas de areia.

O cume é, na verdade, uma rampa construída por um exército em torno da cidade para permitir trazer máquinas de cerco de terras altas próximas através de uma ravina, segundo escreveu Lewis num capítulo do livro Crusading and Archeology.

Rampas de cerco eram comuns, apesar do imenso esforço necessário para as construir. Muitas foram destruídas pelos vencedores para não serem úteis aos invasores futuros, mas algumas foram deixadas para trás pelos conquistadores, confiantes de que não seriam ameaçados ou porque não tinham planos de se manter a cidade.

O que é diferente na rampa de Ashkelon são os seus efeitos. Sem a rampa, os campos que cobrem a cidade velha e se estendem para norte não teriam permanecido um dos mais férteis da região. Segundo Lewis, a cidade poderia nunca ter sido fundada novamente.

“As formações militares medievais sempre alteram as terras à sua volta até certo ponto, mas poucas teriam sido tão influentes como esta”, disse Lewis, citado pelo IFLScience.

É sabido que uma rampa de cerco perto do local atual foi construída pelo rei Baldwin III em 1153 para permitir a sua conquista bem-sucedida da cidade, mas Lewis acredita que os cruzados devem tê-la demolido para que não fosse usado contra eles. A rampa sobrevivente terá sido construída para uma das batalhas subsequentes, provavelmente para facilitar a vitória de Baybar.

De acordo com Lewis, os governantes muçulmanos anteriores tentaram evitar que os cruzados estabelecessem uma base costeira, mantendo pequenas guarnições em muitas fortalezas. Baybar aprendeu com os seus erros e concentrou assim as suas forças em alguns locais, destruindo as cidades restantes para que não pudessem ser usadas contra si.

Maria Campos, ZAP //

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