Este ano, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem mais dinheiro, mas vai continuar a não garantir a assistência mínima necessária em cuidados dentários e oftalmológicos.
Se partir um dente ou precisar de usar óculos e não puder pagar a um médico privado, também não encontrará resposta no SNS. Terá de esperar por uma consulta com o médico de família e pela referenciação para o especialista hospitalar. Na melhor das hipóteses, segundo o semanário Expresso, vai ter acesso à reparação dentária ou à correção visual seis meses depois.
O Governo garante que no Orçamento do Estado para a Saúde em 2020 estão previstas verbas para reforçar a saúde oral e visual. No entanto, quem está no terreno afirma que não é nada de concreto. A única referência é o alargamento da oferta de saúde oral nos cuidados primários, com uma verba de 1,8 milhões de euros, que para os peritos ouvidos pelo semanário é uma opção errada.
O projeto para oferecer dentista em centros de saúde e Unidades de Saúde Familiar (USF), mediante a referenciação pelo médico de família, teve início em 2016 e deveria estar já em 200 pontos do país, mas, segundo o Expresso, ainda não há em 100.
Além disso, são sobretudo intervenções preventivas ou para tratamentos SOS. Os tratamentos mais onerosos – de reabilitação e com próteses -ficam de fora.
Outras das promessas por garantir é o alargamento do cheque-dentista. Os dentistas têm feito um apelo prioritário à inclusão das crianças aos dois anos mas não há qualquer evidência de que o Governo vá avançar.
Na oftalmologia, o cenário é ainda pior, segundo o Expresso, uma vez que não há qualquer aposta clara na assistência aos portugueses e os oftalmologistas preparam-se para apresentar um plano B ao Governo: vão reunir consultórios privados que queiram prestar serviços ao SNS, por convenção como nos exames ou por cheque-visão.
Ia jurar que já fui a várias consultas de oftalmologia num hospital público (a última foi há menos de um ano!) mas, se a notícia diz que “vai continuar sem oferta no SNS”, devo ter sonhado!…