Thomas Edison não inventou a lâmpada. Há um grupo de homens que merece crédito

Everett Collection / Canva

Thomas A. Edison (1847-1931).

Thomas Edison é o autor de muitas invenções que revolucionaram o mundo, mas o norte-americano é, por vezes, reconhecido por algo que não foi propriamente ele que criou: a lâmpada elétrica.

A patente de Edison explicita que se trata de “uma melhoria” dos modelos anteriores. Como tal, o homem natural do estado do Ohio comprou as patentes de inventores para criar um modelo mais prático, eficiente e económico da lâmpada elétrica. Mas então, afinal de contas, quem foi o verdadeiro criador cujo crédito raramente lhe é reconhecido?

A resposta não é certa, mas calcula-se que se tenha tratado de Alessandro Volta, em 1800. Inicialmente conhecida como “pilha voltaica”, era uma bateria feita de cobre, zinco, cartão e água salgada. Quando esta era envolvida com um fio de cobre em cada extremidade, conduzia eletricidade. Aliás, como realça o All That’s Interesting, a unidade de medida ‘volt’ vem do nome do inventor italiano.

Seis anos mais tarde, o inventor britânico Humphry Davy avançou um uma melhoria que permitia produzir uma corrente mais confiável. Como eram difíceis de usar, eram maioritariamente empregadas em áreas públicas das cidades.

No entanto, o que acontecia era que o material das lâmpadas aquecia demais e acabava mesmo por queimar ou derreter. Em 1835, foi a vez de James Bowman Lindsay dar o seu contributo. O cientistas escocês mostrou que era possível criar uma lâmpada funcional com um filamento feito de cobre.

Warren de la Rue foi a figura da melhoria que se seguiu. O britânico sugeriu que o segredo estava em usar um filamento de platina em vez de um de cobre preso dentro de um tubo da vácuo. Todavia, o preço elevado da platina limitou em grande parte o sucesso da sua lâmpada.

Também Joseph Swan começou e estudar alternativas possíveis, tendo em conta o custo-eficiência da sua produção. O britânico usou um filamento de algodão embebido em ácido e selado a vácuo no bulbo. Esta acabou por também não ser a alternativa ideal, já que era necessária muita eletricidade para que a lâmpada brilhasse devido à espessura do filamento usado.

Foi então que norte-americano de 31 anos, Thomas Alva Edison, solucionou todos os problemas que os inventores encontravam. Edison queria produzir uma lâmpada que fosse altamente funcional, barata e confiável e, para tal, estudou a sua competição e viu uma luz ao fundo do túnel na lâmpada de Swan.

Em outubro de 1878, Edison criou uma lâmpada com um filamento de platina que brilhou por 40 minutos antes de se apagar — encontrando o mesmo problema que os seus antecessores.

Graças a um empréstimo de 300 mil dólares, Thomas Edison foi tentando em mais de 1.400 experiências com 300 tipos de filamentos diferentes. Em 1879, um dos seus designs com um filamento de algodão mais fino do que aquele usado por Swan, fez com que a sua lâmpada aguentasse 14,5 horas.

Mais tarde, viria a usar um filamento derivado de bambu que fez a lâmpada brilhar durante 1.200 horas. A 27 de janeiro de 1880, registou a patente para a lâmpada incandescente prática “aprimorada”.

Everett Collection / Canva

Edison e a sua equipa de engenheiros.

Enquanto Edison e a sua equipa continuavam a melhorar a sua invenção, Swan continuou a trabalhar no seu próprio protótipo e, no mesmo mês em que Edison registou a patente, o britânico anunciou que tinha aperfeiçoado a sua lâmpada inicial, obtendo uma patente em novembro desse mesmo ano.

A casa de Swan foi a primeira na história a ser iluminada com luz elétrica e foi o responsável por iluminar o primeiro edifício público: o Savoy Theatre, em 1881.

Depois de Swan estabelecer a sua empresa, Edison processou-o por violação de direitos de autor. No entanto, o norte-americano perdeu nos tribunais, mas os dois acabaram por fundir as suas empresas, dominando o mercado britânico na altura.

Como tal, Swan foi obrigado a reconhecer as patentes de Edison. Graças a um maior esforço a publicitar a sua invenção, Thomas Edison foi sempre visto como o verdadeiro inventor da lâmpada, embora a realidade seja bem diferente.

ZAP //

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15 COMENTÁRIOS

    • Não sei em que planeta vives, mas na Terra fazem tanta questão de esquecer o Tesla que ate há uma marca de carros elétricos com esse nome!…

      • Bem respondido, e agora até há uma chamada Nikola. Tesla é também a unidade de medida do campo magnético. Além disso, em 1880, ano em que o Edison e o Swan registaram as patentes ainda andava o Nikola Tesla era um jovem a tentar perceber o que ia fazer da vida.

