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Terceira edição da Web Summit arranca hoje em Lisboa (onde vai ficar até 2028)

Tiago Petinga / Lusa

O primeiro-ministro, António Costa, com o fundador da Web Summit, Paddy Cosgrave

Desde que se mudou para Lisboa, a Web Summit tem andado de mãos dadas com a política portuguesa. O resultado desta relação é a permanência da conferência que ajudou a pôr o país no mapa da tecnologia até 2028.

A 3ª edição da Web Summit em Lisboa arranca esta segunda-feira e volta a trazer 70 mil participantes, centenas de oradores, empresas e startups em busca de clientes e investidores.

“A Web Summit está a construir uma notoriedade gigantesca à volta de Portugal e de Lisboa. É o momento em que está toda a gente no mesmo sítio. Independentemente dos resultados diretos, que são sempre difíceis de avaliar, é muito positivo”, considera Celso Martinho, da Bright Pixel, uma empresa de investimento e incubação de startups, citado pelo jornal Público.

Foi em setembro de 2015 que o fundador do evento, Paddy Cosgrave, anunciou, ao lado do então ministro Paulo Portas, que a maior feira de startups da Europa viria no ano seguinte para a capital portuguesa. A razão: Lisboa tinha melhores instalações para a conferência e mais hotéis.

Além disso, o Governo tinha oferecido 1,3 milhões de euros em serviços de apoio ao evento. Algum tempo depois, viriam a público os emails trocados entre Cosgrave e o gabinete do primeiro ministro da Irlanda, onde a Web Summit nasceu, nos quais o responsável se queixava de não conseguir sequer uma resposta do governante.

Logo após o anúncio, o ciclo político mudou. António Costa tornou-se primeiro-ministro e o novo Governo desdobrou-se em esforços para apoiar o evento. Foi criado um grupo de trabalho para acompanhar a conferência, bem como um programa para oferecer a entrada a dezenas de startups portuguesas.

Tornou-se frequente ver governantes em eventos associados à Web Summit. O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior participou na divulgação de bilhetes mais baratos para estudantes, o presidente da câmara de Lisboa, Fernando Medina, entregou simbolicamente as chaves da cidade a Cosgrave e a sessão de encerramento do ano passado contou – como acontecerá este ano – com o Presidente da República.

A relação entre a Web Summit e as autoridades portuguesas também já teve polémicas. Um jantar organizado pela conferência no Panteão Nacional deu origem a uma controvérsia que levou o Governo avançar com uma alteração da lei.

Mais recentemente, o convite feito pela organização a Marine Le Pen, líder do partido francês de extrema direita Reagrupamento Nacional, motivou uma troca de recados na imprensa entre Cosgrave e o Ministério da Economia. O ministério disse que não iria opinar sobre o caso e o convite acabou por ser retirado.

Quando Costa fez a recente remodelação no Executivo – o que incluiu um novo ministro da Economia, que tem o dossier da Web Summit – Cosgrave mostrou-se confiante. “Estas remodelações são parte da vida política de qualquer país e, como tal, acreditamos que a nossa relação continuará no bom caminho“, disse.

E a relação deu frutos. Apesar das propostas de outras cidades europeias – que até ofereciam mais dinheiro –, foi acordada a permanência da conferência em Lisboa por mais dez anos. Como parte das contrapartidas, serão investidos 11 milhões de euros anuais de dinheiro público e o espaço da Feira Internacional de Lisboa será ampliado.

Há estimativas oficiais sobre o retorno deste investimento, pelo menos no que diz respeito a receitas turísticas: são cerca de 300 milhões de euros em serviços como alojamento, transportes e restauração. Mais difícil é perceber o impacto nas startups portuguesas, que têm surgido em grande número nos anos recentes.

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Celso Martinho, que fundou o portal Sapo nos anos 1990, diz que se tornou mais fácil lançar uma startup: “Há cinco ou seis anos, quem quisesse começar, não tinha incubadoras, não tinha redes, tinha investidores com uma lógica tradicional de emprestar dinheiro, não tinha apoios do Estado. Esta infraestrutura agora está construída.”

Contudo, ainda há caminho a percorrer: “Acho que nos falta maturidade, não temos coisas que é habitual vermos noutras cidades, como é caso dos empreendedores em série. Já se veem alguns, mas faltam mais.”

Pedro Siza Vieira, ministro Adjunto e da Economia, disse que “Portugal sabe organizar grandes eventos, eles colocam grandes exigências às organizações: do ponto de vista dos transportes, do alojamento, da segurança, das comunicações”, afirmou o governante.

“Cada vez que organizamos um destes eventos capacitamo-nos mais, aprendemos e conseguimos fazer melhor e isso também é uma ambição adicional que cada edição da Web Summit coloca em cada um nós: fazer melhor, fazer maior das próximas vezes“, acrescentou o governante.

Siva Vieira sublinhou que a Web Summit “é uma grande oportunidade” de mostrar ao mundo Portugal “como um país inovador, que é capaz de acolher eventos com esta dimensão e, sobretudo, com esta exigência também ao nível tecnológico”.

O primeiro dia da Web Summit

Pelas 17h00, abrem as portas daquela que é a terceira edição da Web Summit em Lisboa. No exterior, a organização vai promover, antes da cerimónia de abertura, um “Opening Night Festival”.

A abertura oficial, no palco principal da cimeira, começa às 18h30, com uma intervenção do presidente executivo do evento, Paddy Cosgrave, que introduzirá os oradores.

A inaugurar os discursos estará o físico Tim Berners-Lee, que inventou a rede mundial de acesso à Internet há quase 30 anos. O britânico vai falar sobre a sua visão para esta rede, que criou em 1989, tendo inicialmente como objetivo que a web fosse de livre acesso e servisse a humanidade.

Em seguida, será a vez da vice-presidente nas áreas sociais e ambientais da Apple, Lisa Jackson, intervir sobre “Negócios bons que fazem bem”, relacionando a atividade da gigante tecnológica com os seus objetivos sustentáveis, nomeadamente a aposta em energias renováveis.

Seguir-se-á em palco o cineasta norte-americano Darren Aronofsky, diretor da Protozoa Pictures e conhecido por filmes como Pi (1998), A vida não é um sonho (2000) e Mãe (2017).

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O último orador é o português António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas. Numa intervenção sobre como criar “um futuro digital seguro e benéfico para todos”, o responsável vai partilhar a sua visão sobre o aproveitamento das novas tecnologias, salvaguardando ainda os perigos da inovação.

O “Opening Night Festival” continua pelas 20h00 e até à meia-noite nas imediações do evento, junto ao rio, na Rua do Bojador.

Segundo a organização, esta edição da Web Summit, que decorre até quinta-feira no Altice Arena e na FIL, no Parque das Nações, será “a maior e a melhor” de sempre.

  ZAP //

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