Estes traços psicológicos podem ajudar a identificar pessoas vulneráveis ao extremismo

As características dos cérebros das pessoas podem oferecer pistas sobre as suas crenças políticas, sugere um novo estudo científico.

Num estudo com cerca de 350 cidadãos norte-americanos, uma equipa de investigadores examinou a relação entre as características cognitivas dos indivíduos – as maneiras inconscientes pelas quais os seus cérebros aprendem e processam informações do ambiente – e as suas visões ideológicas do mundo.

Os cientistas encontraram paralelos entre o desempenho daqueles com visões extremistas em jogos cognitivos e o tipo de atitudes políticas, religiosas e dogmáticas às quais aderem. Os resultados foram publicados recentemente na revista Philosophical Transactions of the Royal Society B.

Cada participante do estudo completou uma grande variedade de testes de personalidade e recebeu tarefas neuropsicológicas destinadas a explorar diferenças individuais implícitas em como aprendemos com o ambiente, tomamos decisões e reagimos a mudanças ou desafios.

Numa tarefa, os participantes tiveram que determinar se um grupo de pontos estava a mover-se para a esquerda ou para a direita. Noutra, eles tinham de memorizar uma série de formas ou números e, de seguida, relatar a ordem em que apareciam. Os investigadores usaram o desempenho dos participantes nestes “jogos cognitivos” para extrair informações sobre a sua perceção, aprendizagem e capacidade de se envolver num processamento mental complexo e estratégico.

Os investigadores descobriram que indivíduos com atitudes extremistas tendiam a ter um desempenho mau em tarefas mentais complexas – eles tinham dificuldades para completar testes psicológicos que requerem etapas complexas.

Pessoas que endossam a violência para proteger o seu grupo ideológico também possuem fracas habilidades de controlo emocional – são mais impulsivas e buscam sensações e emoções. Isto faz sentido quando imaginamos o tipo de indivíduo que está disposto a prejudicar outros inocentes por causa de uma ideologia.

Os autores também analisaram a assinatura psicológica de diferentes visões políticas. Em algumas tarefas cognitivas, foi pedido que os participantes respondessem o mais rápida e precisamente possível. Descobriu-se que algumas pessoas priorizam estratégias mentais lentas e constantes, enquanto outras, inconscientemente, optam por estratégias rápidas e frenéticas que sacrificam a precisão, mas que se destacam na velocidade.

Os conservadores políticos eram mais cautelosos nestes casos; os seus cérebros optaram por abordagens mais lentas e precisas. Em contraste, as mentes dos liberais políticos, e daqueles que acreditam que o status quo existente deve ser revisto, tinham maior probabilidade de adotar estratégias percetivas mais rápidas e menos precisas.

Mentes dogmáticas

Os investigadores não olharam para os dados com hipóteses predeterminadas. Queriam deixar os dados “falarem” por si próprios. Esta abordagem também revelou outra impressão digital psicológica inesperada: a natureza da mente dogmática.

Os participantes dogmáticos que resistiam a atualizar as suas crenças em resposta a evidências novas e confiáveis eram mais lentos a processar as evidências em tarefas percetivas. Portanto, quando solicitados a determinar se os pontos estavam a mover-se para a esquerda ou para a direita do ecrã, eles demoraram mais para processar as informações e tomar uma decisão.

Indivíduos dogmáticos também tinham uma personalidade mais impulsiva, o que significa que estavam a tomar decisões prematuras com base em evidências que eram mal compreendidas. Isto significa que, se o nosso cérebro for mais lento a associar as evidências no seu ambiente percetivo, podemos inadvertidamente tornar-nos mais resistentes às evidências e perspetivas alternativas.

  ZAP // The Conversation

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1 COMENTÁRIO

  1. Certamente, um “selo de qualidade” para qualquer apoiante do chega. Ficamos a entender melhor porque não vale a pena tentar racionalizar com essa gente. Simplesmente, não têm inteligência para perceber.

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