Sucessão de António Costa no PS “não está para breve”, diz Ferro Rodrigues

Tiago Petinga / Lusa

O Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues

O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, acredita que demora tempo a trilhar o caminho até à liderança do Partido Socialista (PS) e que António Costa ainda estará na posição de secretário-geral durante “muitos anos”.

“Estou convicto de que quem define esse tempo não é nenhum dos candidatos ainda não afirmados, mas sim o Secretário-Geral António Costa. Ele próprio definirá quando será o tempo de ser substituído e não me parece que esteja para breve”, disse Ferro Rodrigues em entrevista à TSF, divulgada esta quinta-feira. Na sua opinião, Costa será “a primeira figura no PS durante muitos anos”.

O antigo líder socialista lembrou que, no PS, o caminho para chegar à liderança é algo que “demora”, recordando questões internas que se seguiram à liderança de Mário Soares. “Havia candidatos assumidos ou não assumidos, três ou quatro grandes personalidades”, como Jaime Gama, Vítor Constâncio e Jorge Sampaio e “o que aconteceu foi que duraram anos e anos até à maturação desse processo”.

“Tudo isto demora muito tempo”, avisou. “Estes grupos e grupinhos” vão fazer “as suas próprias redes de trabalho de debate político e influência”, como antes os chamados “gamistas”, sampaístas ou “guterristas”, sublinhou o presidente da Assembleia da República, que afirmou, quando questionado se era “pedronunista” ou fernandomedinista”: “Só sou socialista”.

Ferro Rodrigues frisou que todos os antigos candidatos “tiveram um destino político muito positivo”: Vítor Constâncio foi governador do Banco de Portugal, Jaime Gama foi presidente da Assembleia da República e António Guterres, além de ter sido primeiro-ministro, é secretário-geral das Nações Unidas.

Candidatura presidencial do PS não faz sentido

Na mesma entrevista, Ferro Rodrigues, que apoia publicamente a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa para Presidente da República, indicou que, segundo as sondagens, “70% dos socialistas” têm esse mesmo sentido de voto. “Estou bem acompanhado”, referiu, acrescentando que, no atual cenário, “não faria sentido” uma candidatura do PS.

“Não me parece que com 70% dos socialistas a quererem votar em Marcelo Rebelo de Sousa faça sentido haver uma candidatura do PS”, afirmou, explicando que o seu apoio apenas reflete aquilo que pensa e frisando que sente-se “bem acompanhado” e “não tem qualquer motivo para se arrepender” do que disse.

Tiago Petinga / Lusa

“Não o choca”, contudo, que existam socialistas que queiram votar em candidatos apoiados por partidos da esquerda. “O ato de votar é eminentemente pessoal e secreto”, concluiu.

Crise política em 2021? “Não me parece”

Uma crise no Orçamento de 2021, quando o Parlamento não pode ser dissolvido, “seria irresponsável”, avisou na mesma entrevista, indicando que “ninguém ganharia”.

Tudo vai depender da “responsabilidade de cada uma das forças partidárias e das convicções que tiver em sobre como o país e os eleitores iriam encarar uma crise, quem iriam responsabilizar e que consequências tirariam em matéria de eventual voto antecipado”, afirmou. “Não me parece que no ano de 2021 venhamos a ter qualquer crise política”, frisou.

“O Orçamento tem de entrar [no Parlamento] até 15 de outubro e a partir de 09 de setembro o Presidente da República não pode dissolver o parlamento”, lembrou. “Seria muito grave e uma irresponsabilidade porque criaria uma situação de crise que se arrastava durante meses e meses. Nesta situação em que está o mundo e o país está, não me parece que alguém ganhasse com essa crise arrastada”.

Sobre o voto contra do PCP no orçamento suplementar, referiu que a anunciada abstenção do PSD contribuiu para “libertar o voto do PCP”. “Eu assisti a evolução dos acontecimentos, mas houve um facto novo: foi o PSD ter dito, logo no início, que viabilizava o orçamento. Quando um partido diz, à partida, que viabiliza o orçamento, liberta os outros partidos para assumirem posições sem risco de crise”, justificou.

Relativamente à crise causada pela covid-19, avisou que vai ser preciso “gastar bem o dinheiro” que há de chegar de Bruxelas, não só nas “respostas mais urgentes como nas soluções de médio prazo”. “A crise abre a oportunidade de repensar estes investimentos estratégicos para Portugal”, defendeu Ferro Rodrigues.

A Visão Estratégica de António Costa Silva para a recuperação económica “é um bom ponto de partida para deixar pistas o consenso nacional” mas a concretização é da “responsabilidade do Governo”, disse ainda, enaltecendo a atuação das autoridades de saúde, que “tem estado muito acima da expectativa”.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Este coitado de Ferro Rodrigues não sabe o que diz é um triste.
    Pois esse diz que o António Costa é para ficar!
    Pois meus amigos a ditadura estava escondida e hoje já chegou, vamos ficar pior que a Venezuela.
    Não confio em COVEIROS DA NAÇÃO….

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