Trump recua. Afinal, empresas norte-americanas já não têm de sair de Pequim

Doug Mills / EPA

Donald Trump recuou na sua última ameaça em relação à China. Este domingo, à margem da cimeira do G7, em Biarritz, o Presidente norte-americano garantiu que não tem qualquer plano, “neste momento”, para recorrer ao mecanismo que lhe permitia obrigar as empresas norte-americanas a sair da China.

O recuo acontece apenas dois dias depois de Trump ter ordenado à empresas que procurassem “imediatamente” uma alternativa ao mercado chinês. No Twitter, o Presidente norte-americano especificou que as empresas deveriam voltar para os Estados Unidos e passar a fabricar todos os seus produtos no país. Depois, ameaçou com novas tarifas aos produtos chineses.

Questionado sobre se tinha tido dúvidas sobre a postura e se tinha pensado melhor, respondeu que isso é natural porque tem dúvidas sobre tudo. “Porque não?”, questionou, explicando que agora as conversações com Pequim estão a melhorar.

“Estamos a dar-nos muito bem com a China, neste momento. Estamos a falar. Penso que eles querem chegar a um acordo muito mais que eu.”

O Presidente não excluiu, ainda assim, a possibilidade de voltar atrás e renovar a ordem às empresas norte-americanas. Trump diz que, para isso, só precisa de declarar uma emergência nacional: “Bom, tenho o direito de fazer isso. Se eu quiser, posso declarar uma emergência nacional”.

Esta segunda-feira, o presidente norte-americano anunciou que os Estados Unidos retomarão “muito em breve” as negociações comerciais com a China. Trump disse que o seu Governo recebeu uma comunicação das autoridades chinesas indicando o desejo de voltar à mesa das negociações para discutir um acordo comercial.

“A China ligou ontem [domingo] à noite (…). Disse: ‘vamos voltar para a mesa de negociação’, logo, voltaremos (…). Vamos começar a negociar novamente muito em breve”, disse Trump à margem da cimeira do G7, em Biarritz, no sudoeste da França.

A cimeira do G7, que junta os dirigentes da França, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Itália, Canadá e Japão, termina esta segunda-feira. A energia nuclear do Irão e os incêndios na Amazónia têm dominado as discussões.

Na sexta-feira, os tweets de Trump tiveram efeitos imediatos na bolsa. O Dow Jones desceu 2,3%, o S&P 2,6% e o Nasdaq 3%, uma das maiores registadas este mês. O impacto sentiu-se também nas tecnológicas. A Apple, por exemplo, que precisa do mercado chinês, teve uma queda de 4,6% nas ações.

ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Coitado, fala sem ter a mínima noção da realidade e depois lá tem que estar sempre a desmentir/dizer o oposto do que disse no dia anterior!…
    Além de que foram empresários como ele que “entregaram o ouro ao bandido” ao ir produzir para a China para aumentar as margens de lucro, quando já toda a gente sabia que os chinocas copiam tudo e não tem qualquer respeito pela propriedade intelectual!…

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