UE e EUA não reconhecem Lukashenko como Presidente da Bielorrússia

Andrei Stasevich / (H) Belta

Aleksandr Lukashenko, Presidente da Bielorrússia

A União Europeia e os Estados Unidos recusam-se a reconhecer Alexandre Lukashenko como presidente legitimamente eleito da Bielorrússia.

Apesar da tomada de posse inesperada, o chefe da diplomacia europeia, citado pela agência Lusa, chama a atenção para os “resultados falsificados” da eleição de agosto passado e refere ainda a “falta de qualquer legitimidade democrática”.

“As eleições de 9 de agosto não foram livres nem justas. A UE não reconhece os resultados falsificados. Como resultado, o chamado ‘juramento’ de 23 de setembro e o novo mandato que Alexandre Lukashenko assumiu não têm legitimidade democrática e contradizem diretamente a vontade de grandes setores da população bielorrussa”, considerou Josep Borrell, citado em comunicado.

Também os Estados Unidos “não podem considerar Alexandre Lukashenko como o presidente legitimamente eleito da Bielorrússia”, declarou esta quarta-feira o Departamento de Estado norte-americano, segundo noticiou a AFP.

“As eleições de 9 de agosto não foram nem livres nem justas. Os resultados anunciados foram manipulados e não conferem qualquer legitimidade”, afirmou à agência noticiosa um porta-voz da diplomacia norte-americana.

Lukashenko, cuja reeleição é fortemente contestada por milhares de pessoas em manifestações nas ruas do país, foi esta quarta-feira empossado no cargo numa cerimónia em que prestou juramento em segredo para um sexto mandato e que só foi divulgada depois, o que provocou uma nova manifestação da oposição na capital Minsk.

Washington apelou a um “diálogo nacional” que permita aos bielorrussos “usufruir do seu direito de escolher os seus dirigentes em eleições livres e justas sob observação internacional”. “Libertar os detidos de forma injusta e pôr fim à repressão contra os cidadãos que se manifestam pacificamente deve ser uma primeira etapa em direção a um diálogo nacional sincero”, acrescentou o Departamento de Estado.

Eleito com 80,1% dos votos, segundo dados oficiais

Segundo dados oficiais, Lukashenko foi reeleito com 80,1% dos votos nas eleições de 09 de agosto, resultado não reconhecido pela oposição ou pelo Ocidente e que desencadeou a maior vaga de protestos da história pós-soviética na Bielorrússia.

Após a posse, a oposição bielorrussa apelou aos protestos por tempo indeterminado. “Nunca aceitaremos as fraudes e exigimos novas eleições”, disse Pavel Latushko, um dos líderes da oposição bielorrussa, numa mensagem publicada na rede social Telegram.

Latushko, ex-ministro da Cultura e membro do conselho de coordenação para a transferência pacífica do poder na Bielorrússia (entidade criada pela oposição), acrescentou que esta plataforma da oposição apela a todos a “uma ação de desobediência indefinida”.

A Bielorrússia tem sido palco de várias manifestações desde 9 de agosto. Nos primeiros dias de protestos, a polícia deteve cerca de 7.000 pessoas e reprimiu centenas, suscitando protestos internacionais e ameaça de sanções.

Os Estados Unidos, a União Europeia (UE) e diversos países vizinhos da Bielorrússia rejeitaram a vitória eleitoral de Lukashenko e condenaram a repressão policial, exortando Minsk a estabelecer diálogo com a oposição. A Alemanha já reagiu à tomada de posse de Lukashenko e afirmou que não a reconhece por “falta de legitimidade democrática”.

Não foram preenchidas as exigências mínimas para eleições democráticas”, denunciou em conferência de imprensa o porta-voz do Governo alemão, Steffen Seibert, acrescentando que as contestadas eleições presidenciais de 09 de agosto na Bielorrússia “não foram nem justas nem livres”. O Governo alemão apelou ainda, através do seu porta-voz, à “libertação de todos os presos políticos” e exortou as autoridades bielorrussas a prescindirem do uso da força contra os manifestantes.

ZAP // Lusa

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