UE propõe o fim de veículos com motores a gasolina e gasóleo em 2035

Stephanie Lecocq / EPA

Ursula von der Leyen

A Comissão Europeia propôs esta quarta-feira que a União Europeia reduza a zero as emissões de CO2 dos veículos novos a partir de 2035, o que significaria o fim da venda de carros a gasolina e gasóleo a partir dessa data.

Como explicou a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, no final da reunião do colégio de comissários que deu luz verde ao pacote legislativo, trata-se de um “roteiro detalhado” que combina a redução das emissões de CO2 com a proteção da natureza, e que resulta na geração de valor e na criação de mais e melhores empregos no futuro.

A proposta de Bruxelas é um dos elementos do grande pacote legislativo intitulado ‘Fit for 55’, apresentado esta terça-feira, que visa assegurar que a União Europeia cumpre a meta de redução de 55% das emissões até 2030, relativamente aos níveis de 1990.

De acordo com o executivo comunitário, “é necessária uma combinação de medidas para fazer face ao aumento das emissões no transporte rodoviário para complementar o comércio de emissões” e a solução passa então por, dentro de 14 anos, só serem vendidos carros novos elétricos.

Segundo a proposta da Comissão, as emissões médias de dióxido de carbono (CO2) deverão diminuir 55% a partir de 2030 e 100% a partir de 2035, em comparação com os níveis de 2021, pelo que “todos os automóveis novos registados a partir de 2035 deverão ser de emissões zero”, ou seja, veículos com motores elétricos ou a hidrogénio.

De modo a assegurar que os condutores possam carregar ou abastecer os seus veículos numa rede fiável em toda a Europa, o regulamento revisto sobre infraestruturas de combustíveis alternativos exigirá que os Estados-membros expandam a capacidade de carregamento em conformidade com as vendas de automóveis com emissões zero.

Nesse sentido, os Estados-membros devem instalar pontos de carregamento e abastecimento de combustível a intervalos regulares nas principais autoestradas – a cada 60 quilómetros para carregamento elétrico e a cada 150 quilómetros para reabastecimento de hidrogénio -, precisa a proposta do executivo comunitário.

“Normas mais rigorosas de CO2 não só são benéficas do ponto de vista da descarbonização, como também proporcionarão benefícios para os cidadãos, através de uma maior poupança de energia e uma melhor qualidade do ar. Ao mesmo tempo, fornecem um sinal claro e a longo prazo para orientar tanto os investimentos do setor automóvel em tecnologias inovadoras de emissões zero, como a implantação de infraestruturas de recarga e reabastecimento”, sustenta Bruxelas.

Ainda a nível de transportes, no setor da aviação, a Comissão propõe um novo regulamento que apoie uma transição rápida dos combustíveis fósseis para os combustíveis sustentáveis no transporte aéreo, com vista a tornar as viagens aéreas mais ecológicas, “permitindo aos cidadãos da UE desfrutar dos benefícios de voar de uma forma mais responsável”.

Nesse sentido, Bruxelas quer assegurar que “níveis crescentes de combustíveis sustentáveis para a aviação estejam disponíveis nos aeroportos da UE”, exigindo que todas as companhias aéreas se abasteçam desse combustível antes da partida.

“Objetivos ambiciosos”

De acordo com a Comissão, a proposta “contém objetivos ambiciosos e concentra-se nos combustíveis mais inovadores e sustentáveis para a aviação, nomeadamente os combustíveis sintéticos, que podem atingir uma poupança de emissões de até 80% ou 100% em comparação com os combustíveis fosseis”.

Já no transporte marítimo, Bruxelas avança com uma proposta para estimular a adoção de combustíveis marítimos sustentáveis e tecnologias de propulsão marítima com emissões zero, estabelecendo um limite máximo para o teor de gases com efeito de estufa presente na energia utilizada pelos navios que fazem escala em portos europeus.

Por outro lado, a Comissão propõe igualmente a aplicação do comércio de emissões a novos setores “nos quais são necessárias reduções mais fortes para atingir o objetivo de 2030” e, nesse sentido, as emissões das atividades marítimas passarão a estar incluídas.

Bruxelas justifica todas estas propostas no setor dos transportes apontando que as emissões de gases com efeito de estufa neste setor “representam atualmente até um quarto das emissões totais da UE e, ao contrário de outros setores, as emissões ainda estão a aumentar”, pelo que, “até 2050, as emissões provenientes dos transportes têm de diminuir em 90%”.

De acordo com os dados da Comissão, o transporte rodoviário é atualmente responsável por 20,4% das emissões de CO2, a aviação representa 3,8% e o transporte marítimo 4%.