        É um facto que o Nikola Tesla tem estado sempre na moda nas teorias da conspiração da Internet, mesmo quando isso não faz absolutamente nenhum sentido.

        • Eu nem sabia que havia teorias da conspiração envolvendo o Tesla… então deve ser daí que vem o “brilhante” primeiro comentário!…
          Não tenho Facebook,etc e portanto certas polémicas apalermadas passam-me ao lado…

    • O Tesla notabilizou-se noutra entidade eléctrica – descobriu a produção de electricidade alternada e competiu com o Edison (que defendia o uso de electricidade contínua) em relação a qual delas deveria ser usada industrialmente, em transportes e em iluminação.

        • A electricidade não é só corrente, também é tensão. As expressões corrente contínua e corrente alternada são formas commumente usadas mas é mais correcto as expressões que usei no meu comentário anterior.

            • Volto a repetir: a electricidade caracteriza-se por tensão ou voltagem (Volt como unidade) e intensidade ou corrente (Ampere como unidade). Designar a electricidade alternada por corrente alternada ou a electricidade contínua por corrente contínua são apenas as designações habituais mas encerram alguma incorrecção. No caso da corrente contínua, a sua direcção (de + para -) também está errada visto que as partículas que se deslocam são electrões e são negativas. No entanto, nos cálculos estipulou-se que a direcção é contrária à real. A nível da Electrónica também há um erro grosseiro que é chamar digital aquilo que é binário. Em lógica binária temos dois valores lógicos: “0” e “1”. Por que raio se há-de empregar a palavra “digital” que diz respeito aos dedos? Alguns dicionários referem digital como referente aos números de 0 a 9.

          • Ok, estou a ver que é apenas a tua opinião pessoal…
            Alguma incorrecção??
            Porquê?
            Nunca vi os termos “electricidade alternada” ou “electricidade contínua” e trabalho com elas todos os dias!!
            Voltagem?!
            Ai… é tensão ou diferença de potencial!!
            Sim, há o sentido real e sentido convencional da corrente; mas o que tem isso a ver com chamar “electricidade alternada” à Corrente Alternada?!

            • Dei-lhe alguns exemplos de designações que envolvem algumas incorrecções, da electricidade à electrónica. Pelos vistos não entendeu o meu objectivo. Fique lá com as “suas” designações incontestáveis. Ah… também lido todos os dias com Electricidade há mais de 30 anos – sou engenheiro electrotécnico e trabalho em automação e manutenção industrial.

          • Não deu qualquer exemplo!!
            Continuo à espera das “incorrecções” nas designações: Corrente Alternada (AC) e Corrente Contínua (DC)!…
            Não são as “minhas” designações – são as designações universais!!
            .
            Um engenheiro electrotécnico a escrever “voltagem”?!
            Ai, ai….

            • Suas foi grafada com aspas. Lamento não ter percebido. Em relação às “voltagem” não preciso que me diga que é tensão porque eu disse no meu comentário que era tensão ou voltagem. O termo voltagem é uma designação não técnica, utilizada pelo comum dos cidadãos não técnicos. Tal como amperagem, ao invés de intensidade ou corrente. O Sr também concorda com a designação “IVA da luz”, como surgiu recentemente em muitos órgãos de comunicação? Isso é que é uma saloiada. Eu como engenheiro electrotécnico sei usar os vários termos consoante o “público-alvo” a que me estou a dirigir. Fui formador e sei como se deve proceder. Sei que o pessoal não técnico tem uma dificuldade enorme em distinguir tensão de corrente ou, voltagem de amperagem. Por isso, em algumas das minhas formações, apresentei a analogia com pressão e caudal e aí todos percebiam. Não preciso que me venha com toques irónicos subliminares porque está a perder o seu tempo. Já agora, não tem nenhuma opinião sobre o facto de chamarem digital ao que é binário?

  1. Afinal Volta inventou a pilha eléctrica ou a lâmpada? A descrição “Inicialmente conhecida como “pilha voltaica”, era uma bateria feita de cobre, zinco, cartão e água salgada.” corresponde à de uma pilha. Bateria é um conjunto de células individuais e lâmpada consistia na altura em algo que tinha um filamento que emitia luz quando aquecido. Antes de traduzir (mal) leiam o que está escrito! E, para que fique claro, em nenhum livro de electricidade ou de Física consta que alguma vez Volta tenha inventado a lâmpada, a não ser que os anglo-saxónicos tenham agora desoberto algo que durante 200 anos esteve escondido.

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