Trump prepara ordem executiva contra redes sociais. Quer reduzir proteções legais das empresas

Jason Szenes / EPA

O Presidente norte-americano, Donald Trump, vai assinar esta quinta-feira uma ordem executiva sobre as redes sociais, anunciou a Casa Branca, dois dias depois de o Twitter ter assinalado mensagens de Donald Trump com alertas de verificação de factos.

A porta-voz da Casa Branca, Kayleigh McEnany, comunicou aos jornalistas as intenções do Presidente, sem no entanto precisar o conteúdo daquela ordem.

No entanto, de acordo com a agência Reuters, que teve acesso a uma versão inicial da ordem executiva, Trump pretende reduzir as proteções legais que as empresas usufrem e que as escudam de responsabilidade por declarações falsas ou ofensivas que possam ser publicadas nas suas plataformas.

Neste versão, é pedido que a Comissão Federal de Comunicações analise as políticas usadas pelas redes sociais para moderar o conteúdo publicado e é reestabelecida uma ferramenta para ajudar os cidadãos a reportarem o que consideram ser casos de censura online.

Trump propõe ainda que sejam criados grupos de trabalho para regular as empresas, monitorizar utilizadores e rever o orçamento público gasto em publicidade online.

De acordo com o jornal norte-americano The New York Times, esta revisão da lei pode facilitar aos reguladores a penalização das redes sociais por censura.

Na terça-feira, a rede social Twitter assinalou pela primeira vez dois tweets do Presidente dos Estados Unidos com um link de “verificação de factos” no rodapé das mensagens em questão, por considerar “infundadas” e “potencialmente enganosas” as afirmações de Trump relacionadas com o voto por correspondência no país.

Este procedimento nunca tinha sido aplicado ao chefe de Estado norte-americano, que conta com mais de 80 milhões de seguidores no Twitter.

O alerta do Twitter ocorreu depois de Trump ter difundido afirmações em que assegurava que o voto por correspondência nas presidenciais de novembro nos Estados Unidos pode ter consequências fraudulentas.

Trump falava depois de o governador da Califórnia, o democrata Gavin Newsom, ter decidido enviar boletins de voto por correspondência a todos os eleitores registados no estado, como medida excecional para a votação no contexto da atual epidemia da covid-19.

Em reação à decisão da rede social, Trump rejeitou, ainda na terça-feira, a interferência do Twitter na “liberdade de expressão”, acusando a plataforma de interferir nas eleições presidenciais agendadas para novembro deste ano. “O Twitter está a reprimir por completo a liberdade de expressão e eu, como Presidente, não o vou permitir”, declarou.

Na quarta-feira, Trump ameaçou mesmo regular ou fechar as redes sociais. “Os republicanos sentem que as plataformas de redes sociais censuram totalmente as vozes conservadoras. Vamos regulamentá-las severamente, ou fechá-las, para evitar que isso aconteça”, escreveu o chefe de Estado norte-americano naquela rede social.

O Twitter é a rede social mais utilizada por Trump para comunicar diretamente com apoiantes os seus simpatizantes, sem passar pelo filtro do jornalismo.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. E o idiota volta a atacar.

    O que me surpreende nem é esta desculpa de ser humano fazer este tipo de coisa quando contrariado. É apenas ‘ele’ a ser ‘ele’.

    O que me surpreende (e preocupa) verdadeiramente, é a quantidade de apoios que este personagem, mesmo assim, vai tendo dentro e fora de portas. Inacreditável!!

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