“O sucesso do Pacto Ecológico Europeu depende da nossa capacidade de tornar o sistema de transportes como um todo mais sustentável. Cada modo [de transporte] tem de desempenhar o seu papel e contribuir com a sua quota-parte justa para os objetivos estabelecidos na Lei do Clima”, argumenta o executivo comunitário.

Depois de, em abril, o Parlamento Europeu e o Conselho da UE, sob presidência portuguesa, terem aprovado a Lei Europeia do Clima – que consagra, na legislação do bloco, um corte de, pelo menos, 55% das emissões até 2030, e o objetivo de atingir a neutralidade carbónica até 2050 – o pacote ‘Fit for 55’ visa rever regulamentos antigos e fazer novas propostas legislativas para garantir que a UE atinge os seus objetivos.

ZAP // Lusa

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12 COMENTÁRIOS

    • Já nem falo em ter dinheiro para comprar elétricos, ninguém vai ter e quem não tem vai ter que se contentar com transportes públicos.

      Mas…juntando isso ao tempo de espera até carregar uma viatura elétrica, que…vão fazer fila??! É que um carro a combustível abastese-se em 5 ou 6 minutos…um elétrico no mínimo 30 minutos para ter uma carga razoável.

      É uma treta, e isto jamais será cumprido. Vão por mim, a Europa só quer tentar ser o menino bonito de todos os continentes…está a dar-se mal já, ao deixar entrar entrar para cá estes migrantes e etc, só mostra que só querem parecer bem.

      Olhem para os Estados Unidos e China, e vejam que lá às regras são outras pois eles estão-se marimbando para o que os outros países pensam. Mas a Europa não, tudo para ficar bem vista.

      E quem se lixa é sempre o cidadão que paga impostos. Estamos a ser governados por sangueugas.

    • Calma… será o fim da venda de carros NOVOS a combustão; continuarão a existir usados.
      Também é natural que nessa altura existam muitos mais modelos elétricos (e mais baratos).

  1. Disse a Comissão Europeia que a proposta “contém objetivos ambiciosos…”, pois, pois…
    A Comissão Europeia o que tem é uma proposta que contém objetivos impossíveis!
    Os motores elétricos são muito melhor que os motores a combustão, mas o armazenamento de energia em baterias é uma porcaria quando comparado a um ‘tanque de gasolina’.
    A mais de 100 anos que andam a tentar os carros elétricos e falham sempre.
    Acham que os carros elétricos agora é que são bons e podem substituir os de gasolina?
    Não a dúvida que a tecnologia esta muito mais avançada, mas se não fossem os biliões que os governos e os mercados (financiados pelos governos) ‘enterram’ nesta industria ninguém esta a pensar nisto.
    Por exemplo, a Tesla não tem lucro com os carros que vendem, mas com as negociatas da BitCoin e dos Créditos de Carbono.
    Não há dúvidas que devemos encontrar formas alternativa, seja elétrico, hidrogénio, mesmo a gasolina, etc., agora estar a vender a ilusão que tudo o que é eletrifico é que vai ser bom..
    Notasse muito bem que a Comissão Europeia não sabe o que esta a fazer e depois manda bitaites para o ar que vão acabar por destruir a industria e economia Europeia, fazendo com que haja cada vez mais pobreza e desigualdades.

  2. YOU OWN NOTHING AND YOU’LL BE HAPPY!

    é o mote do criminoso Klaus Schwab que a UE leva muito a peito, mas a plebe continua a acreditar que é tudo para seu bem.

    basta aliás ver o que se vai passando com a total destruição das economias por causa de um virus cuja taxa de sobrevivência sem qq internamento hospitalar é de mais de 99%.

  3. Mas que automóveis??? Uma carrinha comercial é um automóvel também. Só Porto Lisboa, se estiver carregada tem de parar em todos os pontos de carga e andar devagarinho. É multiplicar por centenas. Estão-se a esquecer que a Europa endividou-se devido ao Covid e não é a ficar menos competitiva que o resto do mundo que vai conseguir pagar a dívida.

  4. Ridiculo ! sabem que tecnologias existirao em 2035 ! que sistemas de filtragem ou anulaçao podem existir nessa altura ,espero nao ter de andar em um carro electrico que nao polui ,mas que a sua construçao foi mais danosa para o ambiente e uma boa parte da electricidade que gasta nao venha de mostruosos Geradores a Diesel , Carvao ou outra fonte ainda mais poluidora que os actuais combustiveis

  5. Ano 2040. Alemanha. Cheias devastadoras. A UE envia ajuda para as populações afectadas.

    Ops… As ambulâncias e veículos todo-o-terreno são eléctricos e não podem ir a locais com mais de 50cm de água…

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