Touro abatido em Monsaraz, pela primeira vez com autorização

Um touro foi abatido este sábado à tarde na vila medieval de Monsaraz, no Alentejo, no final de um espetáculo com touro de morte autorizado pela primeira vez pela Inspeção-geral das Atividades Culturais (IGAC).

A estocada final foi dada cerca das 19h50, depois de o touro, à semelhança de anos anteriores, ter sido laçado e preso ao muro da arena improvisada, na antiga praça de armas do castelo de Monsaraz, histórica povoação localizada nas margens da albufeira de Alqueva, no concelho de Reguengos de Monsaraz.

Na sequência da autorização dada pela IGAC, na sexta-feira, o animal já não foi coberto este sábado por um pano escuro, no momento em que foi abatido, ao contrário do que aconteceu em anos anteriores.

Os promotores da novilhada popular sempre reivindicaram o mesmo regime de exceção concedido a Barrancos em 2002, tendo, mais tarde, recorrido a providências cautelares e a ações administrativas para tentar legalizar o espetáculo.

Na sexta-feira, a IGAC concedeu, pela primeira vez, autorização para a realização do espetáculo com touro de morte em Monsaraz, na sequência de duas decisões em tribunal que já tinham transitado em julgado”, explicou à agência Lusa o presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, José Calixto.

Considerando que “finalmente foram reconhecidas as sentenças já proferidas”, o autarca reiterou que “o povo de Monsaraz tem razão, dada pelos tribunais”, e que “tardou o seu reconhecimento pelas autoridades do poder central”.

A novilhada de hoje, em que foi cumprida a tradição de morte do touro reivindicada pela população local, contou com uma assistência de cerca de 1.500 pessoas, que quase enchia o castelo.

Após ter sido abatido, o touro foi puxado por populares para o meio da arena improvisada.

A novilhada com touro de morte, o último lidado, faz parte do programa das festas em honra de Nosso Senhor Jesus dos Passos, que se realizam anualmente no segundo fim de semana de setembro em Monsaraz.

Segundo a tradição reivindicada pela população e autarquias locais, o espetáculo taurino – de caráter amador e popular e que termina com a morte ritualizada do touro no final da lide – realiza-se desde 1877, de forma ininterrupta.

A legislação, em vigor desde 2002, estabelece que a realização de “qualquer espetáculo com touros de morte é excecionalmente autorizada no caso em que sejam de atender tradições locais que se tenham mantido, de forma ininterrupta, pelo menos, nos 50 anos anteriores à entrada em vigor do diploma, como expressão de cultura popular, nos dias em que o evento histórico se realize”.

Nos últimos anos, a IGAC recusou conceder autorização excecional para o espetáculo com touro de morte, mas a população de Monsaraz cumpriu sempre a tradição, apesar da proibição.

/Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. O touro é abatido exatamente como nos matadouros. Eu condeno é o facto de se espetarem bandarilhas no animal provocando-lhe sofrimento.

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