A Supertaça foi tão equilibrada como Jesus afirmou?

José Coelho / Lusa

O treinador do Benfica, Jorge Jesus

Esta foi uma das declarações mais relevantes após a Supertaça Cândido de Oliveira, que o Porto venceu por 2-0 ante o Benfica, em Aveiro. Terá sido mesmo assim?

Para o treinador das “águias”, Jorge Jesus, o que definiu o vencedor do encontro foi apenas a eficácia e objectividade com que os “dragões” abordaram este jogo e que pouco separou os dois conjuntos. Mas terá sido mesmo assim?

“As duas partes foram equilibradas. O Porto esteve melhor nas decisões e a diferença esteve na eficácia” (Jorge Jesus)

Um olhar para as estatísticas do encontro parece indicar que, de facto, houve muitos momentos em que as equipas se equipararam, mas parece algo redutor olhar apenas para a eficácia como factor de decisão do encontro, embora seja claro que esse foi um dos pontos fulcrais do encontro, tal como a “objectividade”, como o próprio Jorge Jesus salientou, aí com aparente razão.

Enorme diferença ofensiva

Se o tema é a eficácia ofensiva, temos de olhar primeiramente para esses momentos, e aí as diferenças foram claras.

  • O Porto rematou mais, mesmo com ligeiramente menos posse (48%) e menos acções com bola em posse (dado que legitima as palavras de Jesus quando fala em objectividade)
  • Os portistas registaram 438 acções em posse, de bola corrida, e remataram 12 vezes, pelo que realizaram um disparo a cada 36,5 acções com posse. O Benfica, por seu turno, precisou de 69,7 dessas acções (488 no total) para rematar.
  • Seis dos sete remates do Benfica na partida foram de fora da área, revelador das dificuldades “encarnadas” para entrar na área portista.
  • A diferença no número de acções com bola nas grandes áreas foi avassaladora: 25 para o Porto, quatro apenas para as “águias” – aqui residiu o principal problema dos lisboetas.

Porto menos “rendilhado”

  • Como referimos, o Porto precisou de menos acções em posse para rematar, o que denota um pragmatismo e objectividade que se espelha também no drible: o Benfica “rendilhou” mais o seu jogo, com 25 tentativas de drible, contra apenas 13 do “dragão”.
  • Desses, os portistas completaram oito (62% de eficácia) e os benfiquistas 14 (56%).

“Dragão” mais competente no processo defensivo

Sérgio Conceição falou no final do encontro de uma equipa sólida defensivamente – em oposição a uma formação defensiva – e os números dão-lhe razão:

  • O Porto terminou o jogo com muito mais tentativas de desarme. Foram 52 contra 30 do Benfica, e também na qualidade desse gesto a equipa esteve melhor.
  • Ao todo os “dragões” somaram 25 desarmes efectivos contra somente 15 das “águias”, o que nos começa a remeter para as debilidades defensivas da equipa de Jorge Jesus.
  • O mesmo aplica-se nas intercepções, com os portistas a terminarem com 21, contra 14 dos benfiquistas. Mas há também dados das zonas das acções defensivas que dizem muito sobre as equipas.

José Coelho / Lusa

Benfica com um “buraco” no meio-campo

Ao longo do jogo foi notória a incapacidade benfiquista em pressionar com competência em zonas mais adiantadas do terreno, cortando os primeiros momentos da construção “azul-e-branca”:

  • O Porto registou nove acções defensivas no meio-campo “encarnado”; ao passo que o Benfica não foi além das seis do outro lado.
  • Os lisboetas somaram bem mais acções defensivas no primeiro terço, nada menos do que 43, contra 34 dos “dragões”, o que denota que resolveram os problemas defensivos em zonas bem mais recuadas…
  • … algo que bate certo com o número de acções defensivas no meio-campo: o Benfica fez apenas 15, contra 26 dos homens da Invicta, o que, comparando com o número anterior, espelhas a dificuldades benfiquistas em “filtrar” jogo a meio-campo, deixando para a defesa a maior parte do trabalho.
  • As acções defensivas no último terço, o ofensivo, – quatro para o Porto, uma para o Benfica – sustenta a ideia que os valores anterior sugerem.

Muitas outras estatísticas ressaltam deste encontro, a maioria apontando para um certo equilíbrio nos momentos e acções, mas estas foram as mais “desequilibradas” — e a sua leitura ajuda a tirar algumas conclusões sobre o que foi a Supertaça 2020 em Aveiro.

  // GoalPoint

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2 COMENTÁRIOS

  1. O Benfica tem mais valores individuais. O Porto tem jogadores de menor valia técnica, mas em termos de valia coletiva conseguiu ser superior ao Benfica. O Benfica é ainda uma equipa em construção e também com um treinador novo, ao contrário do Porto. Outro aspeto que prejudicou o Benfica é ter jogado com 10 estrangeiros, 7 dos quais entraram há pouco tempo na equipa. A coesão total de uma equipa não se obtém em 3 ou 4 meses.

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