E Tudo o Vento Levou volta à HBO Max, agora com alerta para “horrores da escravatura”

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E Tudo O Vento Levou no Fantasporto 2014

Mais de duas semanas depois de E Tudo o Vento Levou, o clássico de 1939, ter sido inicialmente removido do catálogo do serviço de streaming da HBO Max, este voltou a estar disponível para visualização.

O filme vem agora acompanhado com contexto adicional e um aviso sobre a história que “nega os horrores da escravidão”.

Agora, quando o espectador decidir ver o filme, antes deste começar, surge um vídeo da apresentadora do canal TCM e professora de estudos de cinema e de media na Universidade de Chicago, Jacqueline Stewart, que alerta: “O espectador está prestes a assistir a um dos filmes mais duradouros e populares de sempre”, mas “tem sido repetidamente criticado, até mesmo quando a sua produção foi inicialmente anunciada”, por causa da representação romantizada do período “Antebellum South”, pré-guerra civil, utilizando estereótipos para criar as personagens afro-americanas.

Recorde-se que a expressão “Antebellum South” é utilizada para descrever o ambiente no sul dos Estados Unidos, nas vésperas da guerra civil, onde existiu um período de grande crescimento económico, sustentado na utilização de escravos negros.

O vencedor do Óscar de Melhor Filme, em 1940, vem agora igualmente acompanhado por dois vídeos que servem de contextualização da história face à problemática do racismo. O primeiro, com a duração de uma hora, chama-se “Tudo o Vento Levou: Um Legado Complicado” e é, como o título indica, uma discussão liderada por um painel, em torno do legado complicado que o filme carrega. O outro tem como título “Hattie McDaniel: Que Personagem!”, tudo isto para além do próprio vídeo introdutório de Stewart.

Na sua introdução, Stewart acrescenta que “ver E Tudo o Vento Levou pode ser desconfortável, até mesmo doloroso.

Mas é importante que os clássicos de Hollywood estejam disponíveis para nós no seu formato original, podendo assim ser vistos e alvo de discussão”. Ver este tipo de filmes pode permitir ao espectador fazer uma reflexão em torno dos seus próprios valores, mas também em relação à história de Hollywood e à forma como a cultura pop decidiu representar eras anteriores, sugestiona a professora de estudos de cinema.

“O produtor do filme, David O. Selznick, estava, na altura, bem ciente de que a audiência negra estava bastante preocupada com a maneira que o filme escolheu para tratar o tema da escravidão e o seu tratamento face às personagens negras”, diz ainda Jacqueline Stewart nas suas declarações em vídeo.

“Apesar de Selznick ter inicialmente assegurado os espectadores afro-americanos de que o filme ia responder de forma sensível às suas preocupações, E Tudo o Vento Levou não demonstrou essa promessa. Ao invés, representou o Antebellum South como um mundo de beleza e graciosidade, sem reconhecer nem representar a brutalidade que envolvia o sistema de escravidão em que este mundo se inseria”, pode também ouvir-se na introdução ao filme.

Stewart conclui a sua exposição ao referir que “o tratamento que o filme dá a este mundo por via de uma visão nostálgica, tem como grande consequência o facto de negar os horrores da escravidão, bem como o seu legado de desigualdade racial”.

Filme já fazia parte do catálogo da plataforma

O clássico E Tudo o Vento Levou foi removido do catálogo da HBO a 9 de junho, no meio de uma onda de protestos contra o racismo sistémico, nos Estados Unidos, depois dos assassinatos de George Floyd e Breonna Taylor às mãos da polícia.

Num texto de opinião publicado no Los Angeles Times, a 8 de junho, o argumentista do filme 12 anos Escravo, John Ridley, chamou a atenção da HBO Max, para a plataforma de streaming considerar remover E Tudo o Vento Levou, porque “é um filme que glorifica o Antebellum South” e “quando não está a ignorar os horrores da escravidão, pausa apenas para perpetuar alguns dos menos dignificantes estereótipos das pessoas de cor.”

Em resposta a este pedido, a HBO Max revelou que ia mesmo remover temporariamente o filme do seu serviço, para retornar mais tarde acompanhado de “uma discussão em torno do seu contexto histórico e uma denúncia dessas mesmas representações históricas controversas. Estas representações racistas estavam erradas na altura e estão erradas hoje”. Após o anúncio desta decisão de retirada, o filme viu os seus níveis de popularidade crescerem novamente, ascendendo ao primeiro lugar de vendas da Amazon, dada a curiosidade das pessoas da nova geração em torno das representações problemáticas que o argumento espelha.

E Tudo o Vento Levou é uma adaptação do livro de 1936 com o mesmo nome, da autora Margaret Mitchell, e tornou-se num dos filmes mais lucrativos da história, tendo ganho oito Óscares, incluindo o Óscar de Melhor Atriz Secundária para a atriz Hattie McDaniel, que interpretou o papel de Mammy, uma serva e escrava da plantação de Tara.

Apesar de ter sido a primeira pessoa negra a ganhar um Óscar, McDaniel e os seus colegas negros não puderam estar na pré-estreia do filme, em Georgia, por causa das leis Jim Crow que estavam em vigor na altura.

Para além disso, na cerimónia da Academia de entrega dos Óscares, Hattie foi obrigada a sentar-se ao fundo da sala, longe do resto do elenco do filme.

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