Governo do Sri Lanka admite grande falha nos serviços de informação. Ataques “podiam ter sido evitados”

STR / EPA

O vice-ministro cingalês da Defesa, Ruwan Wijewardene, admitiu ter havido “uma grande falha” dos serviços de informação do país, reagindo às notícias que davam conta de um alerta lançado dias antes dos ataques e que terá sido ignorado.

Houve uma “grande falha na partilha de informação dos serviços secretos. Temos que assumir a responsabilidade”, admitiu o governante em conferência de imprensa, citado pela agência Reuters. “Infelizmente, se as informações tivessem sido passadas às pessoas certas, julgo que, pelo menos, estes ataques podiam ter sido evitados ou minimizados”.

Por sua vez, Lakshman Kiriella, líder do parlamento, disse que altos funcionários retiveram deliberadamente informações sobre possíveis ataques. “Alguns dos altos funcionários da inteligência esconderam informações propositadamente. A informação estava lá, mas os oficiais de segurança de alta patente não tomaram as medidas apropriadas”.

De acordo com o líder do Parlamento, as informações sobre possíveis ataques suicidas foram recebidas pelos serviços de inteligência indiana a 4 de abril. Três dias depois, houve uma reunião do Conselho de Segurança, presidida pelo Presidente Maithripala Sirisena, mas a informação não chegou a ser partilhada de forma mais ampla.

Wijewardene afirmou ainda que muito dos atacantes tinham conexões internacionais, tendo vivido ou estudado no exterior. Os bombistas eram “pessoas instruídas”.

“Acreditamos que pelo menos um dos bombistas suicidas estudou no Reino Unido e, mais tarde, fez uma pós-graduação na Austrália. A maior parte destes atacantes era instruída e provinha das classes média e média-alta, pelo que eram bastante independentes financeiramente”, acrescentou o governante na mesma conferencia.

O ataque terá sido perpetrado por nove bombistas suicidas, sendo que oito deles, todos cidadãos do Sri Lanka, já foram identificados pelas autoridades, adianta a BBC. As autoridades já sabem que um dos bombistas era uma mulher.

Número mortos sobe para 359

O número de mortos dos ataques terroristas do domingo de Páscoa no Sri Lanka subiu entretanto para 359, incluindo 39 cidadãos estrangeiros, e 500 feridos.

A informação foi avançada esta quarta-feira pelo porta-voz da polícia do país, que adiantou ainda que 18 suspeitos dos atentados em três igrejas e quatro hotéis foram detidos na última noite, elevando para 58 o número de detenções.

Nesta terça-feira, o Daesh reivindicou os ataques, que disse terem sido sete os bombistas-suicidas. Contudo, o grupo não apresentou provas da autoria. Tal como observa a agência Reuters, e a confirmar-se a autoria do ataque, trata-se de um dos piores ataques levados a cabo pelo grupo fora do território do Iraque e da Síria.

Também no dia de ontem, vice-ministro da Defesa do Sri Lanka disse que a investigação preliminar apontava para que os atentados tivessem sido um ato de “retaliação” pelos ataques a duas mesquitas na Nova Zelândia, a 15 de março, que fizeram 50 mortos.

“As investigações preliminares revelaram que o que aconteceu no Sri Lanka foi em retaliação pelo ataque contra muçulmanos em Christchurch”, afirmo no Parlamento.

A primeira-ministra da Nova Zelândia disse que não recebeu nenhum dado oficial do Sri Lanka ou dos serviços de informação que corroborem as alegações de que os ataques foram retaliações ao atentado às mesquitas em Christchurch.

Jacinda Ardern disse aos jornalistas em Auckland que o Sri Lanka está numa fase inicial da sua investigação e que não se encontra em contacto direto com o Sri Lanka.

Um português residente em Viseu está entre as vítimas mortais das oito explosões de domingo que causaram mais de 359 mortos e 500 feridos no Sri Lanka.

  ZAP // Lusa

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7 COMENTÁRIOS

    • Caro António,
      Se em português correcto se falasse ou escrevesse como sugere, o “ex-português” não poderia sequer “estar” entre as vítimas.

      • Não deixou de ser português por ter falecido. No entanto deixou de ser residente em Viseu. Mesmo que seja sepultado em Viseu nunca mais se diz que reside. “Está sepultado” ou “jaz”.

        • Caro António,
          Não nos parece necessário discutir se a nossa frase está ou não correcta com ou sem o “que era”, e se no momento em que morreu era ou não residente em Viseu, e se podíamos ou não ter escrito de outra forma. Mas se lhe sente a falta, tome o “que era” como subentendido antes do “residente” e permita-nos por favor que continuemos a escrever no português escorreito de que gostamos, que não tira nem rigor nem legibilidade, que escorrega pelos olhos dos nossos leitores, e que em nada atraiçoa a língua portuguesa.
          Quando em falha nossa estivermos a cometer erro que a atraiçoe, contamos com o seu rigor para no lo corrigir, e muito lhe agradecemos que o faça.

          • O ZAP hoje está num mau dia. Pensava que o argumento apresentado não merecia contestação e, afinal, o chato do leitor António ousou rebatê-lo. Não precisam de se exasperar. Só tenho de pedir desculpa à família do falecido por ter potenciado uma discussão fútil em face de algo muito mais sério.

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