Ucranianos apelam à AR que reconheça Rússia como Estado terrorista

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José Sena Goulão /LUSA

Um grupo de ucranianos vai pedir à Assembleia da República (AR) portuguesa que reconheça a Rússia como um Estado terrorista e que apoie a investigação aos crimes de guerra cometidos contra a Ucrânia, disse este domingo o presidente da Associação de Ucranianos em Portugal.

Em declarações à agência Lusa, Pavlo Sadokha afirmou que o pedido vai seguir através de uma carta dirigida ao presidente da AR, Augusto Santos Silva, na sequência de dois casos recentes: o bombardeamento à antiga prisão de Olenivka, na província de Donetsk, ocupada pelos russos, que matou pelo menos 50 prisioneiros de guerra ucranianos, e a castração de um cidadão ucraniano.

Este domingo de manhã, algumas dezenas de ucranianos manifestaram-se em frente à embaixada da Rússia em Lisboa contra o ataque que matou 50 prisioneiros de guerra da Ucrânia na região separatista de Donetsk, num protesto em que participou a ainda embaixadora da Ucrânia em Portugal, Inna Ohnivets.

No evento, os manifestantes apelaram precisamente para o reconhecimento da Rússia como um Estado terrorista, exibindo cartazes com imagens do ataque e do Presidente russo, Vladimir Putin.

Na carta que vão enviar a Santos Silva, a que a Lusa teve acesso, os ucranianos em Portugal apelam para que a AR apoie “o processo de investigação e de julgamento dos crimes cometidos pela Federação Russa na Ucrânia”, “qualifique a Federação Russa como um Estado terrorista” e “reconheça os atos cometidos pela Federação Russa na Ucrânia como crimes de genocídio”.

“A gravidade da situação exige que às palavras de solidariedade se sucedam atos concretos. Estamos certos de que Portugal não será insensível ao nosso apelo”, consideraram os autores da carta.

Os ucranianos destacaram o caso concreto do ataque de sexta-feira a uma prisão em Donetsk, que destruiu “o edifício em que prisioneiros de guerra ucranianos se encontravam detidos”.

“De acordo com informações dos próprios invasores, mais de 50 militares ucranianos foram mortos e 140 ficaram feridos. Também de acordo com as mesmas fontes, nenhum dos guardas prisionais ou militares russos presentes no local foi morto ou ferido em resultado dos bombardeamentos”, escreveram.

“Após o sucedido, a Rússia apressou-se a acusar a Ucrânia de ter sido responsável pelo bombardeamento do campo de prisioneiros, alegadamente com recurso a armamento norte-americano. No entanto, todos os indícios apontam para um ato deliberado, por parte dos russos, com o objectivo de matar os prisioneiros ucranianos”, consideraram igualmente.

Os autores da carta destacaram “outra evidência recente da desumanidade dos invasores russos”, que foi a castração de um prisioneiro de guerra ucraniano.

“Estes dois crimes hediondos fazem parte de um já longuíssimo cortejo de atrocidades, em que civis ucranianos são assassinados, incluindo crianças, ou sujeitos a deportação, a tortura e a violação. Estamos perante um conjunto de crimes que exigem a condenação urgente de todas as nações civilizadas, incluindo a portuguesa, e que não podem deixar de ser reconhecidos por aquilo que efetivamente são: atos de genocídio contra o povo ucraniano cometidos por um regime que pratica o terrorismo de Estado”, justificaram,

“As autoridades políticas e militares russas têm por objetivo eliminar o maior número possível de Ucranianos, destruir o país e apagar a sua identidade nacional”, o que faz com que a negociação e o diálogo sejam impossíveis, disseram ainda.

  Lusa //

4 Comments

  1. Então tem de se reconhecer que os EUA, Países Ocidentais que invadiram o Iraque com provas falas são também Países terroristas, quero que o Putin e o zelenskyy se qilhem são farinha do mesmo saco.

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