Temido garante que comemorações do 25 de abril não vão “pôr em causa um esforço coletivo”

José Sena Goulão / Lusa

A ministra da Saúde pediu este domingo aos portugueses um “rigoroso cumprimento” do confinamento, garantindo que as celebrações do 25 de Abril vão ter “regras”.

A ministra da Saúde pediu este domingo aos portugueses um “rigoroso cumprimento” do confinamento, garantindo que as celebrações do 25 de Abril vão ter “regras” e não vão colocar em causa “o esforço coletivo” para controlar a covid-19.

“Um gesto imponderado ou uma saída desnecessária podem deitar tudo a perder [relativamente ao controlo da infeção]. Neste momento, em que todos gostaríamos de estar a viver as nossas vidas de outra forma, temos de ser muito ponderados. E não há qualquer contradição entre este dever e a sinalização de determinados dias específicos da nossa vida coletiva, porque a faremos dentro destas regras”, afirmou Marta Temido na conferência de imprensa de atualização de informação relativa à infeção pelo novo coronavírus.

De acordo com a ministra, “nestes dias de particular dificuldade, ter boa saúde mental é, também, ter uma boa capacidade de resistir e permanecer no rigoroso cumprimento que de nós se espera, que é o isolamento até que tenhamos estabilidade [no controlo da infeção]”.

Quanto às celebrações do 25 de Abril, a ministra notou que uma coisa são as comemorações “tradicionais”, com pessoas na rua, abraçadas, e outra será o que está previsto realizar-se para assinalar a data este ano, ainda a ser detalhado e programado.

“Podem as pessoas ficar tranquilas e descansadas. De forma nenhuma deixaremos que um dia ou um gesto coloquem em causa um esforço coletivo”, assegurou.

Numa nota sobre a sessão solene comemorativa do 46.º aniversário do 25 de Abril de 1974, depois de questionado pela Lusa, o gabinete do presidente do parlamento, Eduardo Ferro Rodrigues, referiu na sexta-feira que o figurino habitual da cerimónia, que classifica como “um dos momentos altos da agenda parlamentar”, será “naturalmente adaptado, quer do ponto de vista organizativo, quer do ponto de vista do número de convidados, embora sem perder de vista a dignidade da cerimónia”.

Mais de 75.000 pessoas tinham assinado, ao início da tarde de hoje, uma petição ‘online’ a pedir o “cancelamento imediato” da sessão solene de comemoração do 25 de Abril na Assembleia da República.

Os serviços da Assembleia da República, o gabinete da ministra da Saúde e representantes da Direção-Geral de Saúde vão reunir-se esta segunda-feira para informar as autoridades sobre as presenças de deputados, convidados, funcionários e jornalistas na sessão do 25 de Abril, escreve o jornal Público.

A reunião tem como objetivo “informar que, entre deputados, convidados, funcionários e jornalistas, estarão o mínimo desde que começou o estado de emergência“.

Ficou decidido manter-se a sessão solene do próximo sábado, embora com apenas um terço dos deputados e 50 convidados. CDS e Chega são os partidos que mais contestam este modelo.

“Acho um disparate persistir na ideia da sessão comemorativa do 25 de Abril na AR no modelo tradicional. E previno já que não admito que me chamem ‘facho’, ou que insinuem que não estou com o 25 de Abril por exprimir esta minha opinião”, escreveu ainda o ex-deputado do PS João Soares.

CGTP: Trabalhadores “não se vão calar”

Os direitos dos trabalhadores têm que ser defendidos durante a pandemia da covid-19, assinalou hoje a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), realçando a importância das datas do 25 de Abril e do 1.º de Maio.

“Os trabalhadores e a CGTP-IN não se deixam calar e não se vão calar“, lê-se no comunicado da central sindical, que aponta para a crise no mercado laboral causada pelo novo coronavírus.

Atualmente, “estão ameaçados muitos milhares de postos de trabalho e há mais de 350 mil desempregados”, sublinhou a CGTP, acrescentando que “um milhão de trabalhadores está em ‘lay-off’ com perda de um terço da sua retribuição”, e que “mais de 300 mil estão noutras situações de enorme perda de remunerações e muitos milhares com salários em atraso”.

Segundo a CGTP, por causa da situação provocada pela pandemia, neste momento, “os direitos são atropelados pelas empresas com despedimentos ilegais, com a precariedade, com a imposição de ritmos de trabalho brutais e sem respeito pela organização dos horários de trabalho e descansos semanais”.

Dado o atual estado de emergência em Portugal, a CGTP, tal como anunciou em 14 de abril, não vai “realizar as manifestações, concentrações e desfiles”, mas quer assinalar as datas do 25 de Abril e do 1.º de Maio.

“Está em curso uma campanha, levada a cabo por quem ainda não desistiu de acertar contas com o 25 de Abril e as suas conquistas e valores, com que se pretende impedir as comemorações da revolução que devolveu aos trabalhadores e ao povo português a liberdade, a democracia e um vasto conjunto de valores e de direitos que continuamos a defender e a exigir que sejam cumpridos na sua totalidade”, afirma a central sindical.

A CGTP frisou que, na “situação provocada pelo surto epidémico que veio alterar” as vidas dos portugueses, e em que “são fundamentais medidas de proteção da vida e da saúde, é também imprescindível que sejam garantidos os direitos e interesses dos trabalhadores”.

E salientou: “Não aceitamos que se tente impedir a sessão comemorativa do 25 de Abril na Assembleia da República, sob falsos pretextos e no dia 25 de Abril às 15:00 cantaremos a Grândola e o hino nacional”.

ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. Expliquem aos portugueses que foram apanhados no segundo confinamento, as multas ou a ida ao juiz. somos o Pais do tudo e dos políticos nada.
    Todos os tugas deviam sair para a rua, e exigir demissão do ferro que também verga e parte que é o que encabeça a força da realização do 25 de Abril e dos outros 129.

  2. Deve-se lavar as mãos com sabão, quando se vem da rua. E que tal, “ir lamber sabão” quando se fala de dois pesos e duas medidas?

  3. O mal está aqui.
    Os políticos exigem e o zé povinho é obrigado a pagar para a banca fraudulenta . paga comissões na CGD que é um banco público , impostos a dar com um pau taxas e mais taxas na luz, água , para a rtp etc .
    As pessoas indignam-se e têm razão.
    Puseram tanta polícia na rua para exigirem um papel ou irem para casa.
    Acham que isso deu alguns resultados?
    Mandam vir refugiados aos montes metem-nos em casas no centro de Lisboa que não são mais do que locais facilitadores de vírus e sem trabalho.
    Muitos dos países de onde vêm não estão em guerra.Não é só dizer que somos um país de acolhimento .
    Acontece que que pagamos tudo isto .
    Não se pode só exigir . Os políticos têm de cumprir.
    Se algo corre mal mal por má gestão ou corrupção quem paga é sempre o zé .
    Mesmo até no material usado pelos profissionais de saúde nós temos cá quem fabrica esse material com elevada qualidade e fiabilidade.
    O país não se pode dar ao luxo de dispender milhões comprando material aos chineses , porque deve fazer todos os esforços tendo em conta que a grande maioria das necessidades devem pertencer aos portugueses.
    Temos que fortalecer a nossa economia e não a dos outros.

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